terça-feira, 2 de agosto de 2016

Uma conversa com o Brian de 13 anos

Uma coisa que está na moda hoje em dia nas redes sociais são as chamadas "correntes", as do tipo "curta que direi o que acho de você anonimamente", ou coisas do tipo. Mas nesse caso em específica, vi uma que me chamou bastante a atenção, que era "o que você falaria para o 'fulano' de x anos de idade?", no caso, alguém lhe dava uma idade e você falaria o que diria para o "você" daquela idade.
Eu normalmente costumo participar dessas coisas, por mais besta que elas pareçam, ai no caso, a idade que me deram foi 13 anos. E assim, postei em minha linha do tempo o que eu falaria para o Brian de 13 anos de idade.
O que são essas coisas? Vocês descobrirão daqui a pouco.
E o que achei mais interessante nisso tudo foi a quantidade de pessoas que curtiram isso que postei, provavelmente porque se comoveram com o que eu disse.
Por coincidência do destino (ou não), na mesma noite em que fiz essa postagem, acabei tendo um sonho um tanto que peculiar que tinha a ver com o assunto.
Diferente da maioria das histórias que conto aqui que envolvem algum sonho inusitado que tive, dessa vez, fui dormir com a mente tão leve quanto uma pena no meio de uma tempestade chuvosa, exatamente nada me incomodava por dentro naquele momento. Na ocasião, não demorei muito para entrar em sono profundo, eram quase meia-noite e eu estava muito cansado, isso sem falar que cada vez mais meu sono chegava mais cedo do que normalmente chegava (antes, meia-noite para mim era cedo).
Após pegar no sono, passaram-se alguns minutos (não sei dizer ao certo quanto, já que a noção de tempo dos sonhos é muito diferente da realidade), até que de repente, eu me encontrava no meio de um pátio, mas não de um pátio qualquer, aquele era um local que conhecia bem, aliás, muito bem.
Aquele era o pátio do meu terceiro colégio (dos 4 em que estudei antes de ir para a faculdade), sendo esse o qual onde tive os piores anos da minha vida por conta de questões de bullying (e também outros fatores, fossem eles escolares ou não).
O local se encontrava vazio no momento, o que para mim era estranho, já que era acostumado a ver aquele lugar cheio de crianças e adolescentes, e ao mesmo tempo aquilo era um pouco assustador, já que lugares vazios costumam a ser sinistros, independente da hora do dia.
Comecei a andar um pouco por ali a procura de alguma alma penada, aliás, ainda estava tentando achar um significado para aquilo. Mas realmente o local estava completamente deserto, parecia até que tinha sido abandonado por conta de uma catástrofe nuclear. Ao poucos andava pelo pátio e via o playground, a piscina, a quadra, o campo de futebol, o prédio, os corredores, e etc.
Quanto mais andava, mais tinha certeza de que não havia ninguém ali, a única coisa que ouvia era o som do vento batendo nas folhas das árvores.
Mais a frente, encontrei a cantina do colégio, que claro, estava vazia, mas por incrível que pareça, as suas barracas estavam abertas e com comida dentro. E logo ao lado, via-se o ginásio.
Adentrei na cantina e fiquei olhando barraca por barraca na esperança de encontrar alguma coisa interessante, e com isso, fui lembrando das vezes em que enfrentava longas filas para comprar um lanche por ali.
Após dar uma volta pelo local, passei pela barraca de churros e comecei a rir por conta da lembrança que tive de Roger (o único amigo que tive naquele inferno) quando ele teve a proeza de deixar uma nota de dois reais cair dentro do óleo de fritura da barraca, o que o deu uma bela dor de cabeça naquele dia. Ria bastante disso, até que de repente...
- Brian! - Ouvi uma voz gritar atrás de mim
Claro, tomei um puta susto na hora, antes disso tinha certeza de que estava sozinho por ali.
Olhei para trás assustado, e vi que não era ninguém mais, ninguém menos do que a minha consciência ali sentado em uma das mesas comendo um sanduíche.
- Tu brotou do inferno, foi? - perguntei - não te vi chegar.
