terça-feira, 18 de agosto de 2015

Uma luta interna

E finalmente chegamos a uma marca importante no blog, a postagem de número 100. Quero agradecer a todos aqueles que acompanham o blog ao longo desse período, são vocês quem me motivam a continuar a escrever, muito obrigado e uma boa leitura =)
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Era uma normal noite em que eu estava quieto no meu quarto refletindo sobre as coisas, definitivamente aquela parecia ser a coisa mais interessante a se fazer naquela hora, nada mais parecia me entreter, sei lá, já estava ficando saciado daquilo tudo, mas enfim, esse não é o ponto.
Lá estava eu deitado na cama ouvindo música no meu ipod, eram mais ou menos nove e pouca da noite, o dia tinha sido cansativo e a única coisa que queria naquele momento era relaxar um pouco, tanto que eu estava do jeito que estava. E claro, é nesses momentos que milhões de coisas se passam pela minha cabeça, algumas boas, outras ruins, e algumas meio sem sentido, acho que podemos dizer que eu tinha um "momento comigo mesmo".
Mas como eu disse, além dos pensamentos bons, vinham também os ruins, e eram esses os que me incomodavam, porque nessas horas todos os pensamentos ruins apareciam ao mesmo tempos, e boa parte deles me deixavam grilado pra caramba, principalmente porque muitos desses se refletiam do quanto eu era pessimista em relação a um monte de coisas.
E isso era o que tinha me incomodado ultimamente, o meu pessimismo extremo, isso porque tenho percebido que o mesmo começou a virar um problema na minha vida. Eu me privava de fazer muitas coisas por causa desse pessimismo, coisas que poderiam ter dadas certo se eu tivesse tentado.
E eu ficava remoendo isso tudo, basicamente me torturava por isso, mas enfim, aquilo me fazia pensar em muitas atitudes da minha vida, o como precisava mudar aquilo, e logo.
O quanto mais eu relaxava, mais o sono vinha, tanto que após meia hora já não conseguia manter mais meus olhos abertos, apesar que tentei lutar um pouco contra isso, aliás, eu odiava ir dormir cedo, não eram nem dez e meia da noite ainda, mas não tinha jeito, o sono veio forte, ou seja, não demorou muito para eu simplesmente apagar.
Quando de repente, me encontrava em um local escuro com apenas uma luz central não muito forte, luz essa que iluminava um ringue de luta logo a minha frente, e eu estava sentado em algum tipo de arquibancada, só havia eu ali e o ringue estava vazio.
Até que...
- Olá Brian! - falou alguém tocando em meu ombro.
Me assustei na hora, mas quando olhei, vi que era apenas a minha consciência, e aquilo era apenas um sonho, mais uma vez.
- Calma, não se assuste.
- Um simples aviso não faz mal de vez em quando. - falei
- Desculpe por isso. - falou ele se sentando ao meu lado.
Foi quando eu percebi que ele tinha um saco de pipoca e uma garrafa de refrigerante em suas mãos, estranhei, mas não dei muito importância também.
- Você gosta de lutas? - perguntou minha consciência
- Mais ou menos... - respondi
- Bom, então se prepare, porque veremos uma bem interessante. - falou ele comendo um pouco da pipoca. - quer um pouco? - me ofereceu
- Não, obrigado!
- Ok então.
E assim, simplesmente do nada, apareceram duas pessoas no ringue com trajes de boxeadores, como se as duas tivessem surgido das sombras, foi quando reparei que essas duas pessoas que estavam lá eram eu, ou algum subconsciente meu que tomaram a minha forma, pra variar.
- Ok, você vai me dar alguma explicação sobre isso? - perguntei
- Achei que nunca fosse perguntar.
Os dois pareciam estar concentrados para a luta, faziam seu último aquecimento, estudavam suas últimas táticas, preparavam suas luvas e aguardavam atentamente pelo soar do gongo, até que minha consciência finalmente começou a falar:
- Do lado direito, com luvas azuis, temos a representação do seu otimismo, e do seu lado esquerdo, com luvas vermelhas, a representação do seu pessimismo.
Olhei atentamente para os dois, o otimismo aparentava um pouco de insegurança quando olhava para o pessimismo, enquanto o outro parecia completamente seguro de si.
- Isso é tudo que tem a me dizer? - questionei
- Quer o que, os pesos também? - falou minha consciência - São seus subconscientes, isso é irrelevante, e outra, quando a luta começar te darei mais explicações detalhadas.
Ainda não me dava por satisfeito, mas aceitar era a única coisa que eu podia fazer naquele momento, enquanto isso a minha consciência se deliciava com o seu lanche, e por alguma razão aquilo me irritava.
Voltei a olhar pro ringue, e dessa vez os dois pareciam estar já preparados para o início do combate.
- Vai começar... - falou minha consciência.
Os dois se encontravam nos seus respectivos lados do ringue e com as guardas levantadas, achei estranho que não havia nenhum árbitro com eles para coordenar a luta, mas relevei porque afinal de contas, aquilo era um sonho, as coisas não precisavam fazer sentido.
Quando de repente um gongo vindo de lugar nenhum finalmente soou, e o combate foi iniciado.
Eu e minha consciência ficamos calados apenas observando o início da luta, os dois adversários começaram apenas estudando o movimento um dos outros, mas ainda sem se atacarem, o otimismo ainda parecia inseguro, ele queria dar a primeira investida, mas não sabia se o que ele tentaria daria certo, ainda procurava a melhor opção de ataque. Enquanto isso, o pessimismo não perdeu tempo e deu o primeiro soco pegando o otimismo de surpresa, ele cambaleou um pouco mas conseguiu se manter de pé ainda com a guarda levantada, sendo que pouco depois o pessimismo deu mais uma investida que quase colocou o otimismo no chão novamente.
Dali pra frente a luta se resumiu basicamente nisso, com o otimismo tendo que se defender bem mais do que atacar, eram poucas as investidas vindo dele, e todas não eram bem efetivas, o pessimismo sempre tinha uma resposta que o deixava desorientado.
O pobre do otimismo só fazia apanhar, enquanto o pessimismo dominava a luta sem sofrer muitos arranhões. Houve momentos em que o otimismo chegou a cair, mas pouco depois se pôs de pé de novo e continuou a lutar.
Já estava ficando cansativo ver aquilo tudo sem a minha consciência me dar nenhum tipo de explicação.
- Acho que já passou da hora de você me falar alguma coisa... - falei
- Ah, desculpe, estava aproveitando um pouco a luta. - falou ele
- Luta? Isso ta mais pra um massacre, o otimismo só faz apanhar.
- E irei lhe explicar agora o porquê.
E enquanto isso, o pobre do otimismo ainda não conseguia dar as investidas certas no pessimismo.
- Vou primeiramente falar das características específicas de cada lutador... - disse minha consciência - começando com o otimismo...
Fiquei o ouvindo atentamente.
- Ele é um cara legal, eu converso constantemente com ele, sempre ver o lado bom de tudo e é gentil com todos, mas o defeito dele é simplesmente pensar demais, coisa que você já deve ter percebido durante essa luta.
Isso realmente era perceptível.
- Ele perde muito tempo estudando o adversário e decidindo qual ataque seria mais efetivo, e isso sem falar que fica toda hora mudando de ideia e perdendo cada vez mais oportunidades, principalmente porque toda vez ele pensa na probabilidade desse ataque acabar não sendo tão efetivo como esperava.
Eu conhecia muito bem aquela conversa.
- E certamente, ele paga por isso, como você pode ver bem.
Então minha consciência continuou:
- Enquanto o pessimismo, esse não perde tempo, ele simplesmente faz sem nem pensar muito, e claro, sempre acaba pegando o otimismo despreparado, já que o pobre coitado sempre está "analisando a situação" e não se liga nas investidas do pessimismo.
E enquanto isso no ringue, o otimismo continuava tomando um couro.
- Por isso o pessimismo acaba dominando todas as lutas, ele dar os ataques que lhe vem a mente e deixa o otimismo sem reação, e claro, se aproveita disso para descer a porrada nele.
- E por que o otimismo não reage? - perguntei
- Me pergunto a mesma coisa, e olha que eu sei que ele tem capacidade para isso. - falou minha consciência - aliás, se ele usasse pelo menos metade dos ataques que lhe vem a cabeça, conseguiria lutar de igual pra igual, e quem sabe até vencer pelo menos uma vez.
E no ringue, o otimismo parecia não aguentar mais as investidas recebidas.
- E sinceramente... - continuou minha consciência - adoraria que um dia ele descesse o cacete no pessimismo, porque sério, que cara chato da porra, se acha muito.
Enquanto isso não ocorria, ele era quem levava porrada no ringue, não faltava muito pro pobre otimismo ser nocauteado.
- Imagino que você já está entendendo o significado disso tudo, né?
- Sim! - respondi
- O otimismo pode ficar mais forte, mas isso depende apenas de você, continue do jeito que está que o pessimismo sempre terá o domínio da situação.
- Eu tento, eu juro que eu tento.
- Pois pare de tentar, e agora faça dar certo, porque assim você não irá a lugar nenhum.
No ringue, após receber um forte cruzado no rosto, o otimismo finalmente foi ao chão sendo finalmente nocauteado, fazendo com que o pessimismo vencesse mais uma luta. O gongo soou vindo de lugar nenhum mais uma vez, e ao encerrar o combate o pessimismo começou a urrar em comemoração.
- Pronto, agora terei que aguentar esse mala enchendo o saco por mais um tempo. - lamentou minha consciência.
- Desculpa por isso. - respondi
- Eu não quero suas desculpas, e sim que você comece a tomar atitudes.
"Também é o que eu quero" pensei
Minha consciência pôs seu lanche ao seu lado, olhou para mim e disse:
- Você poderia ter conquistado tantas coisas na sua vida se não fosse tão inseguro de si, sabia?
Confirmei com a cabeça.
- Você não fica pensando nisso? - era uma pergunta retórica - Eu sei que fica.
E ele estava certo, pra variar.
- Enfim, a luta já acabou assim como a nossa conversa, e lembre-se, pense menos e comece a agir mais, de vez em quando não dói, vá por mim.
E antes que pudesse dizer qualquer coisa, tudo começou a tremer ao meu redor, eu estava prestes a acordar.
Quando acordei eram sete e quinze da manhã, me levantei ao som dos miados de Riddle pedindo comida, e assim não perdi tempo, e claro, pelo resto do dia fiquei refletindo sobre aquele sonho maluco.


