quarta-feira, 23 de julho de 2014

O Mundo Devastado 2 - parte 2*

*Esse conto não tem nenhuma relação com o Brian.
-
Fazia oficialmente naquele dia 1 mês desde que meu pai tinha morrido e que eu passei a vagar sozinho por esse mundo, eu andava por uma longa estrada que levava pra alguma cidade no interior do rio, meus suprimentos estavam acabando, estava quase sem comida e meu cantil estava quase vazio e eu não achava água potável há 5 dias. Eu ainda estava pela área rural, então ainda tinha esperanças de achar alguma fazenda pelo local com algum lago, mas eu definitivamente estava no meio do nada, a mais de quilômetros que eu não achava nada, nem mesmo zumbis, e pra piorar o sol estava mais quente do que nunca, só pra piorar ainda mais a sede que eu estava.
Mais a frente havia uma grande área de mata, antes de tudo eu me sentei na primeira pedra que eu achei perto da sombra de uma árvore, já estava andando há horas, estava exausto, me sentei e dei um pequeno gole no que ainda restava de água no meu cantil, também aproveitei pra comer uma barrinha de cereal que eu tinha achado em uma casa no dia anterior, não era das melhores, mas servia pra enganar o estômago. Depois de alguns minutos de descanso eu segui caminho, sendo que desta vez em vez de seguir a estrada eu resolvi da uma explorada por aquela mata, provavelmente eu poderia achar algo útil, ou até mesmo água, e como já de costume eu fui marcando as árvores com meu pé-de-cabra pra depois eu achar o caminho de volta a estrada sem muitos problemas.
Aquela mata parecia ser completamente inabitada, as únicas coisas vivas que eu encontrava pelo caminho eram insetos e alguns poucos pássaros, inclusive, fiquei surpreso ao encontrar um ninho de pássaro com filhotes dentro em uma das árvores, aquilo meio que me fez acender uma pequena chama de esperança dentro de mim, como se fosse um bom presságio ou coisa assim. No caminho também encontrei umas frutas maduras e certamente as guardei pra mais tarde, mas ainda assim eu não achava água, nenhum lago, nem mesmo gotas de orvalho.
Até que eu ouvi um barulho vindo de não muito longe, me parecia ser um tiro de arma de fogo, o que me assustou um pouco, já que há muito tempo que eu não via mais nenhum humano vivo, então na hora preferi acreditar que aquilo era o som do estrondo de alguma coisa, seja lá o que fosse o que ainda assim me preocupava, porque o som poderia muito bem atrair zumbis, apesar de que não parecia haver nenhum por aquela área, então continuei minha caminhada tranquilamente.
Mais a frente eu finalmente achei aquilo que eu tanto procurava, depois de andar bastante eu achei um lago, antes de tudo eu esvaziei o meu cantil completamente, depois dei um grande gole na água do lago e enchi meu cantil por completo, e finalmente chegara a hora de voltar para a estrada, então comecei a seguir as marcas que eu deixei nas árvores, sendo que o quanto mais eu andava mais eu ouvia um som que não me agradava nem um pouco. O estrondo que eu tinha ouvido anteriormente realmente atraiu zumbis para aquela área, eu ainda os ouvia de muito longe, mas ainda assim precisava me manter atento. Quanto mais eu andava mais próximo parecia que os zumbis estavam, voltei a por meu pé-de-cabra em mãos e fui seguindo meu caminho, e assim eu percebi o quanto eu andei por aquela área, eu ainda estava longe da estrada e o sol começava a se pôr, então acelerei o passo, passava os minutos, escurecia ainda mais e eu não tinha nada que pudesse iluminar a área, e pra piorar o som de zumbis ficava cada vez mais alto.
O crepúsculo brilhava no céu e a visibilidade diminuía cada vez mais, já estava difícil até de ver as marcas que eu deixei nas árvores, eu simplesmente não sabia mais em que direção eu estava indo. Até que eu voltei a escutar estrondos, dessa vez foram vários consecutivos, e não vinham de muito longe, não me restava dúvidas que aquilo era som de tiros, o que me fez acender mais uma chama de esperança, finalmente tinha achado outro humano nesse mundo, mas antes que eu pudesse esbanjar qualquer tipo de reação, eu fui surpreendido com algo tocando em meu ombro, no momento em que fui tocado e senti o cheiro de coisa morta, eu já sabia que era um zumbi.
Virei-me rapidamente e bati com o pé-de-cabra no olho dele, logo após mata-lo eu pude ver o outro grande grupo de zumbis que vinham em minha direção, eu contei mais ou menos uns 15 por ali, podendo ser um pouco mais também, voltei a ter meu pé-de-cabra em mãos e deixei que eles viessem, um zumbi que estava próximo do que eu tinha matado acelerou em minha direção e eu lhe acertei duas pancadas na cabeça, outros dois correram para cima de mim, tive que chutar um pra longe enquanto eu acertava o pé-de-cabra na cara do outro, e logo após lhe dei 3 pancadas na cabeça, foi então que percebi o quão próxima o resto da horda estava, e assim comecei a me afastar ainda abatendo aqueles que se aproximavam, mas parecia que o quanto mais eu me afastava, mais deles apareciam. Naquele momento eu me preparava pra correr, não tinha como eu abater todos, eles estavam vindo de todos os lados.