- Posso até ter "brotado", como você diz... - falou minha consciência - mas foi de qualquer canto, menos do inferno, isso te garanto. - completou dando mais uma mordida no sanduíche. - aliás, por favor, sente-se!
E assim o fiz.
Após me sentar, ficamos ali por alguns minutos simplesmente olhando para a cara um do outro, quer dizer, pelo menos eu olhava para a cara dele, já minha consciência estava ocupado demais se deliciando com o seu hambúrguer double cheedar, e isso estava me fazendo perder a paciência.
- Você vai realmente me fazer perguntar? - falei
Minha consciência engoliu o pedaço que tinha mordido, e disse:
- Engraçado, Brian, já faz um tempo desde que começamos a nos falar, e ainda assim você parece que não se acostumou com o jeito que as coisas funcionam comigo.
- To cagando e andando para isso, só quero explicações claras do porquê que estou aqui.
- Calma, você está muito nervoso, deixe eu terminar de comer pelo menos. - falou ele dando um sorrisinho
Aquele senso de humor chato dele me irritava profundamente, e ele sabia disso, tanto que era por isso que ainda fazia essas coisas, ele se divertia quando me via tendo vontade de pular em seu pescoço nessas horas.
Esperei (não muito pacientemente) ele terminar o seu lanchinho, o que até que foi rápido, e quando assim o fez, ele falou:
- Double cheedar é realmente uma invenção dos deuses.
Então eu disse impaciente:
- É, realmente, mas agora podemos ir logo para o que interessa?
- Brian, Brian, tenho fé que um dia você vai melhorar essa sua paciência.
Simplesmente ignorei aquilo que ele disse.
- Bom... - falou minha consciência - antes de tudo me responda uma coisa... - o ouvi atentamente - sabe as vezes que você sabe que sonhou com algo, mas no momento em que acorda, não lembra com o que foi?
- Sim, sei... - respondi - mas o que isso tem a ver com o que vim fazer aqui?
- Calma, cara, deixe de sua agonia. - suplicou minha consciência.
- Desculpe! - falei
Minha consciência ficou surpreso com o fato de eu ter me desculpado, não era uma coisa muito comum de acontecer.
- Tudo bem! - falou ele um pouco desconfiado.
Então continuou:
- E sim, essa pergunta tem tudo a ver com o que você veio fazer aqui.
Dessa vez esperei ele concluir antes de falar qualquer coisa.
- Pois, sabe a postagem que você fez hoje sobre "o que você falaria para o Brian de 13 anos"?
- Sim! - respondi
- Você está prestes a concretizar isso.
Fiquei surpreso com aquilo, e perguntei:
- Como assim?
Então minha consciência se levantou, e disse:
- Me acompanhe.
Sendo assim, me levantei junto com ele, e me surpreendi porque não foi preciso caminhar para nenhum local do colégio. Minha consciência tinha acabado de nos teletransportar para a arquibancada do ginásio, e lá dentro, algumas fileiras mais a frente, se encontrava sentado um garoto, que aparentava estar bastante triste com alguma coisa, apesar de não chegar a chorar. Foi então que falei:
- Por acaso, aquele garotinho sentado é...
- Sim, é você com 13 anos! - respondeu minha consciência antes que eu tivesse a chance de completar a frase.
Eu estava sem palavras no momento, como já não fosse estranho o suficiente falar com uma pessoa que se utilizava da minha fisionomia e aparência (minha consciência), agora estava olhando para mim mesmo 8 anos mais jovem.
- Pode parecer uma pergunta meio besta, mas, o que aconteceu para ele estar triste desse jeito?
- Você não lembra? - perguntou minha consciência
- Refresque minha memória.
- Você é esperto, vai se lembrar.
- Sério mesmo que você vai fazer isso comigo agora? - questionei
Minha consciência suspirou fundo, e disse:
- Tá bom, lhe darei uma simples dica então... - eu o ouvia atentamente - lembra quando há 8 anos atrás você teve aquele problema com um babaca que vivia enchendo seu saco da ali na quadra? Onde vocês dois acabaram saindo na porrada?