Brian

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Uma noite de insônia extrema

Minhas aulas finalmente voltaram, e voltaram jogando uma bela bomba em minhas mãos, ainda naquela semana eu já teria que apresentar um trabalho sobre um projeto de pesquisa que foi iniciado no semestre anterior, o que foi uma ótima notícia (só que não) para mim e para meu grupo, as aulas mal começaram e a gente já teria que trabalhar duro, mas enfim.
Apesar que o que foi pedido não era nenhum bicho de sete cabeças, iriamos apenas retomar tudo aquilo que já foi pesquisado e explicar como vamos proceder nos estudos desse semestre, mas de uma forma ou de outra teríamos que nos virar nos trinta, já que tínhamos apenas dois dias para armar isso tudo. 
Sendo que, pra variar, eu deixei as coisas pra última hora, e pior de tudo é que eu sabia que iria me arrepender disso, dito e feito. Chegou na noite anterior a apresentação e eu ainda não tinha começado nem sequer o esboço do slide que utilizaríamos, certamente que teve que ser tudo na base do corre-corre, e ainda bem que eu sabia bem o que eu iria falar na hora, porque senão estaria ainda mais fodido.
Assim que cheguei da faculdade, tomei um banho rápido, comi tão rápido quanto e fui para o computador já pra começar a fazer isso. Resumindo tudo em ligeiras palavras, foi uma noite cansativa tanto para mim quanto para o meu grupo.
Eram quase meia-noite quando o único detalhe que faltava para o trabalho estar concluído era o slide, coisa que meu amigo, Luís, estava fazendo. Quando eu perguntei quando ficarei pronto, ele disse que seria em questão de instantes, e que quando tivesse concluído me mandaria o slide.
E assim fiquei aguardando, enquanto esperava eu fiquei fazendo minhas coisas no computador, vendo vídeos, ouvindo música, enfim. Passaram-se uns vinte minutos e nada do slide ficar pronto, mas mesmo assim não estava impaciente, por incrível que pareça, foi quando decidi me deitar um pouco, certamente eu estava cansado pra cacete.
Fiquei um pouco com as pernas para o ar pensando na vida, já com o celular do meu lado pra se caso meu amigo fosse me avisar qualquer novidade sobre o slide, mas do jeito que eu estava cansado, certamente não demorou muito para eu acabar cochilando...
Mais ou menos uma hora e meia depois, eu acordei com o toque do meu celular, era uma mensagem de luís avisando que finalmente o maldito slide estava pronto e que ele já iria me manda-lo por email, o que era um alívio para mim. Mas antes de fazer qualquer coisa, fui checar a hora, era uma e quinze da manhã.
Depois de checar isso, fui olhar como o slide estava, abri meu email, e lá estava ele, quando o chequei, achei apenas alguns detalhes para serem ajeitados e os avisei para Luís, rapidamente ele ajeitou. O processo todo levou uns quinze minutos se não me engano, quando Luís me mandou o slide de volta, chequei ele novamente e dessa vez estava tudo ok, finalmente podíamos ir dormir.
Mas foi ai que cometi um erro, que foi ainda ficar fazendo algumas besteiras no computador invés de ir para a cama logo, e por que foi um erro? Vocês entenderão já já...
Fiquei vendo alguns vídeos no computador, até que deu uma e quarenta da manhã e eu finalmente fui me deitar pra agora dormir de vez. Naquela altura do campeonato tudo parecia bem, mas apenas parecia, porque bastou eu me deitar na cama para uma grande pertubação começar a me incomodar. Mas vamos em partes, invés de eu ir direto ao ponto, vou explicar o passo a passo da merda toda.
O que parecia que ia ser apenas uma boa noite de sono se tornou na verdade uma puta dor de cabeça para mim, eu me deitei uma e quarenta da manhã e fechei os olhos esperando o sono vim (como de costume, certamente), sendo que o problema foi exatamente esse, ele não veio.
Depois de uns quarenta minutos me revirando na cama que isso começou a me incomodar, àquela altura já era pro sono ter vindo, mas claro, no início eu tentei não me importar muito com isso e continuei tentando dormir. Mas por mais que tentasse, eu não conseguia, e aos poucos comecei a ficar agoniado em relação a isso.
Eu fechava os olhos e tentava limpar a minha mente, mas sempre que tentava, vinham uma trezentas coisas na minha cabeça, algumas até mesmo sem sentido nenhum. Eu tentava relaxar, mas a cada minuto que passava que não conseguia pegar no sono eu ficava cada vez mais agoniado.
Enquanto isso, o celular carregava na tomada ao lado da minha cama, o peguei e vi a hora, eram duas e pouca da manhã, o que aumentava ainda mais a minha angustia por não conseguir dormir.
"Porra, o que ta havendo comigo?" me perguntei mentalmente.
Então me levantei um pouco, e procurei respirar fundo e lentamente, e da mesma forma procurei pensamentos que me tranquilizassem, por um lado eles vinham, e por outro, os mesmos iam embora poucos segundos depois, me angustiando ainda mais.
De minuto em minuto esse mesmo processo se repetia, e enquanto isso no relógio as horas pareciam passar vagarosamente, eu implorava para o sono vim, mas nada ainda.
Ai você pode até pensar: "Já que você não estava conseguindo dormir, por que não se levantasse e fosse fazer outra coisa pela casa?" Simples, porque independente da razão, minha mãe não ficaria nem um pouco feliz em me ver fora da cama àquela hora da noite (e sim, ela tem um sono bastante leve, perceberia que eu estaria andando pela casa) por isso o melhor que eu tinha pra fazer era ficar quietinho no meu quarto pelo menos fazendo de conta de que estava dormindo.
Claro, meu melhor companheiro naquela hora era o celular, olhava as coisas nele de minuto em minuto procurando algo de interessante pela internet, e certamente, naquela hora não se achava basicamente nada de bom, ou simplesmente nada de novo.
Eu até pensei em ficar brincando com Riddle naquele momento, mas eles estava lá na sua almofadinha no sono mais profundo possível, claro que eu não iria incomoda-lo, até mesmo porque ele odeia quando o acordam.
Ainda no celular eu procurei algum possível ser humano com quem pudesse jogar conversa fora até pegar no sono, claro, não havia ninguém, aliás, quem mais estaria acordado as três e pouca da manhã de um dia de semana? Apenas esse mero pobre coitado que não conseguia pegar no sono.
As horas passavam, e eu continuava a me revirar na cama, procurava o sono, mas não o encontrava, eram quase quatro horas da manhã e eu ainda não conseguia limpar a minha mente, foi então que decidi utilizar um artifício que de vez em quando dava certo, e que também era minha última opção para não ficar no ócio até o amanhecer do dia. Peguei meu Ipod e fiquei ouvindo música, e poderia ser que funcionasse, já que muitas vezes já adormeci ouvindo música com o fone, em alguns casos até mesmo ouvindo música pesada.
Tentei me focar apenas na música, procurei relaxar o máximo possível, naquele momento eu estava conseguindo limpar minha mente, e por um instante isso funcionou, consegui pegar no sono, mas infelizmente isso não durou muito.
Se não me engano eu apaguei apenas por vinte minutos, após isso eu despertei novamente sei lá porque, olhei o relógio naquele momento, e ele marcava quatro e meia da manhã, foi quando dei uma olhada de leve pela janela e vi já alguns feixes de luz solar iluminando o céu, tentei voltar a dormir, mas sem sucesso.
Minha mente voltou a ficar cheia de novo, e dessa vez eu não fiz muito esforço pra mudar isso, já tinha perdido as esperanças. A música ainda tocava em meu Ipod, sendo assim aproveitei o momento para refletir sobre o que estaria tirando meu sono, por um lado poderia ser esse maldito trabalho, mas a probabilidade maior para mim era o fato de eu ter cochilado enquanto esperava o slide ficar pronto e depois ter acordado e ficado no computador, eu deveria naquele momento, ter voltado a dormir após checar aquela porcaria.
Com certeza ter ficado no computador depois de ter concluído o trabalho foi um erro, tanto que eu disse isso lá para o início desse texto, mas enfim, agora era tarde demais para ficar chorando sobre o leite derramado.
Voltei a me concentrar na música, mas dessa vez não obtive o mesmo resultado, o sono parecia que ia não ia voltar mais dessa vez, e realmente me dei conta disso quando deu cinco da manhã e o sol já estava batendo na minha janela, nesse mesmo momento eu pensei:
"Agora que eu não consigo dormir mesmo!"
Então eu oficialmente desisti de tentar, mas mesmo assim continuei deitado na cama ouvindo música no meu Ipod, só era melhor eu me levantar da cama após que houvesse a certeza de que eu estaria sozinho em casa (para evitar comentários chatos do tipo "Por que acordasse agora?").
Poucos minutos depois, Riddle acordou, foi a hora em que eu tirei o fone de ouvido, o peguei e o coloquei na cama comigo, certamente ele estava com fome, mas como eu disse anteriormente, só era bom eu sair do quarto depois que tivesse certeza que só estaria eu em casa, Riddle teria que esperar um pouquinho.
Tentei brincar com ele, mas ele quando acordava não tinha disposição para nada, assim como eu próprio. Riddle também não era o único com fome, minha barriga roncava fortemente, e eu ainda estava com uma grande vontade de ir no banheiro.
Tivemos que esperar uma hora e meia até eu ouvir a porta da sala sendo fechada, foi quando tive certeza que todos tinham saído de casa, coloquei Riddle no chão e abri a porta, quando a fiz ele saiu do quarto rapidamente em direção a sua tigela de comida. Após ir no banheiro, eu a enchi e também fui comer alguma coisa, encerrando finalmente aquela noite angustiante que parecia não ter fim.
E minha lição foi aprendida, nessas horas de sono, apenas vá dormir sem nem ao menos pensar duas vezes.