Quando eu estava pronto pra correr, algo inesperado ocorreu. Ouvi mais um som de tiro, e vi um dos zumbis que estava na minha frente ser abatido instantaneamente, então olhei para trás, e vi um homem, que aparentava ter uns 50 anos, com roupa de caça e uma sniper em mãos, e logo após eu olha-lo, ele abateu mais um zumbi.
- SAI DAÍ! – gritou ele
Eu saí da sua linha de fogo e fui a sua direção, enquanto ele matava mais alguns zumbis.
- Está sozinho? – perguntou ele
- Sim! – respondi
- Então vá seguindo em frente e entre na minha pick up e me espere lá. – falou ele – tenha sua arma em mãos.
E assim eu corri na direção que ele indicou o mais rápido que eu conseguia, e não demorou muito pra eu achar o carro dele, havia uns poucos zumbis por perto os quais eu abati sem nenhuma dificuldade, e assim entrei rapidamente no carro, era quase de noite e eu ainda ouvia os disparos do homem.
Passado um pouco a tensão, comecei a digerir tudo que tinha acabado de acontecer, e fiquei alegre pelo fato de finalmente ter encontrado outro humano vivo, mas também fiquei preocupado, porque afinal de contas, era um humano, ou seja, eu poderia confiar nele? Coloquei meu facão no colo e esperei que ele chegasse.
Não demorou muito até ele finalmente chegar, ele vinha carregando com ele um monte de rato e algumas galinhas. Enquanto ele se aproximava eu já empunhava meu facão.
- Tudo bem com você? – perguntou ele se aproximando do carro
- Sim, estou! – falei
- Foi mordido?
- Não!
E então ele entrou no lado do motorista, e assim segurei mais forte o meu facão, o que ele provavelmente percebeu.
- Pode guardar esse facão, garoto, não lhe farei nenhum mal.
- Que garantia eu tenho? – perguntei
- Eu lhe garanto que se eu quisesse te matar teria deixado os zumbis fazerem o trabalho sujo por mim.
Ele me convenceu, mas ainda assim não guardei o facão, simplesmente o deixei em meu lado, comecei a lembrar do conselho que meu pai sempre me dava antes de eu ir buscar suprimentos: “Se acha alguém por ai, tome cuidado, de preferência evite contato, você não sabe se eles são confiáveis”.
E assim ele deu partida no carro.
- Pra onde vamos? – perguntei
- Pra minha casa! – respondeu ele
Passaram-se alguns minutos até um de nós falarmos alguma coisa.
- Bom, admito que estou surpreso por encontrar alguém não infectado por aqui, está difícil até encontrar animais pra caçar, isso foi tudo que eu consegui em 4 horas de caçada. – falou ele apontando pros animais mortos.
- Também estou... – falei – por um bom tempo eu achei que eu era o último cara vivo que existia.
- Eu não chego a tanto, nunca acreditei ser o último, mas sim que sou um dos poucos que ainda sobrevive.
Ficamos uns momentos calados, ate que eu disse:
- Os sons de disparos foram todos seus?
- Sim... – respondeu ele – digamos que aqueles zumbis todos chegaram ali por minha culpa, me desculpe por isso.
Fiquei calado
- Mas agora diga-me... – continuou – como você chegou aqui? Você estava em algum grupo de sobrevivente, ou coisa assim?
- Bom... -  e ai fiquei um bom tempo contando toda a minha história pra ele, desde que esse inferno todo começou até o quando eu cheguei naquela mata.
- Quantos anos você tem mesmo? – perguntou ele
- 19!
- E já tem esse tanto de história pra contar... – falou ele – mas me responde uma coisa, por que você e seu pai não quiseram se juntar em nenhum dos grupos de sobreviventes que foi formado?
- Porque segundo meu pai, isso nunca da certo, porque sempre vai ter aqueles que tentarão mandar em tudo e isso sempre gera uma desordem que acaba matando a todos, em resumo, ele não confiava nas pessoas, então ele achou melhor a gente viver por nossas contas mesmo.
- Garoto, não conheci seu pai, mas posso lhe afirmar com certeza que ele foi um homem sábio, ele tinha total razão sobre isso, tanto que boa parte desses grupos hoje provavelmente estão todos mortos.
- Foi por isso que você também não se juntou a nenhum grupo?
- Não exatamente, é que eu achei melhor ficar aqui no campo mesmo onde há menos zumbis do que ficar indo de cidade em cidade com o risco de encontrar uma enorme horda deles... – falou ele – claro, tem vezes que eu tenho que ir em uma pra buscar suprimento, mas eu vou e volto, prefiro ficar na tranquilidade da minha casa do que me arriscar muito lá fora.
- Entendi! – falei
Passamos mais alguns segundos calados, até que o homem falou:
- Não me disse seu nome ainda...
- Jonnatan! – falei
- Prazer, sou Dylan!
E assim seguimos o resto da viagem calados, até finalmente chegarmos na casa dele, eu o ajudei a levar tudo para dentro, e logo após arrumar tudo ele perguntou:
- Com fome?
- Sim, mas tudo bem, eu tenho comida na minha mochila.
- Besteira, você é convidado, vou preparar melhor essa galinha pra gente. – disse ele acendendo as velas da casa – e uma dica, fique longe das janelas, quando eu por a comida na mesa terei mais algumas perguntas pra você.
Acenei de forma positiva com a cabeça.