Pensei um pouquinho, e lembrei.
- Sim!
- Pronto, foi exatamente depois disso.
Me lembrava muito bem daquele dia, infelizmente.
- Mas cara, me responde uma coisa... - falei
- Diga!
- Quando eu tinha 13 anos, eu tive esse conversa que provavelmente terei com ele, né?
- Tá vendo? Eu disse que você é um cara esperto.
Esperei ele falar mais algo, mas como não veio, continuei:
- Então, se eu não lembro que tive essa conversa, ele também não irá lembrar, certo?
- Certo!
- Então, do que servirá isso exatamente, se ele vai esquecer isso a partir do momento em que acordar?
Então minha consciência respondeu:
- Acredite se quiser, isso o trará tranquilidade e ele acordará com a mente mais leve, mesmo não lembrando de nada.
Ainda não estava muito convencido de que aquilo seria útil em algo.
- Mas, o que eu poderia falar pra ele?
- Ué, você não fez a tal postagem lá? Então você sabe muito bem o que dizer. - falou ele - mas, só um aviso básico.
- O que?
- Fale do futuro dele de forma indireta, ou seja, não dê nenhum "spoiler" do que irá acontecer na vida dele nos próximos anos.
- Mas ele não vai esquecer de que tivemos essa conversa?
- Sim, mas mesmo assim, não é bom correr o risco, se ocorrer dele se lembrar disso e você contar algo do tipo para ele, o coitado pode enlouquecer.
Respirei fundo, e então disse:
- Ok então, vou lá.
Minha consciência não falou mais nada, apenas ficou observando.
Enquanto me aproximava no "mini-Brian", reparei com o fato que mesmo eu e minha consciência estando ali há alguns minutos conversando, ele pareceu não reparar na nossa presença. E outro detalhe curioso que percebi foi o local onde eles estava sentado na arquibancada, que era o local exato onde havia acontecido o meu primeiro beijo da vida com ma garota que eu gostava na época, exatamente quando tinha 13 anos.
Realmente, aquele era o melhor cenário para alguém tentar esquecer os problemas, o exato local onde teve uma das melhores lembranças de sua vida.
- Oi garotinho! - falei quando me aproximei o suficiente.
Ele olhou para mim assustado, e disse:
- Oi... - em um tom um pouco desconfiado.
E tenho que confessar, era muito estranho eu estar olhando nos meus próprios olhos com 13 anos.
- Tudo bem com você? - perguntei mesmo sabendo a resposta
- Não sei, acho que não. - provavelmente ele ainda não confiava em mim.
- Posso me sentar aí com você?
- Fica a vontade.
E assim o fiz.
Ficamos alguns segundos falando absolutamente nada, eu olhava pro garoto, e ele olhava apenas para o chão, uma mania que sempre tive quando tinha vergonha de olhar nos olhos de alguém que não conhecia.
De qualquer forma, também não queria forçar a barra, aliás, se tinha alguém que sabia muito bem o que se passava na cabeça daquele garotinha era eu.
- Desculpe perguntar, mas, eu te conheço de algum lugar? Porque seu rosto me é muito familiar. - disse ele olhando para mim finalmente.
Me segurei para não rir daquilo, mas que a situação era muito engraçada, isso era.
- Olhe um pouco melhor. - respondi
E assim ele fez, mas ainda com um ar de confuso.
- Ainda não consigo lembrar.
Eu respirei fundo, e disse:
- Olhe os seus traços, e depois olhe os meus.
Ele pegou o seu celular e se olhou no reflexo da tela, e após isso, olhou para mim comparando consigo mesmo.
- Você é muito parecido comigo.
Dessa vez não consegui segurar o riso.
- Vai parecer um pouco assustador quando eu falar, mas, eu sou você daqui a 8 anos.
Ele ficou surpreso após eu falar isso.
- Mas, como assim? O que tá acontecendo? Que porra é essa?
(Sim, desde essa idade eu já era boca suja)
- Caso não tenha percebido ainda, você está sonhando. - falei
- Ah... - falou ele - agora tudo faz sentido.