Brian

terça-feira, 21 de julho de 2015

Algo completamente inesperado... - Parte 3/FINAL

Eu sabia que durante as férias Júlia costumava a acordar tarde pra cacete, então estava convicto de que só conseguiria falar com ela após o almoço, sendo assim, naquela manhã procurei nem me preocupar muito com isso e ocupar minha mente com alguma outra coisa. Então eu fiquei brincando com o Riddle pelo resto daquela manhã.
Quando deu próximo de meio-dia, Riddle já parecia um pouco cansado, foi quando percebi que era a hora de lhe dar um descanso, isso sem falar que a fome tinha batido, na hora eu estava sozinho em casa, tanto minha mãe quanto minha irmã estavam no trabalho, ou seja, eu teria que me virar pra fazer meu almoço.
Eu poderia ter assado uma carne, esquentado um arroz, umas verduras, ou coisa assim, mas a preguiça de mexer no fogão naquele dia estava enorme, então fui pelo simples e esquentei uma lasanha congelada no micro-ondas.
Enquanto comia, eu fiquei com o meu celular do meu lado apenas esperando um sinal de vida de Júlia, até que finalmente ela apareceu online, por pouco não lhe mandava uma mensagem logo de cara, mas achei melhor esperar um pouquinho, dar um tempinho para ver se ela não entraria em contato primeiro, e também pra não parecer aquele cara desesperado (pode parecer frescura minha, mas enfim, realmente não espero que entendam isso). Decidi que só tomaria alguma iniciativa em relação àquilo depois do almoço, mas ainda assim fiquei na expectativa que ela o fizesse logo, o que parecia que não iria ocorrer.
E claro, eu comecei a pensar no que raios estaria se passando na cabeça dela naquele momento, eu e minhas paranoias para variar, na minha mente havia todo tipo de explicação, e em boa parte delas acabava com Júlia não querendo olhar na minha cara nunca mais, como eu disse, paranoias minhas.
Depois que terminei de comer ainda fiquei mais um pouco nessa frescurinha de que se falava logo com ela ou não, de que se a esperava falar algo ou se tomava logo uma iniciativa, fiquei mais ou menos uns quinze minutos olhando o celular vez ou outra tentando decidir isso.
Até que eu decidi finalmente parar de frescura e simplesmente tomar a iniciativa, também decidi que não faria isso por mensagem e que ligaria pra ela antes de tudo.
Então sem hesitar, peguei o celular e liguei para ela,
Na primeira tentativa, o telefone chamou uma, duas, três, quatro... E nada dela atender, desliguei e esperei alguns minutos, me deitei no sofá da sala enquanto isso e fiquei olhando para o teto. Após cinco minutos eu dei minha segundo tentativa.
Liguei novamente e aguardei ela atender, e assim chamava, chamava, chamava...
- Alô?
- Júlia?
- Ah... oi Brian... - a voz dela soou um pouco insegura nesse momento
Na hora, eu não soube o que falar, fiquei meio sem graça, sei lá, a situação ainda era bastante constrangedora.
- Errr, tudo bem? - falei meio sem jeito
- Sim, estou... e você? - falou ela da mesma
- Também... eu acho...
E mais uma vez, ficamos alguns segundos calados esperando o outro falar alguma coisa, via-se claramente que o clima estava estranho entre nós, até que eu finalmente falei:
- Tas ocupada agora?
Depois de alguns segundos, ela respondeu:
- Err, não... por que?
Senti um pouco de receio na voz dela.
- É que... eu... errr... - simplesmente não sabia quais palavras usar, eu estava bastante nervoso, minha mão tremia pra caramba.
Foi quando aquela voz dentro de mim praticamente gritou também me dando um tapa na cabeça "DESEMBUCHA, PORRA!"
- A gente precisa conversa sobre o que aconteceu ontem.
Por um lado foi aliviante falar aquilo, mas também desesperador.
Depois de alguns segundos calada, Júlia respondeu:
- Ok, então... - ainda sentia o receio em sua voz. - quer que a gente se encontra lá em cima?
Eu ia dizer "sim", até que parei para pensar em um detalhe, que o melhor era eu não falasse com ela na área de lazer do prédio, e por que? Simples, porque lá é o local mais calmo do prédio, ou seja, iria ser a brecha perfeita para que ocorresse de novo, eu sei bem disso porque na época que a gente namorava, íamos direto para lá quando queríamos um tempinho sozinhos.
- Na verdade... - falei - posso falar contigo ai mesmo na sua casa?
Eu sabia que naquela hora teria gente na casa dela, o que já seria uma garantia de que nada aconteceria, teríamos menos privacidade, mas era o preço a se pagar.
- Tá, pode ser... - falou ela
- Não tem problema não, né?
- Não, claro que não. - não senti muita firmeza no tom de voz dela
- Ok então, apareço ai em cinco minutos.
- Ok!
- Até já!
- Até!
E assim eu me arrumei rapidamente, apenas fiz trocar de roupa de escovar os dentes, como de costume, dei um cafuné no Riddle e fui me encontrar com ela.
Cheguei na porta do apartamento de Júlia em exatos cinco minutos, hesitei um pouco em tocar a campainha, mas assim o fiz e aguardei alguém atender. Quando a porta se abriu, quem estava nela era a mãe de Júlia, Dona Selma.
- Oi Brian! - falou ela
- Olá Dona Selma. - falei um pouco sem graça
- Tudo bem com você? - disse ela me abraçando
- Sim, está, e com a senhora? - respondi retribuindo o abraço
- Tudo ótimo, graças a Deus.
- Que ótimo... - e logo após não hesitei em perguntar - Júlia ta ai?
- Ela ta se arrumando, mas já já aparece. - disse Dona Selma - mas entre, você pode esperar ela aqui no sofá.
- Ah, claro, obrigado.
E assim entrei e me acomodei no sofá.
- Quer alguma coisa? Uma água, qualquer coisa?
- Não, obrigado, não se preocupe com isso.
- Nem um pedaço de bolo?
- Agradeço, mas não precisa.
- Eu insisto.
Foi quando eu percebi que ela iria trazer de qualquer forma, então simplesmente aceitei. Era um bolo de cenoura com cobertura de chocolate, então o aproveitei bem, aliás, sempre adorei qualquer coisa com cobertura de chocolate, mas enfim, quando terminei fiz questão de levar o prato até a cozinha, apesar da mãe de Júlia ter insistido pra que eu a deixasse fazer isso.
Após isso, Dona Selma foi fazer suas coisas, e eu fiquei aguardando Júlia no sofá, pouco depois o gato dela passou, era um persa branco, tentei fazer um carinho nele, mas ele não parecia ser do tipo que gostava de socializar, me esnobou no mesmo instante.
- Brian? - Foi quando Júlia finalmente apareceu
- Oi Júlia.
Dessa vez mal nos cumprimentamos direito, sem abraço, sem aperto de mão, nem nenhum outro tipo de contato físico, ela apenas se sentou ao meu lado no sofá.
- E então... - falou ela sem graça
E eu estava da mesma forma, sem saber como começar aquilo, ficamos por um momento apenas sentados olhando para a cara de bobo do outro.
"Que bosta de clima, hein?" pensei.
Enquanto isso, o gato dela apareceu de novo, sendo que dessa vez pulou no colo de Júlia e lá ficou com ela lhe dando um cafuné, e acreditem, ele ficou me olhando com uma cara nem um pouco amigável, podem achar até que é doideira minha, mas eu juro que não é.
- Prefere falar num local com mais privacidade? - perguntou Júlia
- Sim, claro. - falei
- Então vamos pro escritório.
Júlia tirou o gato do colo e se levantou, ele não pareceu muito feliz com aquilo e foi andar pela casa. A segui até o escritório, que ficava exatamente ao lado do quarto dela, entramos lá e ela fechou a porta para garantir ainda mais que ninguém iria ouvir a nossa conversa, depois que nos sentamos, eu finalmente comecei a falar:
- Ok, vamos logo com isso então, não era pra ter acontecido aquilo com a gente ontem. - falei sem hesitar.
E também sem hesitar, Júlia falou:
- Concordo.
Fiquei até intrigado com a resposta dela.
- Me deixei levar pela emoção, não pensei direito, enfim, fui idiota.
- Não Júlia, o idiota fui eu que não impedi, acabei me deixando levar pela carência, foi errado o que eu fiz.
- Não precisa se culpar.
- Preciso sim, me senti mal por isso a noite toda.
Então Júlia pensou um pouco, e disse:
- Eu também.
Eu suspirei, e disse:
- Acho que no fim nós dois fomos idiotas.
- Concordo. - disse Júlia rindo.
Comecei a rir junto com ela, chegamos no ponto em que aquela situação toda era engraçada.
- Bom... - falei - fico feliz que a gente concorde nisso.
Júlia apenas sorriu.
- Enfim... - continuei - que isso não aconteça de novo, ok?
- Ok! - concordou Júlia ainda sorrindo.
Selamos esse "acordo" com um abraço de amigos, apesar que ainda havia um detalhe para ser ressaltado:
- Ei Júlia, me responde uma coisa.
- O que?
- Você chegou a comentar o que aconteceu pra alguém?
- Não, por que?
- Ótimo, vamos manter dessa forma, isso morre aqui entre a gente, pode ser?
Ela pareceu um pouco confusa, mas concordou.
- Ok, melhor que fique assim mesmo.
E de novo, sorrimos um para o outro e nos abraçamos novamente.
No fim, tudo acabou bem, depois de ter tudo aquilo acertado com Júlia, ainda fiquei um pouquinho por lá conversando com ela, até que depois de uns vinte minutos ela precisou sair com a mãe para resolver umas coisas, foi depois disso que eu voltei para casa tranquilo e com a consciência limpa.