E assim eu aguardei ele preparar tudo, eu também tinha algumas perguntas pra fazer a ele.

(continua...)

terça-feira, 22 de julho de 2014

O Mundo Devastado 2 - parte 1*

*Esse conto não tem nenhuma relação com o Brian
-
Olá, meu nome é Jonnatan, você provavelmente já deve ter ouvido um pouco da minha história anteriormente, aquela em que eu contei sobre quando eu encontrei o casal Amy e Jorbson durante minha jornada, sobre o quanto me surpreendi com eles quando eu vi que eles só me salvaram para me matarem e me fazer de jantar, sobre o quanto eles foram sangue frios o suficiente para matarem o próprio filho para comerem a sua carne, e sobre o como eu tive que mata-los.
Depois do ocorrido eu simplesmente voltei a vagar pelo mundo com apenas um objetivo em mente, sobreviver. Mas agora eu não contarei sobre algo que aconteceu após esse ocorrido, e sim antes, muito antes, onde praticamente minha história nesse mundo devastado começou...
Começarei pouco depois que minha casa foi atacada, e meu pai morto pelos zumbis, pela última vez eu tive que obedecer a ordem dele de correr o mais longe que podia, lembro que a última imagem que eu tive dele foi quando ele foi derrubado pelos zumbis que invadiam a casa, eu queria ter ajudado ele, eu queria tira-lo de lá junto comigo, mas não havia muito que fazer, ele já tinha sido mordido, então eu simplesmente corri, com meu facão e o meu pé-de-cabra em mãos eu corri o mais rápido que consegui.
Quando finalmente parei, fiquei uns minutos tentando digerir tudo que tinha acabado de acontecer, então desatei em choro, foi quando a ficha caiu que eu tinha acabado de perder o meu pai, e de que a partir daquele momento eu estava sozinho naquele mundo.  Eu fiquei completamente sem esperanças, tudo que me sobrava era a roupa no corpo, meu facão e meu pé-de-cabra, eu não tinha comida, nem água, e nem nada para sobreviver, naquele momento eu estava aceitando meu fim.
Estava decidido a ficar ali sentando esperando a morte chegar, não via mais sentido em viver naquele mundo, mas depois pensei melhor, e disse pra mim mesmo: “Você vai simplesmente desistir? Quer dizer que seu pai simplesmente morreu por você a toa? Você acha que ele ficaria feliz com você por isso?” e logo após isso eu me levantei decidido a lutar pela minha vida todos os dias que ainda me restassem nesse mundo, e se eu morresse que fosse tentando, pelo menos. E assim começou a minha longa jornada pela sobrevivência em um mundo destruído e sem esperanças.
No início foi difícil, eu não tinha muito em mãos, muitas vezes tive que comer coisas das quais eu nunca imaginei que um dia comeria, às vezes tive que caçar pra ter comida, e ainda tinha que comer cru, quando eu consegui uma mochila as coisas melhoraram um pouco, pelo menos já conseguia guardar suprimentos para ocasiões futuras, e depois que eu consegui um cantil a água deixou de ser um grande problema.  Mas por incrível que pareça ainda era difícil achar uma arma de fogo, apesar de que mesmo que eu achasse uma eu provavelmente não saberia utiliza-la de forma correta, meu pai nunca me deixou  usar a espingarda dele.
E claro, quando eu tinha que passar por uma horda de zumbis eu tinha que ser o mais sutil possível, coisa que eu já fazia desde quando esse caos todo começou, já que várias vezes meu pai me mandava ir buscar suprimento na cidade, e muitas vezes dei de cara com um monte deles vagando a área, ou seja, a arte de passar sem ser notado pelos zumbis eu já dominava, mas claro, tinha as vezes que eu tive que enfrentar alguns frente-a-frente, e quando ocorria de eu acabar chamando a atenção de uma horda inteira, eu simplesmente corria até conseguir despista-los, eu tinha meus métodos.

Agora finalmente chegando aonde eu quero, irei contar pra vocês sobre quando eu encontrei a pessoa que foi importante para a minha sobrevivência, pessoa essa que eu devo bastante, e que se não fosse por ela, talvez eu não tivesse mais vivo para contar história, eu cheguei a citar sobre ele na última história que eu contei, seu nome é Dylan, e vocês saberão mais sobre ele e como ele me ajudou, agora.


(Continua...)