Mais uma vez, eu ri da situação.
- Então... - continuou ele - se você sou eu com... - Ele deu uma rápida parada para fazer as contas, típico de mim - 21 anos, me responde uma coisa... - já imaginava o que ele iria perguntar - eu reprovei alguma vez no colégio até aí? Que faculdade vou fazer no fim das contas? Finalmente tive uma namorada? Eu vou sair desse inferno de colégio?
Quando ele finalmente parou de falar, respondi:
- Essas são perguntas as quais eu não estou autorizado a lhe responder.
- Por que? - perguntou o mini-Brian decepcionado.
- Ordens superiores. - falei apontando para a minha consciência que apenas nos observava de trás da gente.
Ao que pareceu, diferente de mim naquela hora, o mini-Brian não via mais ninguém ali além de nós dois, mas provavelmente preferiu ficar calado em relação a isso.
- Há algo que você possa me dizer? - perguntou o garotinho
- Sim, há... - respondi - mas algumas delas podem não ser muito agradáveis.
- Sou todo ouvidos.
Respirei fundo, e falei:
- Antes de tudo, digo para você não se preocupar muito com coisas bestas, pois és ainda muito novo, e vá por mim, as dificuldades que você enfrentará agora são fichinhas perto das que você vai encontrar lá na frente... - ele apenas me ouvia atentamente - outra coisa que quero lhe dizer, é para você sempre ter seus estudos em foco, porque sério, seus pais estão certos quando dizem que essa é a sua única obrigação no momento.
Definitivamente, nunca me imaginei falando aquilo pra alguém, ainda mais sendo algo de que sempre reclamei.
- Você é muito inocente, e infelizmente hoje em dia isso é muito mais um defeito do que uma virtude, por isso, tome cuidado, porque muitos vão tentar se aproveitar da sua inocência para te fazer de otário. - dei uma leve suspirada, e continuei - Sobre esses babacas que você costuma chamar de amigos, minha dica é que você se afaste deles, porque na real, nenhum deles liga para você, eu sei que é duro ouvir isso, mas é a verdade.
- Mas, eu não tenho amigos por aqui, e eu não gostar de ficar por aí sozinho.
Nessa hora me deu um aperto no peito ao ouvir aquilo, isso me trouxe lembranças não muito boas.
- Eu sei, infelizmente eu sei. - falei fazendo um cafuné em sua cabeça - sei que pedir isso para você é difícil, sei que você é uma pessoa companheira, mas gaste essa sua virtude com quem realmente merece, porque caso contrário isso, só lhe fará mal.
Ele não parecia muito feliz em ouvir aquilo.
- E sobre os outros babacas que enchem seu saco sempre, incluindo o que você brigou hoje, apenas tente os ignorá-los, porque não vale a pena você gastar suas energias com idiotas do tipo, eles são apenas pessoas dignas de pena que precisam humilhar os outros para se sentirem melhor. - meus olhos começaram a ficar molhados após isso - E outra, saiba o seu valor, tenha amor-próprio, você não é esse bosta que esses filhos da puta dizem que você é, és melhor do que isso, muito melhor!
Nessa hora não consegui mais segurar as lágrimas, e percebi que o mini-Brian também não.
- E claro, seja você mesmo SEMPRE, não mude por NINGUÉM, pois aqueles que gostarem de você e forem seu amigo, o farão pelo que você é, e não pelo que os outros querem que você seja.
O Brian de 13 anos fazia todo esforço do mundo para não cair aos prantos, e provavelmente por isso me perguntou:
- Você tem alguma notícia boa para me dar?
Enxuguei as lágrimas do rosto, e disse:
- Sim, tenho... - suspirei, e falei - Mas antes disso, quero que você se prepare para outra má notícia que irei te dar.
- Manda!