Brian

terça-feira, 14 de julho de 2015

Algo completamente inesperado... - Parte 2

Depois de esperar alguns minutos lá em cima, eu finalmente desci para a minha casa, ainda bastante encucado, certamente, sei lá, ainda não acreditava no que tinha acabado de acontecer, aquilo tudo demorava para processar na minha mente, e como eu disse, por um lado eu tinha gostado e pelo outro tinha feito uma puta besteira, e eu estava ciente dos riscos, que não eram pequenos.
Quando cheguei em casa, comi alguma e coisa e fiquei no meu quarto, tentei me distrair com alguma coisa, mas certamente o ocorrido não saia da minha cabeça, e pra piorar, eu ficava de minuto em minuto olhando pro meu celular esperando que Júlia me mandasse alguma mensagem, claro, foi em vão.
E o pior era que eu queria mandar uma mensagem pra ela, mesmo sem saber o que dizer, sabia que seria uma má ideia, mas eu queria da mesma forma, porém, felizmente consegui me controlar, sendo que continuava a checar a porra do celular sem para, não apenas o celular mas também as redes sociais.
Ela estava online, mas mesmo assim não falava nada, não que eu esperasse que ela fosse falar algo, provavelmente ela ainda estava processando aquilo tudo também, provavelmente estava na mesma situação que a minha.
Talvez o melhor fosse realmente deixar aquilo quieto por enquanto, nenhum de nós dois sabíamos o que falar depois que aconteceu, a gente precisava pensar um pouco antes de tomar qualquer outra atitude, principalmente porque essa aconteceu sem nenhum dos dois pensar na merda que podia dar.
Até pensei em conversar sobre isso com alguém, conta o que aconteceu e ir atrás de aconselhamento, mas achei melhor deixar quieto por enquanto e esperar até o dia seguinte, que seria quando eu e Júlia provavelmente conversaríamos sobre isso.
Foi então que eu resolvi jogar alguma coisa no computador para esquecer um pouco isso, e felizmente por um instante funcionou, aproveitei também e deixei uma música tocando no meu celular para ajudar um pouco nisso também.
Fiquei umas cinco horas nisso (pode me chamar de viciado), até acabar cansando, então resolvi assistir alguns episódios das minhas séries, e assim fiquei por mais três horas. Até que quando deu meia-noite e meia, o sono começou a vim, eu já não conseguia mais acompanhar o que estava na tela do meu computador e cochilava por alguns segundos vez ou outra.
Então decidi que veria aquele episódio num outro dia quando eu estivesse com menos sono e fui dormir. Não demorou mais do que quinze minutos para eu pegar no sono.
Foi quando eu tive um sonho estranho, na verdade não tão estranho assim, e sim, marcante, vocês entenderão o porquê...
No sonho, eu estava na área de lazer do prédio, e claro, estava esperando Júlia, para que exatamente, eu não sei, talvez fosse para a gente ficar de novo ou para conversar sobre o ocorrido, mas só sei que eu estava esperando ela. Então, sendo assim, me sentei na borda da piscina, coloquei meus pés na água e fiquei aguardando.
Não demorou muito para eu ouvir uns passos chegando no local, e assim que os ouvi, me levantei e fiquei na expectativa, mas acabei tendo uma desagradável surpresa, não era Júlia que estava vindo.
- Olá, Brian! - falou minha consciência entrando no local
"Estou fodido." pensei
- Esperando alguém? - falou ele de novo
- Você, eu acho... - falei
- Não, você não estava me esperando, sua expressão facial diz tudo.
- Quem eu estaria esperando, então?
- Não sei... - falou ele - alguém, possivelmente, uma garota, para ser mais exato...
Sabia muito bem aonde ele queria chegar, mas o deixei falar.
- Acho que você deve saber quem é, ela começa com "JÚ" e termina com "LIA". - falou ele já cara a cara comigo naquele momento.
- Chegue no seu ponto logo. - falei
Minha consciência respirou fundo, e disse:
- Se é assim que deseja...
E quando dei por mim, minha consciência tinha acabado de me dar um soco no rosto.
- O QUE VOCÊ TINHA NA CABEÇA? - vociferou ele
Fiquei calado, sabia que qualquer coisa que eu falasse ele não iria engolir.
- RESPONDA! - gritou ele me dando outro soco.
Continuei calado por alguns segundos, e falei:
- Carência, possivelmente...
Não me senti bem respondendo aquilo, e claro, ele não engoliu aquela conversa e me deu outro soco.
- Você não sabe controlar seus instintos, por acaso? - falou minha consciência mais uma vez.
- É como dizem, a carne é fraca... - eu sabia que não iria dar certo eu falar aquilo
Dito e feito, mais um soco.
- Porra nenhuma, você que é fraco.
- Já ta bom de socos, né? - questionei
E claro, ele me deu mais um.
- Não, não está, NADA está bom nessa história!
- Ok, mas podemos conversar que nem pessoas civilizadas por um momento?
Pelo visto, finalmente o que eu falei fez algum efeito nele (o que raramente acontece), então ele afastou um pouco de mim.
- Você está ciente da merda que isso pode dar, né? - falou ele
- Claro que estou, só tenho pensado nisso pelo resto do dia.
- E na hora? PENSOU?
Simplesmente não falei nada.
- Pior de tudo, que na hora eu fiquei me esgoelando dizendo que era uma péssima ideia, e eu sei que você me ouviu, mas ainda assim o fez.
E eu continuava calado.
- Por que não impediu que isso acontecesse?
Demorei um pouco para falar, mas depois que vi a cara de sério que a minha consciência estava fazendo, achei melhor dizer alguma coisa:
- Sei lá... não quis desaponta-la, talvez.
- Mentira, você queria que acontecesse, por isso não tentou impedir.
Continuei o ouvindo.
- Aproveitou que ela estava emocionalmente "vulnerável" e agiu que nem os "playboyzinhos" filhos da puta agem, agora me diga, você tem orgulho disso?
Respirei fundo, e disse:
- Não.
- Fico feliz que você ainda tem essa consciência. - disse ele - e isso sem falar, se ela e o Roland voltarem, e ele descobre essa história, tu já imagina a confusão que pode dar, né?
- Sei sim. - falei baixo
- Pois é cara, vez ou outra é bom usar essa cabeça pra pensar.
Não falei mais nada porque eu merecia aquilo tudo.
- Mas agora é o seguinte... - falou ele praticamente me empurrando pra beirada da piscina - você vai consertar essa merda toda que você fez, você vai falar com Júlia amanhã na primeira oportunidade que tiver e vai garantir que isso não ocorra de novo, ta entendendo?
Eu apenas concordei com a cabeça tentando evitar que eu caísse na piscina.
- Pois bem, então não me decepcione de novo, porque se você o fizer, eu não largarei do seu pé tão fácil, e você sabe muito bem o quão chato eu consigo ser quando eu quero, né?
Mais uma vez concordei com a cabeça sem dizer nada.
- Ótimo, e uma última coisa... - nesse momento, ele me forçou a olhar nos seus olhos - próxima vez que eu avisar que algo não é uma boa ideia, trate de me obedecer! - falou ele irritado
Ele me olhou profundamente nos olhos com aquele olhar de irritação, e depois de alguns segundos, me jogou dentro da piscina. O momento que eu senti a água batendo em minhas costas foi o momento em que acordei.
Acordei assustado, aquilo tudo ainda me martelava, não só o que ocorreu comigo e com Júlia, mas também essa conversa que tive com a minha consciência, pouco depois eu olhei meu celular e certifiquei de que horas eram.
Era nove e quinze da manhã, o horário que eu costumava a acordar nessas férias, e ao lado da minha cama se via o pequeno Riddle me pedindo pra por a comida dele, aliás, foi a motivação que precisava para me levantar.
Após por a comida do Riddle e tomar o meu café da manhã, eu fiquei ligado tanto no celular quanto nas redes sociais esperando por um sinal de Júlia, ela provavelmente ainda estava dormindo, então sabia que iria demorar um pouco.
Aproveitei esse tempo para pensar no que dizer para ela, poderia ser uma conversa simples, ou não, era impossível prever a reação dela, mas eu realmente estava decidido a desfazer aquela merda toda.