domingo, 20 de julho de 2014

Inocente criança

Era mais um fim de semana normal em minha vida, domingo, pra ser mais exato, e nesse dia eu fui no cinema com a minha mãe e a minha irmã, fomos o mais cedo possível para lá pra pegar a sessão mais cedo que tinha. Chegamos no shopping ele ainda se encontrava fechado, eram 11:30 e o estabelecimento só abria de meio-dia, então tivemos que ficar meia hora esperando dentro do carro, eu, como sempre, fiquei ouvindo música no meu ipod enquanto isso e minha mãe e minha irmã conversavam sobre coisas delas. Quando finalmente deu meio-dia, entramos no shopping, compramos os ingressos  e depois fomos almoçar, a sessão era de 13:45.
Quando terminamos de almoçar já eram 13:30, então fomos para a sala, eu comprei uma pipoca e uma água mineral e logo em seguida fui pra sala aguardar o inicio do filme. No filme era retratado uma pessoa que tinha sido sacaneada por alguém que ela confiava e que por isso passou a ter um grande ódio dentro dela, querendo vingança, então conforme foi se passando o filme uma coisa me chamou a atenção dentro da sala.
Havia um garoto na minha frente, que tinha supostamente entre 4 e 5 anos, estava ele e seu pai vendo o filme juntos, ai chegou em uma parte que o garoto o perguntou:
- Por que ele ficou mau, pai?
Então o pai dele respondeu:
- Por que o outro cara tinha enganado ele, e por isso ele ficou com ódio dele.
Ai o garoto fez uma pergunta ao pai que chamou completamente minha atenção:
- O que é ódio?
E o pai respondeu:
- É um sentimento ruim que as pessoas sentem quando não gostam de alguém.
- Por que as pessoas sentem isso, pai?
- Há inúmeras razões, filho, no filme, por exemplo, ele sente ódio do outro cara porque ele confiava nesse outro cara e ele o enganou.
- O que as pessoas fazem quando tem ódio?
- Muitas coisas ruins, filho.
Passou-se uns segundos com os dois em silêncio, até o garoto fazer uma última pergunta:
- Existe ódio no mundo, pai?
O pai parecia uma pouco receoso de ter que responder isso ao filho.
- Sim, infelizmente existe... - disse ele - mas isso é uma coisa que você só entenderá melhor quando crescer.
Logo após isso eles voltaram a ver o filme atentamente, e no mesmo momento eu pensei:
"Pobre criança inocente, ainda vai se surpreender muito com o quão más as pessoas desse mundo podem ser."


Brian

domingo, 6 de julho de 2014

Aconteceu numa viagem

Nessas férias, pela primeira vez, eu fiz uma viagem diferente, por que diferente? Porque essa seria minha primeira viagem sozinho com os meus amigos, eu, Joey, Caio, Henrique e Luís nos juntamos para ir no Festival de Inverno de Garanhuns desse ano, o pais de Luís disponibilizaram a casa deles para a gente e Joey convenceu o pai a liberar o carro pra ele levar a gente, a gente passaria uma semana por lá, mais ou menos até o fim do festival, já estava tudo combinado e tudo bem dividido.
Chegou a terça e então pegamos a estrada e fizemos um percurso de mais ou menos 3 horas e poucas até chegarmos no município de Garanhuns, fomos direto para a casa de Luís, já estava tudo arrumado para a nossa estadia, so precisaríamos por os últimos detalhes em tudo. Depois de tudo arrumado começamos a aproveitar nossa estadia, inicialmente, dando um mergulho na piscina (e claro, o pessoal tomou umas), e o resto da tarde a gente aproveitou pela casa mesmo, e de noite fomos para algum bar na cidade, não voltamos muito tarde já que no dia seguinte começaria o festival e a gente queria ta com todas as energias para aproveitá-lo.
Chegou o dia seguinte e começamos a nossa maratona para o festival, de manhã ficamos zoando pela casa mesmo, a tarde a gente comprou todo o necessário para passar o festival e pelo fim da tarde fomos para o local, ficamos falando besteira por lá até os shows começarem, foram várias atrações e nos divertimos bastante em todas elas, mas eu quero destacar um certo momento daquele dia, que não foi durante nenhum dos shows, e sim no intervalo de um deles.
Tinha terminado um dos shows e a gente foi da uma volta pelo local, ver se encontrava algo de interessante, e durante isso Joey encontrou uns conhecidos dele ficou conversando com eles por um tempo, o resto também se juntou a ele, enquanto eu aproveitei para ir na barraquinha comprar algo pra mim.