- Você passará agora pelos anos mais conturbados da sua vida, e certamente os mais difíceis, onde você irá se sentir triste, sozinho e com a sensação de não poder contar com ninguém para se sentir melhor... - de novo, as lágrimas insistiam em cair dos meus olhos - mas a boa notícia é que, pode até demorar para acontecer, mas as coisas irão melhorar para você, os piores anos da sua vida serão recompensados com os melhores, e você finalmente irá se sentir bem consigo mesmo e com as pessoas ao seu redor, aliás, finalmente terás a companhia de bons amigos que merecem receber todas as suas virtudes.
O Brian de 13 anos agora sorria para mim, aquilo que falei provavelmente tinha o confortado um pouco.
- E lembre-se... - continuei - haverá um momento em sua vida que receberás a chance de recomeçar do zero e traçar um destino melhor para você mesmo, e quando essa oportunidade aparecer, a agarre com todas as forças e não a deixe passar.
O mini-Brian me olhou nos olhos e disse ainda com algumas lágrimas no rosto:
- Sim, pode deixar!
Ele me deu um grande sorriso, e eu o retribuí com um abraço, que não durou muito, já que pouco depois ele simplesmente desapareceu nos meus braços.
- Suponho que ele acabou de acordar, certo? - perguntei para a minha consciência.
- Exatamente! - falou ele se aproximando de mim.
Até que de repente, todo o cenário em que estávamos começou a tremer.
- E pelo visto, é hora de você acordar também. - falou minha consciência
Após alguns segundos, quando ele começou a se afastar de mim, eu gritei:
- ESPERA!
Ele parou, olhou para mim e perguntou:
- Pois não? - enquanto isso, o cenário continuava tremendo.
- Essa foi a única vez que conversei com um "eu" mais velho, ou houveram outras?
E como era de se esperar, ele simplesmente respondeu:
- Você saberá em breve!
Após isso, aquela cena tinha simplesmente desaparecido diante dos meus olhos, e eu tinha acabado de acordar em minha cama, com o Riddle lambendo minha cara.
- Riddle, por favor... - falei o colocando no chão.
Peguei o celular que estava ao lado da minha cama, e olhei a hora, eram exatos sete e meia da manhã, sendo assim não tardei para me levantar, já que tinha algumas coisas para fazer, e por isso, procurei não pensar muito naquilo que tinha acabado de sonhar, embora fosse difícil.

Brian

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Um pobre cão

Você que acompanha minhas histórias fielmente há um bom tempo, provavelmente deve se lembrar da cadela "Chola" que andava lá por onde eu treinava kung fu, certo? Isso mesmo, "andava", porque já faz um bom tempo que ela não aparece mais por lá.
O que aconteceu com ela? Não sabemos ao certo, as maiores probabilidades (e que mais esperamos que seja) é que ela foi levada dali para um abrigo de animais, ou para ser criada numa coisa, com uma família que cuidará bem dela, e sim, também há a probabilidade de ter ocorrido o pior, mas se tivesse acontecido iríamos saber de alguma forma, já que ela era uma figura marcante do local, principalmente para aqueles que o frequentavam sempre.
De todo o jeito, a presença dela no local fez muita falta, e eu não fui o único a sentir isso, afinal, ela já era o xodó de todos que treinavam ali, até mesmo do mestre. Por um bom tempo, sempre que chegava no local e não encontrava Chola por ali, me sentia frustrado, a alegria que ela tinha ao me ver me motivava bastante para iniciar mais um dia de treino.
Bom, estou dando esse arrodeio todo aqui, mas o assunto principal não é a Chola em si, mas eu precisava falar um pouco dela para vocês entenderem melhor o contexto do que falarei.
Estava eu chegando para mais um dia de treino lá pela UFPE, diferente da maioria das vezes, não fui o primeiro a chegar no local, já estavam lá Manoel, Luiz e o próprio mestre, que no momento conversavam sobre técnicas utilizadas por outros estilos de Kung Fu. Saudei a academia ao entrar no espaço, e depois fui cumprimentar o mestre, Manoel e Luiz, respectivamente.
Após isso, coloquei minha mochila no banco junto das outras e bebi um gole d'água, foi após guardar a minha garrafa que reparei em uma coisa interessante no local. Quando olhei para o lado, me deparei com um cão, não que aparições de cães naquela área era uma coisa anormal, muito pelo contrário, sendo que essa chamou mais atenção, mais do que quando Chola apareceu por lá, inclusive.