(continua...)

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Algo completamente inesperado... - Parte 1

Se vocês acham que eu vou começar essa história dizendo que era mais um dia como outro qualquer, está muito engano, tenha certeza que aquele dia esteve muito longe de ser como um outro qualquer, e vocês entenderão o porquê já já.
Era meio dia e quinze de um domingo, eu tinha acabado de almoçar e ia tirar um rápido cochilo, e assim o fiz. Depois de uns rápidos quinze minutos de descanso, me levantei e fui fazer uma coisa que estava planejando a semana toda, adestrar o Riddle.
Minha mãe já estava ficando puta porque ele estava começando a mexer em coisas que não deve, como por exemplo, as sandálias dela (vez ou outra ele as mastigava), de vez em quando também ele estava arranhando alguma coisa pela casa, ou então bagunçando alguma estante baixa (ele estava crescendo rápido, mas ainda não conseguia pular coisas muito altas). Enfim, minha mãe não estava nem um pouco feliz com isso e por isso já era hora de eu ensinar ao pequeno Riddle onde ele pode e onde ele não pode mexer na casa.
Eu poderia ter o colocado naqueles negócios de adestramento de cães e gatos, mas eu resolvi que ia tentar fazer isso sozinho, até mesmo pra ter um contato maior com o Riddle, pra ele me respeitar mais, e certamente, me obedecer sempre que eu mandar ele fazer algo.
Não foi uma tarefa fácil, Riddle ainda se encontra numa fase da vida em que está cheio de energia pra gastar, ou seja, simplesmente não parava quieto. Eu tentava ensinar uma coisa para ele, mas sempre havia algo pra distraí-lo, isso sem falar nas horas que ele resolvia correr pela casa que nem um louco, enfim, certamente que eu não consegui adestrá-lo 100% apenas naquela tarde, isso é uma coisa que demorar semanas para ter sua total eficiência, o complicado para mim era apenas ter o controle sobre ele,
Mas enfim, acho que já me prolonguei demais nessa parte, e esse não é o ponto da história, onde eu quero chegar ocorreu um pouco depois disso. Era quatro da tarde quando eu finalmente decidi dar uma pausa no processo de adestramento de Riddle, aquilo tinha me cansado bastante, aliás, até o próprio Riddle parecia um pouco cansado.
Então fui pro meu quarto me deitar um pouco, Riddle me seguiu até lá e vendo o como ele também estava cansado eu o deixei ficar um pouco na minha cama. Para não ficar aquele silêncio profundo, coloquei uma música pra tocar no celular, e assim fiquei relaxando um pouco e fazendo carinho no meu gato que estava exatamente do meu lado.
Até que depois de alguns minutos, a música foi interrompida pelo estrondoso toque do meu celular, como esse mesmo também estava na minha cama, Riddle acabou se assustando e descendo da cama para se acomodar agora na sua almofadinha. Eu tinha acabado de receber uma mensagem da Júlia, então desliguei a música e a li com atenção, nela dizia:
"Brian? Tas em casa?"
E eu rapidamente respondi:
"Sim, estou."
"Tas ocupado?"
"Não, não, por que?"
"Então você pode me encontrar lá em cima em quinze minutos?"
Ela parecia preocupada.
"Claro, aconteceu algo?"
"Sim, aconteceu o inferno."
Me assustei quando ela disse isso, dava pra perceber que tinha sido uma treta violenta.
"Lá em cima eu te conto com mais detalhes." completou Júlia.
"Ok, já estou indo para lá então." falei
"Certo então, eu também."
"Até lá!"
"Até!"
E assim eu tomei um rápido banho e troquei de roupa, levando menos de dez minutos para isso, fiz um cafuné em Riddle (que no momento tinha caído no sono na sua almofadinha), avisei para minha mãe pra onde eu ia, e assim subi pra área de lazer do prédio.
Eu fui o primeiro a chegar, mas não demorou muito para Júlia aparecer, me sentei numa cadeira próxima ao elevador e aguardei. Quando ela chegou, desde dentro do elevador que se percebia que ela estava bastante abalada, se percebia as suas tentativas de segurar o choro.
Vendo isso, me levantei e disse:
- Júlia, o que aconteceu?
Quando eu disse isso, ela desatou no choro, correu em minha direção me dando um forte abraço.
Ela tentava falar algo enquanto isso, mas não era possível entender por causa do tanto que ela soluçava de choro.
- Calma Júlia, calma, não precisa falar agora, só se acalme primeiro e depois você fala. - falei tentando confortar ela.
A levei para a área da piscina e a sentei em uma das cadeiras que tinha lá. tentei acalma-la, mas estava bem difícil. Me ofereci para descer até a minha casa e lhe trazer um pouco de água, mas ela implorou pra que eu não a deixasse ali sozinha, e assim atendi ao seu pedido.
Demorou, mas depois de alguns minutos Júlia finalmente se acalmou um pouco, ainda chorava bastante, sendo que pelo menos já conseguia falar sem soluçar tanto.
- Consegue falar agora? - perguntei
- Sim... - disse ela bem baixo ainda abalada
- O que aconteceu? - perguntei novamente
Júlia deu uma forte respirada, e falou:
- Eu e Roland terminamos!
Aquela notícia para mim tinha sido um choque, os dois estavam juntos a quase três anos, e sempre que eu os viam juntos eles pareciam estar bem, enfim, eu sempre tive a impressão que eles iam acabar casando.
- Calma ai, me explica essa história... - falei
E então ela me explicou toda a história, uma coisa eu sabia, vez ou outra eles passavam por momento conturbados da relação, assim como todo casal passa, mas eu sempre os via dar a volta por cima, mas ao que parecia dessa vez a coisa chegou num ponto extremo em que nenhum dos dois aguentavam mais, pelo que Júlia me disse, os últimos meses tinham sido os piores, eles não conseguiam mais se encontrar sem brigarem seja lá por qual razão.
Enfim, o ponto é que, a relação deles estava bastante desgastada, e o ponto crítico finalmente tinha chegado, tanto que resultou nisso. De qualquer forma isso foi uma surpresa pra mim, porque eles já tinham aguentado muitas fases ruins por basicamente dois anos, mas é como eu disse, eles chegaram num ponto que a relação ficou desgastada demais.
Certamente, Júlia me contou essa história toda ainda muito abalada, e eu não esperaria reação diferente, aliás, foram quase três anos de relação, não é pouca coisa.
- Eu realmente sinto muito, Júlia. - falei
- Não sinta, sério. - disse ela
Ficamos calados por um momento, até ela voltar a falar:
- A ficha simplesmente não caiu ainda, entende?
- Eu imagino! - respondi
- É que, velho, eu sempre achei que a gente um dia fosse até casar, sabe?
- Acredite, eu também achava isso.
- Acho que todos achavam, já ouvi muitos dizerem isso.
Depois disso, ficamos mais alguns segundos calados, e então Júlia voltou a falar:
- Só não queria que tivesse acabado dessa forma, com a gente se odiando basicamente.
Eu entendia bem o sentimento dela.
- Mas Júlia, quem sabe vocês não acabam voltando? Vocês tem tanta histórias juntos, já passaram por tanta coisa e se mantiveram juntos por muito tempo, quem sabe no fim vocês não acabam se resolvendo?