Logo após ter comprado uma garrafa d'água pra mim eu resolvi andar um pouco pela área sozinha, avisei pros caras e assim fui. O que exatamente eu fui olhar? Eu sinceramente não sei, provavelmente foi só pra ver se eu encontrava algo de interessante ou até mesmo alguém conhecido, sei lá, simplesmente esperava algo. Até certo momento essas minhas expectativas pareciam que não iriam ser atendidas, mas ainda assim eu procurava por não sei o que.
Até que eu ouvi alguém me chamar:
- Brian?
Eu reconheci a voz num instante, e percebi que minhas expectativas tinham sido atendidas.
Olhei para trás, vi quem era que me chamou, e simplesmente não acreditava.
- Helo? - falei surpreso
Helo é uma garota que eu conheci a muito tempo nas redes sociais, ela mora em Arapiraca, no estado de Alagoas, ela vez ou outra vai pra Recife, mas sempre a gente não conseguia se encontrar, ela nunca conseguia me avisar que estava na cidade, e já fazia um tempo que nós dois estávamos sem esperanças de que isso acontecesse, mas pelo visto o destino é um cara que adora pregar peças na gente.
- Caramba, nem acredito! - falou ela
Na mesma hora ela me abraçou fortemente, e assim eu retribui, quando finalmente nos largamos, eu disse:
- Não sabia que você tava em Pernambuco.
- Eu não venho todo ano pra esse festival? - disse ela
- Eita, é mesmo... - falei - desculpe, tinha esquecido disso.
Ela riu e disse:
- Relaxa!
- Mas caramba, quem diria que a gente finalmente se encontrou, né? - falei
- Pois é, e simplesmente sem ninguém avisar nada.
- Mas então... - falei rindo - tais em Recife ou so por aqui em Garanhuns mesmo?
- Só por aqui mesmo.
- Fica até quando?
- Até o fim do festival, e você?
- Também, vim com uns amigos meus pra cá, e até o fim do festival a gente vai ta na casa de um deles.
- Que legal, a zoeira deve ta grande então, eu imagino.
- Então, ontem de noite mesmo dois dos caras já encheram a cara que meu Deus.
Ela riu daquilo.
- E você ta sozinha ou veio com os amigos?
- Vim com uns amigos, eles tão por ai e eu resolvi rodar um pouco a área.
- Ah, entendi!
Então a gente ficou um tempo sentado por lá colocando o papo em dia, já fazia um tempo que a gente não se falava, tínhamos muito o que conversar, isso até chegar mais ou menos perto da hora que o próximo show iria começar, liguei pra Joey perguntando onde eles estavam e ele disse que todos tinham se espalhado e que ele iria ficar com o pessoal que ele encontrou por um tempo, então decidi ver o show com a Helo e o pessoal dela mesmo, chegando por lá ela me apresentou a todos, eu os cumprimentei meio acanhado, mas pouco depois eu já estava enturmado, a galera era super gente boa.
Curtimos o resto dos shows daquele dia juntos, até a hora que acabou e cada um seguiu seu lado, mas a gente iria se ver novamente nos outros dias do festival, aliás, na tarde do dia seguinte eu fui comer um lanche com ela na cidade, e claro, conversar mais um pouco. A gente se encontrou em todos os dias do festival e descontou todas as tentativas falidas de se encontrar anteriormente.
No último dia do festival, logo após a última atração, ela me deu outro abraço forte, sendo que dessa mais longo, e eu certamente retribui.
- Vou sentir saudades! - disse ela
- Também vou! - falei
Depois nos soltamos e ela disse:
- Adorei o festival, e você?
- Também, alias, foi melhor do que eu achava que seria...
Ela riu
Ficamos uns segundos calados, até que eu disse:
- Tenta aparecer mais por Recife um dia desses.
- Tentarei... - disse ela - mas também bem que podia da um pulo em Arapiraca, né?
- Um dia, quem sabe.
Rimos de novo e assim nos despedirmos.
- Brian, espera! - falou Helo
- Oi? - falei
- Esqueci de te falar...
- O que?
Ela respirou fundo, e disse:
- Esse ano vou tentar uma vaga no curso de enfermagem da UFPE pelo SISU.
- Sério?
- Sim! - disse ela sorrindo - e se eu passar, certamente, me mudarei pra Recife.
Fiquei calado por alguns segundo, e disse
- Bom, fique sabendo que eu torcerei bastante por você, então.
- Obrigada! - agradeceu ela
Lhe dei um grande sorriso e assim nos despedirmos de novo.
E depois de uma ótima semana em Garanhuns e no festival, fui com os caras para a casa do meu amigo, teríamos que descansar bastante já que no dia seguinte iria ser a maratona da volta pra casa.


Brian

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Sentimentos

Era mais uma véspera de feriado chuvoso, e aquele tinha sido um dos dias em que eu largava mais cedo da faculdade (apesar de que muitos faltaram por causa do feriado), eu já tinha terminado as minhas tarefas e então eu fui para o computador.
Ao liga-lo, primeiramente chequei meu e-mail na esperança de que a empresa em que mandei meu currículo para disputa uma vaga de estágio tenham me respondido, mas não haviam mandado nada ainda. Então coloquei minhas músicas para tocar e “loguei” nas minhas redes sociais, logo em seguida eu vi que a minha amiga, Lorena, estava online.
Lorena é uma amiga minha que mora em São Paulo, ela tem 17 anos, eu a conheci em um grupo do Facebook sobre música, e desde então a gente tem sido bons amigos, podemos dizer que eu confio muito mais nela do que em um monte de gente que eu conheço pessoalmente, da mesma forma em que ela confia muito mais em mim do que em um monte de gente que ela conhece pessoalmente.
Vendo que ela estava online eu fui falar com ela, ficamos jogando conversa fora por alguns minutos, colocando os assuntos em dia. Pouco depois peguei meu violão e comecei a praticar algumas músicas na frente do computador, então aproveitei pra pedir a Lorena algumas dicas para eu conseguir tocar a música que eu estava aprendendo melhor, foi então que a gente iniciou uma chamada de vídeo pra assim ela conseguisse me mostrar melhor às dicas.
Ficamos um bom tempo falando sobre a música em questão e eu tirando algumas dúvidas com ela sobre como tocar alguns acordes cujos eu considerava bem complicados. Papo vai, papo vem, depois de vários acordes tocados a gente largou um pouco nossos violões e voltamos a jogar conversa fora, até que chegou um momento em que eu falei:
- Ei, Lorena!
- Oi, Brian! – disse ela
- Se eu te perguntar uma coisa, você me responde sinceramente?
- Claro!
Respirei fundo, e disse:
- Para você, quando a pessoa sonha constantemente com uma pessoa em específico, o que isso significa?
Ela riu, e disse:
- Eu diria que a pessoa está gostando muito dela.
- Foi o que eu imaginei. – disse eu
- Mas, por que a pergunta? – perguntou Lorena – ocorreu contigo ultimamente?
Demorei um pouco pra responder, e disse:
- Sim!
- A pessoa em específico é quem eu to pensando?
- Exatamente, ela mesma!
Lorena sabia muito bem de quem eu estava falando.
- Own, que bonitinho! – disse ela
Eu ri quando ela disse isso
- Com que frequência isso ocorreu?
- Podemos dizer que foram 3 vezes só essa semana. – respondi
- Caramba, a coisa é séria mesmo pelo visto. – falou ela – e como é os sonhos, exatamente?
- Tipo, nada de extraordinário, só a gente conversando do jeito que a gente sempre faz, sabe?
- Sei!
- Mas, sério, isso prova o quanto eu fico pensando nela, eu fico o tempo todo querendo ficar perto dela, e quando ela não está eu praticamente me remoendo de saudades!
Lorena riu e disse:
- Sei muito bem como é isso.
- Parece até tolice às vezes.
- Paixão é uma coisa tola, uma pessoa apaixonada então, mais tola ainda.
- É, eu sei... – falei rindo
- Mas, você percebe algum sentimento do tipo vindo dela?
- Essa é a parte mais chata, eu pelo menos vejo que ela não me ver mais que um amigo, entende?
- Entendo, ai fica complicado!
- É o que eu percebo pelo menos, sabe que eu não sou muito bom em perceber esse tipo de coisa, né?
- Sei bem... – disse ela – mas vá com calma.
- É o que eu tenho feito até o momento.
- Já tentasse chama-la pra sair?
- Já pensei nisso, mas tipo, eu sei que pra que consiga sair só eu e ela ainda vai demorar muito.
- Mas mesmo que tenham outros, já é alguma coisa, você vai tá com ela de qualquer forma.
Pensei um pouco e disse:
- Faz sentido!
- Sei lá, arruma algum programa em algum fim de semana que inclua ela, e o que vier é lucro.
- Vou tentar pensar em algum... – disse eu – mas sério, as vezes eu penso em falar do que sinto pra ela, mas sempre acho uma má ideia.
- Nisso eu concordo com você... – disse Lorena – espere um pouco, na hora certa você fala isso.
- Mas a questão é, quando será a hora certa?
- Quando ela chegar, você saberá.
Eu realmente não ia conseguir uma resposta direta para essa pergunta.
- Mas o mais importante de tudo... – continuou Lorena – não se precipite.
Respirei fundo e disse:
- To ligado, não me posso dar ao luxo de estragar tudo logo de cara.
Lorena sorriu, e eu retribuí o sorriso.
- Obrigado por me ouvir, Lorena.
- Que nada, Brian, você sabe que sempre que precisar você pode contar comigo.
Sorri de novo e disse:
- Sei sim.
Conversamos mais um pouco até a hora em que Lorena foi dormir, eu fiquei acordado por um bom tempo falando com outras pessoas na internet, e um pouco antes de ir dormir, eu abri o perfil “dela” e fiquei pensando em tudo que eu estava sentindo, e assim a saudade batia mais forte.



Brian

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Mais um conto de dia dos namorados