- Você diz isso porque não testemunhou a nossa última briga, se tivesses visto como foi você veria que não tem mais volta.
- O que ocasionou essa última briga?
Júlia respirou fundo, e disse:
- Ciúmes.
"Pra variar..." pensei
- Por parte de quem? - perguntei
- Minha.
- Explique melhor...
- Bom, é o seguinte...
Era mais um daqueles casos de ciúmes por causa de uma amiga do Roland que Júlia não gostava nem um pouco, e era uma situação que se repetia sempre, ela meio que pedia pra ele se afastar dela, e certamente Roland não atendia, o que eu sinceramente acho um grande exagero da parte dela.
E claro, isso acabou chegando num ponto que o próprio Roland ficou puto, principalmente porque Júlia o acusou de estar a traindo, segundo a própria me disse, isso tinha sido a gota d'água para ele, tanto que resultou no termino deles.
Eu poderia ter dito pra Júlia que possivelmente teria sido exagero da parte dela e que ela deveria se desculpar, mas esse é o tipo de coisa que eu prefiro não meter o bedelho, e tenho certeza que ela não reagiria bem a essa conselho, eu também já tinha namorado essa garota, a conhecia bem até demais.
E assim passamos uma hora e meia (exatamente, uma hora e meia) conversando sobre como tinha sido as últimas semanas do relacionamento dela com Roland, já era próximo das cinco e quarenta da tarde, e o sol estava começando a se por.
Agora finalmente chegaremos no ponto principal da história depois de muita enrolação, que foi quando Júlia começou a fazer uma comparação estranha sobre as atitudes de Roland com as atitudes que eu tinha com ela quando a gente namorava, algo do tipo que eu me importava mais com a opinião dela, que eu a ouvia mais, se perguntando porque ele não podia ser que nem eu naqueles aspectos, praticamente dizendo que eu era um namorado melhor do que o Roland, e enquanto ela falava, na minha cabeça eu só me perguntava "aonde ela quer chegar com isso?"
Eu apenas fiz aquela velha "conversa de lagartixa", fiquei balançando a cabeça concordando, a deixei falar, aliás, na situação em que ela estava a única coisa que queria era alguém que entendesse pelo que ela ta passando sem fazer muitos questionamentos.
- Ai Brian, me abraça. - falou ela já me abraçando
Foi a partir daí que as coisas começaram a ficar "estranhas", há muito tempo que Júlia não me abraçava daquela forma. Ai você me pergunta: Que forma?
Como se quisesse que eu ficasse ali com ela para sempre, a última vez que ela tinha me abraçado daquela forma... A gente ainda namorava.
Sim, poderia ser apenas coisa da minha cabeça, mas dessa vez eu garanto que não era, e vocês verão porque. Mesmo estranhando, eu não questionei nada, fiquei abraçado com ela e lhe fazendo um carinho também, e assim percebia que ela estava bem "dengosa", até demais.
Percebi isso mais ainda quando ela deitou a sua cabeça no meu ombro, e principalmente depois que ela disse:
- Você ta cheiroso.
- Obrigado... - respondi um pouco sem graça
Aí que a merda começou a acontecer, meu coração acelerou pra cacete, comecei a ficar nervoso sei lá porque, mas de uma forma ou de outra, uma voz dentro de mim gritava que aquilo não iria dar certo, e eu resolvi ignora-la, possivelmente por burrice mesmo.
Então, Júlia começou a me dar beijos no pescoço, foi quando a voz dentro de mim começou a berrar para que eu parasse com aquilo imediatamente, mas ainda assim não dei ouvidos, simplesmente deixei acontecer. Até que de beijos foi para mordidas, e mesmo assim eu não ouvia o meu bom-senso, pior, eu comecei a retribuir os beijos, da mesma forma que eu fazia com ela quando ainda eramos namorados.
Até que veio aquela velha cena clichê da gente olhando um para o outro com os rostos bem próximos, definitivamente estava rolando um clima, e não era fraco. Comecei a alisar o seu cabelo, e quando eu fiz comecei a lembrar da época em que namorávamos, e claro, a saudade veio, o que me fez ir mais a fundo naquela besteira. Voltei a olhar atentamente pra ela, e pensei:
"Caramba, como ela é linda!"
Enquanto isso, o meu bom senso estava prestes a se matar enforcado.
- Tás mais bonito hoje, Brian. - disse ela
E eu sem graça, respondi:
- Impressão sua.
- Não, não é...
E naquele momento o meu bom senso já estava morto, eu tive as chances de impedir que aquilo acontecesse, mas não o fiz, aliás, é como dizem, a carne é fraca (apesar de eu nunca ter levado essa frase a sério).
E nossos rostos foram se aproximando aos poucos, até que nossas bocas finalmente se encostaram, e a merda já estava sendo feita, eu sabia que aquilo era errado, eu devia ter impedido, mas provavelmente aquilo foi resultado de uma carência extrema que eu tinha passado, sim, continua não sendo desculpa, mas é a melhor explicação que eu tenho
Tanto eu quanto Júlia àquela altura já tínhamos nos deixado levar pelo momento, parecia até que a gente tinha voltado a namorar, principalmente porque a sensação que eu estava tendo era a mesma daquela época em que estávamos juntos. E aquele foi um longo beijo, me lembrava bastante do nosso primeiro, naquela festa de São João do meu colégio há quatro anos atrás.
E depois de alguns minutos se beijando (certamente não contei o quanto exato porque,,, né?) nossas bocas finalmente se afastaram.
Por um instante eu não sabia como reagir, provavelmente Júlia estava na mesma situação, ambos estávamos sem graça e sem saber explicar o que tinha acabado de acontecer, tanto que demorou alguns minutos para finalmente alguém falar alguma coisa.
- Bom... - falou Júlia provavelmente ainda procurando as palavras certas - acho que é melhor a gente ir para casa.
Eu estava tão abismado que simplesmente aceitei isso que ela disse:
- Sim, concordo... - falei
E depois de mais um momento calados, ela disse:
- A gente se fala mais depois, então?
- Sim, sim, claro... eu acho.
Com um sorriso um pouco sem graça no rosto, Júlia disse:
- Errr... ok então.
Concordei com a cabeça, eu ainda estava tentando processar aquilo tudo na minha mente.
Júlia se levantou já indo em direção do elevador.
- Errr, você vem? - perguntou ela
Eu até pensei em dizer "sim", mas achei melhor não.
- Não, não, err... pode ir primeiro, vou ficar um pouco aqui refletindo, depois eu vou.
Ainda sem jeito, ela respondeu.
- Ok... err... você quem sabe...
E depois de mais um momento quietos, ela disse:
- Até depois.
- Até!
E assim ela foi, sem mais nenhum de nós dois falar mais nada.
Eu realmente aproveitei para refletir um pouco por lá, aliás, eu sempre gostei de usar aquele local pra isso, e certamente eu tinha muito o que pensar, uma grande besteira tinha acontecido.
E o pior de tudo, é que eu não achei ruim, eu gostei de que a gente tinha ficado, tanto que não impedi que acontecesse, mas sabia que tinha sido errado, tanto que aquilo ficou martelando minha cabeça pelo resto do dia...

(continua...)

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Apenas tentando sair do ócio

Acho que já está repetitivo eu começar uma história dizendo que estava em um tédio extremo, mas infelizmente, esse é mais um desses caso, porque realmente, minhas férias não estavam lá das mais produtivas, já fazia algumas semanas que a mesma tinha começado, e eu apenas tenho feito aquelas mesmas coisas que eu suponho que todo mundo já saiba, e que não preciso ficar repetindo aqui.
Naquele dia em específico eu estava sozinho em casa, eram uma e pouca da tarde e minha mãe e minha irmã tinham ido trabalhar, e meu nível de "ócio" estava em um nível que nem sequer aguentava mais ficar sentado na frente do computador fazendo nada, porque aliás, não tinha nada de interessante pra fazer lá.
Experimentei ligar a TV e ver se tinha algo bom passando, mas o resultado vocês já imaginam qual foi, absolutamente nada. Vendo que aquilo não me levaria a nada, eu desliguei a televisão e fui para o quarto, o computador ainda estava ligado, mas a única coisa que eu fiz nele foi colocar uma música pra tocar, nesse instante, até pensei em ver minhas séries, mas foi então que lembrei que já tinha visto os episódios novos de quase todas, sendo assim, apenas me deitei na cama, olhei para o teto e fiquei ouvindo a música que tocava.
E isso é o mais chato de ficar em casa fazendo nada, porque quando eu fico dessa forma, deitado olhando pro teto, a única coisa que eu faço é pensar nas coisas da vida, ai você me pergunta: Que coisas? Digamos que basicamente tudo, tudo mesmo.
Nesse momento, eu estava deitado, mas meu braço esquerdo estava do lado de fora da cama, e bem próximo ao chão pra ser mais exato. Foi então que Riddle entrou no meu quarto e se aproximou da minha mão, ele começou a se roçar nela, a lamber e tudo o mais, pedindo claramente por carinho. Então eu o peguei, coloquei no meu colo e fiquei lhe fazendo um cafuné, e ele simplesmente se deitou e acomodou-se, aproveitando o agrado que lhe era feito.
Após isso, voltei a pensar nas coisas que eu estava pensando anteriormente, e é nessas horas em que fico convencido que às vezes, pensar nas coisas é uma forma de "auto-tortura". Por que eu falo isso? Porque é nessas horas que eu costumo a ficar remoendo lembranças de coisas que me chatearam no passado, em alguns casos, coisas que aconteceram há muitos anos atrás, eu já falei uma vez sobre essa mania chata que eu tenho aqui para vocês.
Pior de tudo, é que eu sei que isso só me faz mal, mas fico fazendo da mesma forma, e quando estou no ócio, é uma brecha perfeita pra eu ficar fazendo isso, o que era mais uma razão para eu arrumar algo de útil pra fazer urgentemente.
E também era nessas horas que eu adoraria aprender a esquecer dessas coisas, mas elas sempre voltavam a minha mente em algum momento, é quando eu me pergunto se ter uma boa memória a esse ponto é uma virtude ou um defeito, o que pode ser em partes um pouco dos dois, mas enfim.
Fato era que eu precisava ocupar minha mente de alguma forma, porque se fosse continuar do jeito que estava, eu ia ficar doido. Então, mais uma vez, comecei a checar a disponibilidade do pessoal, e mais uma vez fiquei decepcionado.
Eu nem me dei o trabalho de fazer a mesma ladainha de sempre porque já estava cansado dela, apenas continuei deitado olhando pro teto que era o que eu fazia de melhor.
Sendo que quanto mais parado eu ficava, mais essas lembranças vinham, então foi a hora que vi que eu precisava tomar uma atitude. Portanto, decidi que arriscaria uma coisa, seria a minha tentativa de sair um pouco de casa.
Tirei Riddle do meu colo e me levantei da cama, ele que já estava bastante aconchegado, não pareceu gostar de perder um pouco do seu dengo.
- Desculpa por isso, ta? - falei para ele lhe dando um cafuné atrás da orelha.
Bom, não sei se ele foi compreensivo nessa hora, aliás, gatos não são animais fáceis de se compreender, e eu ainda estava conhecendo bem o meu aos poucos, mas o fato é que depois disso ele foi se deitar na sua almofadinha.
Decidi naquele momento que eu iria ligar pra Thiago, e ver se eu poderia passar na casa dele. Ele ainda não estava de férias e ainda estava em semana de provas, ou seja, a probabilidade dele não poder me receber era enorme, mas eu iria tentar da mesma forma, afinal, o que eu tinha a perder?
Isso sem falar que até um simples conversa pelo telefone eu estava aceitando, só queria me ocupar de alguma forma.
Fui até a sala, peguei o telefone sem fio, digitei o número e aguardei ele atender a ligação. Após mais ou menos cinco toques...
- Alô?
- Alô, Thiago? - falei
- Brian?
- Tudo bem, cara? - perguntei
- Sim, e tu?
- Também, eu acho...
- Eu não senti firmeza nesse seu "eu acho". - disse Thiago
- Acredite, eu também não. - respondi
- Aconteceu algo?
- Não exatamente...
- Mas algo está errado, dá pra sentir na sua voz.
Realmente não tinha como eu engana-lo.
- É que... - comecei a falar, pensei em hesitar um pouco, mas continuei - eu sei que as coisas devem ta meio complicadas pra você agora, mas, posso passar ai na sua casa agora? É que eu quero seriamente sair um pouco de casa, e também falar sobre umas coisas.
- Pra falar a verdade, eu adoraria que tu fizesse isso, minha cabeça ta cheia, preciso relaxar um pouco.
- Ah, ótimo, cara!
- Mas cara, tem certeza que não é nada demais? O jeito que tu ta falando ta me preocupando.
- Tenha certeza que não é, quando eu chegar ai eu te conto, tu vai ver até que nem é lá grande coisa.
- Ok então, se você ta dizendo...
E assim, ficamos alguns segundos calados, até que eu disse:
- Até já, então?
- Sim, sim, até. - respondeu Thiago
Então desliguei o telefone, e fui me arrumar.
Fazendo um curto resumo de todo o trajeto, levei menos de dez minutos para me arrumar, e mesmo com o olhar de Riddle implorando para que eu não o deixasse sozinho (o que me dava pena sempre, mas de vez em quando era necessário) eu fui a caminho da parada de ônibus. E contando com o tempo em que tive que esperar o transporte, demorei vinte minutos para chegar na casa de Thiago.
Era duas e quarenta da tarde quando eu toquei a campainha dele, não demorou muito para ele atender, quando apareceu na porta, a gente se cumprimentou e ele pediu pra que eu entrasse.
Nos sentamos no sofá da sala e começamos a falar de algumas coisas aleatórias, coisas sobre as nossas vidas, pra ser mais exato, pra falar a verdade, mais sobre a situação de Thiago na faculdade por causa da semana de provas, o coitado estava simplesmente com os nervos a flor da pele querendo que a mesma passasse logo.
Até que Thiago finalmente falou:
- Mas agora diga-me, o que está havendo contigo?
Eu respirei fundo, e falei de toda a minha situação, do ócio extremo que eu estava nessa férias, da consequência dele que é ficar pensando nas coisas que me chatearam no passado e principalmente desse problema que eu tenho de ficar lembrando dessas merdas.
- E por que você fica se torturando dessa forma? - perguntou Thiago
- Tá ai uma pergunta que eu sempre me faço. - respondi
- Sabe que ficar remoendo só vai lhe fazer mal.
- Eu sei, mas sei lá, às vezes é meio que inevitável, principalmente quando eu não to fazendo nada.
- Então, ocupe-se!
- Essa é uma das razões de eu ter vindo para cá, tentar ocupar minha mente com alguma coisa, que só assim essas lembranças não me vem a mente.
- Mas mesmo assim, se ocupe mais, porque se continuar do jeito que tá, amanhã mesmo você volta pra essa mesma situação.
Pior que ele estava certo.
- Mas como? - perguntei
- Cara, você tem vários meios, dar uma volta no quarteirão a pé, tocar violão, brincar com o teu gato, você tem um leque de opções.
E era verdade, apesar que às vezes me limitava bastante, outra coisa que eu precisava parar.
- É, vou tentar fazer meio que uma programação, ou sei lá, pra não ficar no ócio sempre. - falei
- Faça isso mesmo. - disse Thiago me dando uns tapinhas nas costas.
E após alguns momentos calados, Thiago falou:
- Mas enfim, queres fazer algo?
- Claro, claro.
Logo após, a gente resolveu jogar na mesa de sinuca que Thiago tem no terraço de sua casa, aproveitamos pra realmente esfriar a cabeça. Curtimos um pouco a tarde até dar mais ou menos cinco e pouca, que foi a hora que Thiago decidiu voltar pros seus afazeres, o agradeci pela disposição e pelo tempo, e assim fui para casa.
Quando cheguei, minha irmã e minha mãe já estavam por lá, perguntaram aonde eu estava e rapidamente respondi que tinha ido na casa de Thiago. Me perguntaram também o que fiz por lá, e eu, como sempre, dei respostas secas não querendo dar muitos detalhes.
Quando cheguei no quarto, eu até pensei em ligar o computador, mas antes de fazê-lo, lembrei das coisas que tinham sido conversadas com Thiago, então concluí que se eu ligasse o PC, eu entraria no ócio mais uma vez.
Nessa mesma hora, Riddle entrou no meu quarto mais uma vez (ele passava mais tempo lá do que em qualquer outro cômodo da casa), e eu, certamente, fui fazer um cafuné nele.
O pequeno Riddle estava naquele momento com a energia a todo vapor, foi então que percebi que seria ele quem iria me ajudar a não ficar no ócio, peguei o seu brinquedinho e brinquei com ele até altas horas da noite.