Era mais um 12 de junho, mais um dia dos namorados chegava, dia esse em que os casais saiam junto para celebrar o seu amor e para trocar presentes, o que na verdade era só mais uma data comercial e que na prática não faz diferença nenhuma, é só uma desculpa para as pessoas comprarem presentes uma para as outras, o que não vem ao caso.
Nesse dia, mais uma vez, eu estava em casa fazendo absolutamente nada, ainda sofria com a inércia que tava as minhas férias. Mais uma vez eu me encontrava em frente ao meu computador olhando as redes sociais e ouvindo música, e vez ou outra dedilhando algo no violão, ou seja, tudo indicava que seria só mais um dia entendiante, até que meu celular tocou.
- Alô? - atendi
- Brian?
- Fala Joey!
- Como tais?
- Bem e tu?
- Bem, também... - falou Joey - ei velho, tais em casa?
- To sim, por que?
- Posso passar por ai? Queria falar uma coisa contigo em particular....
- Claro, pode vim!
Uns 15 minutos depois Joey chegou na minha casa, desci para falar com ele e logo em seguida subimos para a área da piscina para assim podermos conversar com mais tranquilidade. Chegando lá, nos sentamos e começamos a falar de coisas aleatórias, mantendo um pouco o papo em dia, até que eu falei:
- Bom, você disse que tinha algo pra falar comigo em particular, o que é exatamente?
- Ah, bem lembrado... - falou Joey
- Fale-me, então... - falei
- Primeiramente, você ta lembrado de Joyce, né?
- A menina da tua faculdade que você ficou numa festa?
- Essa mesma!
- Sim, continue...
- Bom, acontece que eu ainda não te contei a história completa sobre ela.
- Conte-me agora, então.
Joey respirou fundo, e falou:
- Cara, digamos que a coisa não ficou só por aquela festa.
- Humm... - falei
- Tipo, o fato é que, desde antes da festa eu sempre a olhei de uma forma diferente...
- Como assim?
- Tipo, diferente das outras meninas que eu normalmente fico, sabe?
- Explique mais!
- Tipo, não é só atração, eu gosto muito de estar com ela, entende?
- Entendo!
- Faz tempo que eu não me sinto dessa forma, pra tu ver, depois que a gente ficou nós praticamente não nos desgrudamos mais, estamos realmente parecendo um casal.
- E vocês ficaram mais alguma vez depois daquela festa?
- Sim, bastante até... - afirmou ele - mas cara, a questão é a seguinte....
Ele ficou uns segundos calados provavelmente escolhendo as palavras certas para me falar.
- A questão é...? - falei
Joey suspirou, e disse:
- To apaixonado!
Eu quase caí de costas quando ele falou isso, ver Joey apaixonado não era uma coisa muito comum, fato que só acontecia praticamente uma vez a cada 10 anos.
- Pera aí, cara... - falei pondo a mão em sua testa - tais bem mesmo? Tais com febre ou coisa assim?
- Sei bem o que você ta pensando agora, vá por mim, foi difícil pra eu acreditar também...
- Quem diria que eu viveria o suficiente para presenciar esse momento histórico?
- Ah, cara, que exagero. - falou ele rindo
- Mas é sério... - falei - tu não foi sempre o cara que nunca se apegava?
- Pois é... - respondeu ele - como você pode ver, pra tudo há uma primeira vez.
- Mas sério, antes dessa, tu já tinha se apaixonado alguma vez?
- Eu estaria mentindo se eu dissesse que não, mas realmente foram poucas vezes e a última faz tempo.
- Quanto tempo mais ou menos?
- Uns 10 anos.
- Nossa... - falei - mas sim, conte-me mais!
- Cara, e que simplesmente, é que quando estou perto dela eu simplesmente me sinto o cara mais feliz do mundo, sabe?
- Sei muito bem como é essa sensação. - falei
- E minha maior vontade é falar tudo isso que eu sinto para ela.
 - Você acha que ela sente o mesmo por você?
- Bom, ao meu ver ela também parece gostar bastante de mim, e eu não sou o único que acha isso, muitos já me falaram, mas ainda assim fico com medo de estar errado.
- Nossa, velho, quem é você e o que fez com Joey?
- Que foi?
- Outra coisa que eu nunca vi é você inseguro em relação a alguma garota.
- Pra você ver o que ela causa em mim.
Eu ri por dentro.
- Mas então... - falei - a mais ou menos quanto tempo vocês estão nisso?
- Quase dois meses. - respondeu ele
- Bastante tempo, até...
- Então você acha que já da pra eu falar pra ela o que eu sinto?
- Cara, só se você estiver se sentindo seguro em relação a isso.
- É que eu to pensando em falar isso para ela hoje.
- Sério?
- Sim, dia dos namorados hoje, teria ocasião melhor?
- Realmente...
- Isso sem falar que daqui a pouco eu vou ver ela.
- Pera, vocês vão sair juntos hoje?
- Sim!
- Realmente, não tem ocasião melhor, isso sem falar que se ela aceitou sair contigo no dia dos namorados nessas circunstâncias todas que você disse deve ser porque ela deve sentir o mesmo por você.
- Foi o que eu pensei!
Pensei por um instante, e disse:
- Vá na fé, velho, fale pra ela hoje.
- Tem certeza?
- Claro, eu que sou eu arriscaria. - falei - isso sem falar que na pior da hipóteses se caso ela diga "não" eu sei que você não vai ficar choramingando por isso, né? Porque pelo amor de Deus, eu nunca te vi choramingar porque uma garota te deu um não e tu não vai começar a fazer isso agora, né?
- Claro que não... - falou ele rindo - mas eu ainda assim ficaria triste.
- Eu imagino!
Ficamos calados por alguns instantes, até Joey falar:
- Vou arriscar então!
- Assim que se fala! - disse eu
- Bom, valeu pelas dicas, velho.
- Fico feliz em ter sido útil.
Ficamos lá em cima conversando por mais alguns minutos, e depois de umas meia hora Joey foi embora pra se encontrar com a garota.
Já de noite, eu estava mais uma vez no meu computador olhando as redes sociais, até que de repente algo me chamou a atenção. Joey tinha mudado o status de relacionamento dele, agora ele estava em um relacionamento sério com Joyce, "Quem diria que Joey finalmente foi fisgado?"pensei na hora. Comentei na publicação desejando felicidades para o novo casal, pouco depois Thiago e Andreza também deram seus votos de felicidades.
Fiquei satisfeito em ver mais uma história de amor de um amigo meu ter dado certo, mas pouco depois eu comecei a lembrar do meu caso que ainda estava muito longe de ser resolvido, pensei nela por alguns instantes e voltei a ter saudades, tava tendo a mesma vontade que Joey tinha tido de falar tudo aquilo que eu sentia, mas meu caso era mais complicado e seria muito precipitado da minha parte.
"É Brian, você consegue ajudar os outros nos casos amorosos deles, mas não consegue se ajudar pra resolver o seu próprio." pensei.