Brian

sábado, 20 de junho de 2015

Um tour sem rumo pela cidade

Finalmente minhas férias tinham chegado, para a felicidade de todos da faculdade, principalmente porque esse semestre foi super puxado, tivemos que fazer matéria atrás de matéria, fosse pra impresso, web, rádio, ou TV, e para minha felicidade maior, aquele tinha sido o primeiro semestre em que eu passei com todas as notas acima de 7, isso não acontecia há muito tempo. Eu finalmente poderia descansar um pouco após um período de muito corre-corre.
Porém, como já era de costume, tinha se passado uma semana de férias e eu estava no ócio violento, em casa, eu apenas ficava fazendo algumas coisas no computador, ouvia música, tocava violão e brincava vez ou outra com o pequeno gatinho, Riddle. Às vezes a impressão que dava era que eu tinha me acostumado muito com o corre-corre do dia a dia, porque quando chegava essas folgas, parecia até que tinha saudades de ter uma tonelada de coisas pra fazer.
Era uma tarde de quinta-feira, e mais uma vez eu estava de pernas pro ar em casa fazendo nada de útil, e nesse dia em específico parecia que nem o pequeno Riddle estava afim de fazer alguma coisa, ele passou a tarde toda deitado na sua almofadinha e não tinha o que o tirasse de lá.
Eu não sabia mais o que fazer, praticamente já tinha visto todos os episódios das minhas séries que eu podia aguentar, estava sem animação pra tocar violão, Riddle estava mais preguiçoso do que eu, e sinceramente, queria muito não passar aquela tarde jogando no computador.
Então fui procurar algum amigo meu que estivesse disponível para fazer alguma coisa, sendo que mais uma vez eu tive aquela sensação de que não tinha ninguém que pudesse, e mais uma vez me senti frustrado por isso, mas tentei ignorar, aliás, não era culpa deles.
Alguns deles ainda não estavam de férias, como Joey, Thiago e  Andreza, outros estavam em seus cursos, como Júlia, outros tinham estágio, como alguns lá da faculdade, e outros tinham algum outro afazer, como a Cris, e para a minha maior infelicidade, Simone tinha ido viajar pra visitar a família no interior do estado.
"Não sei se sou eu que sou muito desocupado, ou o povo que nunca tem tempo mesmo," pensei.
Foi então, que de repente, eu recebi uma mensagem no meu celular, o mesmo estava exatamente do meu lado, então no mesmo instante o peguei e vi o que era.
Era uma mensagem da Helo, minha amiga de Arapiraca que agora estava morando aqui em Recife.
"Brian?" dizia a mensagem
Não demorei muito para responder:
"Oi Helo!"
"Tudo bem?" perguntou ela
"Apesar do tédio extremo, sim, está tudo bem rs" mandei de volta "e você?"
Depois de alguns segundos, ela respondeu:
"Meio que na mesma situação que você rs"
"Ócio extremo, também? Perguntei
"Exatamente kkkkk"
"Te entendo muito bem rs"
E assim começamos a colocar um pouco do papo em dia, por conta dos afazeres das nossas vidas, a gente não tinha tido muito tempo ultimamente para conversar, sair, se divertir, enfim. Era mais ou menos uma e pouca da tarde quando Helo tinha me mandado a mensagem, e a partir dali, ficamos umas meia hora falando de coisas aleatórias, até mandei pra ela uma foto do Riddle deitado na sua almofadinha (o que ela amou, certamente).
Até que, após essas meia hora, Helo teve uma ideia que definitivamente nos tiraria do ócio.
"Ei Brian, tive uma ideia aqui."
"Diga." falei
"Tipo, desde que cheguei aqui em Recife, ainda não tive a oportunidade de conhecer mais a fundo a cidade"
Eu estranhei isso, aliás, ela já tinha vindo aqui em algumas outras ocasiões, e não foram poucas.
"Sério? Mas você já não veio bastante para cá?" perguntei
Depois de alguns segundos de espera, ela respondeu:
"Sim, mas nunca tive tempo o suficiente pra isso, sacas? Sempre tinha algo pra fazer.
"Ah, entendi!"
E depois de alguns segundos, eu disse:
"Pois bem, continue com a sua ideia =D"
Então ela mandou:
"Continuando, ai tipo, a ideia que eu tive foi que a gente fosse agora pra cidade, e fizéssemos isso =)"
Na hora, eu não hesitei em falar:
"Eu super apoio \o/"
Helo retribuiu meu entusiasmo com a ideia com um "smile", e depois disse:
"Então, a gente se encontrar por lá em 40 minutos, pode ser?"
Então eu respondi:
"Com certeza =)"
"Bom, vou me arrumar aqui então..."
Eu ia digitar que também ia, mas eu vi que ela iria falar mais algo, então resolvi aguardar.
"Até daqui a pouco, então?"
"Sim, sim =D" respondi
"Vou me arrumar aqui também, até daqui a pouco" complementei.
"Até." respondeu ela
E assim fui me arrumar, tomei um rápido banho frio e depois escolhi a roupa que iria usar, coisa que eu não demoro nem dez minutos pra fazer, normalmente.
Não demorou muito para eu estar pronto, depois de por a roupa no corpo, calcei meus sapatos e peguei o básico para sair de casa (carteira, dinheiro, algum documento, enfim). Antes de sair, fiz um cafuné no Riddle, que já estava praticamente dormindo na almofadinha (o que pra mim teve até uma vantagem, porque ele não ficou me "segurando" para que eu não fosse, ele odiava ficar sozinho na cada, mas infelizmente às vezes era necessário). E assim eu peguei minhas chaves, mandei uma mensagem para minha mãe avisando para onde eu ia, e segui meu caminho até a parada de ônibus.
Resumindo toda a minha trajetória de casa para a cidade, como fui pegar ônibus numa parada onde o mesmo não demorasse muito, esperei apenas dez minutos para que eu subisse em um, já o percusso até lá que levou um tempinho, estava tendo uma obra em uma calçada não muito longe dali, e por isso o trânsito estava meio lento naquela área. Então, por isso, o caminho até a cidade foi feito em mais ou menos meia hora, e caso queiram saber, com trânsito fluindo bem, o percurso era feito em quinze minutos.
Enfim, eu e a Helo marcamos de nos encontrar no Shopping do centro da cidade, quando cheguei por lá, ela ainda estava no caminho, também tinha pego um trânsito meio lento, sendo assim, me sentei no banco, pus meu fone de ouvido e fiquei a esperando.
Depois de quarenta minutos, ela finalmente chegou no Shopping, eram quinze pra três na hora, se não me engano. Antes de tudo, quando nos encontramos naquele momento, demos um forte e longo abraço um no outro, eu estava com muitas saudades dela.
Quando nos soltamos, ela me deu um beijo no rosto, eu lhe retribui, e então disse:
- Então, por onde começamos?
Eu pensei um pouco, e disse:
- Essa é uma boa pergunta...
A gente se sentou um pouco e começou a pensar nas possibilidades. Me passou pela cabeça vários locais que eu poderia mostrar pra ela, eram muitas opções, até que me veio em mente a seguinte coisa.
- O que acha da gente não seguir um roteiro? - perguntei
- Como assim? - questionou ela
- A gente meio que andar sem rumo, vai parecer meio viajado eu falando mas, deixar que o "destino" nos guie, entende o que eu to querendo dizer?
- Acho que sim... - respondeu ela - e sinceramente, eu adorei a ideia.
- Sério?
- Seríssimo!
Então, naquele momento eu encontrei um papelzinho com o mapa do centro da cidade próximo a uma loja de uma agência de turismo, o que me fez ter outra ideia.
- Tive outra ideia agora.
- Qual? - perguntou ela
Peguei esse mapa, e o abri.
- Faça o seguinte, feche os olhos e aponte para qualquer ponto daqui do mapa, o que você apontar será por onde começaremos.
- Ok então. - disse ela com um lindo sorriso no rosto
E assim ela fez, fechou os olhos e apontou para um ponto do mapa, e o escolhido para ser o primeiro foi a Praça da República, e antes de começarmos, decidimos que todo o percurso feito naquele dia seria feita apenas a pé, que assim poderíamos apreciar melhor a paisagem recifense.
Então dessa forma começamos o nosso "tour" pela cidade.
Resumindo tudo que aconteceu naquela tarde para eu não me alongar muito, seguindo esse mesmo sistema, passamos por alguns dos principais pontos da cidade (não todos, por causa do tempo), além da Praça da República, também passamos pela Praça do Arsenal, pelo Marco Zero, o Forte das Cinco Pontas, o Paço Alfândega, enfim, e muitos outros, e como combinado, enquanto andávamos a gente aproveitou pra observar melhor a paisagem, coisa que eu próprio que moro a cidade desde que eu nasci faço muito pouco, houve muita coisa que só naquele momento eu parei pra reparar melhor, e isso se tratando de locais que eu costumo passar todos os dias.
E uma das cenas mais lindas que a gente teve o prazer de presenciar naquela tarde, foi quando passamos pela Ponte Maurício de Nassau, onde pudemos ver algumas garças pela margem do Rio Capibaribe, mostrando que mesmo o rio estando poluído do jeito que está hoje em dia, ainda assim consegue nos proporcionar essas belezas naturais.
Eram quase sete e meia da noite quando finalmente encerramos nosso "tour" pelo Recife, naquela hora estávamos morrendo de fome, então a gente decidiu rachar uma pizza antes de irmos para as nossas casas, e claro, durante isso tudo, do início ao fim, ficamos falando sobre várias coisas aleatórias, fossem ela sobre o passeio ou não.
O relógio marcava oito da noite quando terminamos de comer e pagamos a conta, era a hora de ir para casa, apesar que por a gente, podíamos até ficar um pouco mais por lá se divertindo, mas o problema é que a partir daquela hora a cidade começava a ficar estranha e mais perigosa (não que ela já não fosse isso tudo a luz do dia, mas certamente a noite fica pior).
E assim fomos para a parada de ônibus, mesmo os meus passando com mais frequência, eu esperei Helo pegar o dela para eu ir pra casa, eu normalmente sou assim, prefiro que os outros vão embora antes pra eu finalmente ir. Depois de uns 15 minutos de espera, o ônibus dela passou.
- Bom, esse é o meu... - disse ela - tchau Brian, obrigada pela tarde de hoje, me diverti muito. - falou ela me abraçando.
- Nada, sempre que quiser, estou aí, - respondi retribuindo o abraço.
E assim nos despedimos e ela entrou no seu ônibus, enquanto eu esperei apenas cinco minutos para que o meu passasse. Cheguei em casa um pouco cansado, certamente, tanto que fiquei alguns minutos da mesma forma que Riddle ficou na almofadinha o dia todo (aliás, quando cheguei ele finalmente estava mais ativo, querendo brincar até), mas de uma forma ou de outra, aquela tarde valeu muito a pena.


Brian