Brian

terça-feira, 10 de junho de 2014

Uma sensação estranha

Finalmente eu estava de férias da faculdade, aquele tinha sido um semestre sofrido, mas felizmente eu consegui sobreviver, e a tendência é que o próximo seja tão puxado quanto, então eu queria aproveitar bem os dois meses de férias que eu teria pela frente.
Bom, mas já se passaram 1 semana desde que entrei de férias e a impressão era de que eu não estava aproveitando porra nenhuma, o tédio tomava conta de mim e até o momento eu não tinha feito nada de demais, e pra piorar, naquele dia eu estava completamente pra baixo. Eu simplesmente não estava muito feliz, então juntava esse sentimento com o tédio mortal que eu me encontrava no momento só piorava tudo.
Eram umas 13:00, e pra variar eu estava sentado na frente do computador fazendo absolutamente nada de interessante, enquanto isso eu escutava minhas playlist de músicas tristes/românticas e pensava naquilo que estava realmente me incomodando, era uma sensação que eu estava tendo já fazia alguns dias, mas naquele estava mais forte, podia ser só o tedio, mas eu sabia que não era só isso, era algo a mais, algo que simplesmente não parava de martelar a minha cabeça, uma sensação que não importava o que eu fizesse, ela simplesmente não iria me deixar em paz.
O que eu mais queria naquele momento era conversar com alguém sobre isso, mas não podia ser qualquer um, tinha que ser alguém de confiança, mas até nisso eu estava frustrado naquele momento. Isso porque todas as pessoas que eu considero de confiança não estavam disponíveis naquela hora, Joey estava viajando, Thiago estava em semana de prova e cheio de coisa para estudar e Andreza estava em aula, isso me deixou mais pra baixo do que eu já estava isso porque o assunto que eu queria falar era algo que apenas um deles três poderiam me auxiliar.
Eu não via outra saída que não fosse realmente continuar lá sentado pensando nisso e ouvindo a minha playlist, então aproveitei pra tentar tocar algumas dessas músicas no violão. E então aquele foi mais um dos meus momentos reflexivos com o meu violão, em que eu tocava e pensava profundamente naquilo que me incomodava. Eu queria por aquilo pra fora de alguma forma, queria falar com alguém sobre isso, essa sensação me matava aos poucos por dentro.
Foi então que me veio em mente falar com Júlia, aliás, eu confio bastante nela e isso sem falar que ela mora no aqui no prédio, o que tornava as coisas muito mais simples. Mas primeiramente eu precisava confirmar se ela estava em casa, então lhe mandei um sms.
“Júlia?”
Esperei por alguns minutos até ela me mandar uma resposta.
“Oi Brian!”
“Oi =)” Mandei de volta
“Tudo bem contigo?” Perguntou ela
“Mais ou menos, e contigo?”
“To bem sim” Disse ela, e logo em seguida mandou:
“Mais ou menos por quê? Aconteceu algo?”
“É só umas coisas que tem me incomodado” Falei
“Algo que você queira falar?”
“Na verdade sim, mas preferiria que fosse pessoalmente, tais em casa?”
“To sim!”
“Muito ocupada?”
“Nem estou, na verdade!”
“Então você pode me encontrar na área da piscina agora?”
“Claro, já estou indo pra lá”
“Beleza então, te encontro lá”
Troquei de roupa rapidamente e fui direto para lá.
Chegando lá ela não demorou muito pra aparecer, ela chegou lá apenas 3 minutos depois de mim, nos cumprimentamos de novo e nos abraçamos, logo após nos sentamos e Júlia disse:
- Bom, pode me falar agora o que aconteceu, o que está se passando contigo?
Respirei e fundo e falei
- Primeiramente, obrigado por vim aqui me escutar.
- Que isso Brian... – falou ela – trabalho nenhum pra mim.
- É que, sabe aquelas horas que você quer conversar sobre uma coisa que não pode ser falada com qualquer um, mas as pessoas as quais você pode falar sobre isso não estão disponíveis?
- Sei mais ou menos... – disse ela – é o seu caso agora?
- Mais ou menos. – disse eu
- E você está com raiva dessas pessoas por isso?
- Não, não, muito longe disso... – falei – eu não os culpo por isso, eu sei que não é culpa deles, eu sou bem compreensivo em relação a isso, eu sei que eles não ficam felizes com isso, e tão pouco vou exigir que eles parem tudo que eles estão fazendo para me dar atenção , só que... sei lá, é frustrante da mesma forma, entende?
- Entendo, mas é isso mesmo que você ta dizendo, você não pode exigir isso deles, e você sabe que se eles pudessem eles iriam te ouvir, e eu sei que a última coisa que você quer é atrapalha-los nas obrigações deles.
- Exatamente! – falei
- Mas, eu sei que você não me chamou aqui para falar só disso, eu sei que tem algo a mais te incomodando.
- Você me conhece bem mesmo, hein?
- 3 anos de convivência já dizem tudo! – falou ela rindo
Eu também ri um pouco.
- Bom, então falarei o real motivo de eu ter te chamado aqui. – disse eu
- Fale-me! – disse Júlia
- É por causa de uma sensação forte que eu estou tendo, já faz alguns dias mas hoje está muito mais forte, e por mais que eu tente ela não para de martelar minha cabeça.
Júlia ouviu atentamente, e depois disse:
- Essa sensação tem nome?
- Tem sim... – disse eu
- E qual é?
Respirei fundo, esperei alguns segundos, e disse:
- Saudade!
- Own... – disse ela me abraçando – essa saudade é de alguém em específico?
Respirei fundo, e falei:
- Bem, acho que ta na hora de te falar uma coisa a qual eu contei para poucos, e como eu sei que posso confiar em você eu também lhe contarei.
- Estou ouvindo.
- Bom, sabe aquela vez que você me perguntou se eu estava interessado em alguém?
- Sim...
- Eu menti dizendo que não.
Júlia pareceu surpresa na hora, e disse:
- Seu mentiroso maldito... – disse ela rindo – agora você vai me contar tudo sobre essa pessoa!
- Claro, claro... – disse eu – sente-se, porque a história é longa.
E assim passei um com tempo com Júlia contato todos os detalhes daquela história e da pessoa em questão...



Brian