Isso porque o cachorro em questão era de um porte maior, não sei dizer qual era a raça exatamente, mas tinha mais ou menos o tamanho de um Boxer, outra coisa que chamava atenção nele era a sua coleira, ou seja, provavelmente ele era fruto de mais um caso de abandono (o que infelizmente era muito normal por aquela área, e meu gato Riddle era a prova viva disso), e o mais triste ainda, é que via-se que o pobrezinho estava muito magro.
- Abandonaram aquele aqui também? - perguntei a Manoel
- Provavelmente... - respondeu ele - o povo não tem jeito, deixam os cães aqui a própria sorte como se fossem nada, isso me deixa puto.
- E esse aí é muito bonito, pô... - comentou Luiz - não sei como alguém tem coragem de abandona-lo por aqui.
Enquanto conversávamos, o cachorro apenas parecia nos observar sem saber o que estava acontecendo, o coitado tinha uma aparência bastante deprimida, não apenas pela sua magreza, mas também pela sua expressão, a típica de um cão que se sente perdido.
Com isso, Luiz foi até ele pra chama-lo a atenção:
- Ei amiguinho, vem cá, vem.
O cachorro não atendeu o pedido de primeira, ficou alguns segundos olhando pra Luiz desconfiado, mas depois, começou a se aproximar mais, quando ele chegou perto o suficiente, Luiz e Manoel começaram a fazer carinho nele, percebendo com mais clareza o quão magro ele estava.
- Ele está péssimo! - comentou Luiz
- Quanto tempo ele está aqui? - perguntei
- Não faço a menor ideia.
- Bom se não for muito tempo, isso mostra que desde que ele estava com o "dono" dele que ele não comia direito. - falou Manoel
Enquanto conversávamos, mais cinco pessoas chegavam para o treino, vindo cada uma delas nos cumprimentar antes de tudo. Alguns vendo também a situação do pobre cachorro vieram dá uma olhada nele também, lhe fazendo um carinho.
Percebia-se ainda mais a tristeza dele quando a gente lhe fazia um carinho, e ele vinha esfregar a cabeça na nossa perna, como se estivesse em busca de consolo. Aquilo era de partir do coração.
Foi então que eu sugeri:
- A gente devia fazer uma vaquinha e comprar um pouco de ração para ele, não acham?
- Seria uma boa. - respondeu Manoel.
Mas pouco depois de falarmos sobre isso, o mestre gritou:
- FORMAÇÃO!
Era o sinal de que o treino iria começar.
- Depois do treino a gente faz isso. - falou Luiz
Eu e Manoel apenas concordamos com a cabeça.
E assim, fomos para as nossas formações, o treino começou, como sempre, com um aquecimento básico (e doloroso ao mesmo tempo), e enquanto aquecíamos, aproveitava para dá uma olhada no cachorro, que naquele momento foi se deitar no canto da academia completamente cabisbaixo, e lá ficou até o fim do aquecimento.
Após isso, saímos um pouco daquele espaço para correr em um dos quarteirões da universidade, e certamente, por isso perdi o cachorro de vista (certamente ele não era que nem Chola, que nos seguia para aonde fôssemos). Quando voltamos para a academia após a corrida, o cão não estava mais lá, provavelmente tinha ido dá uma volta pelo local ou coisa do tipo. Mas de qualquer forma, esqueci um pouco daquilo e passei a me focar mais no treino, que naquele momento iria chegar na parte mais difícil, a parte física.
O treino foi ocorrendo normalmente, mas mesmo concentrado no que estava fazendo, não deixava de checar se o cachorro tinha voltado a dar sinal de vida, o que não havia acontecido ainda até aquele momento.
Passaram-se mais ou menos uma hora e meia de treino (são duas horas e meia no total) quando o mestre nos deu um intervalo para beber água. Nessa momento não fiz nada que não fosse tomar um pouco de água e me sentar um pouco, minhas pernas estavam me matando. Mais uma vez aproveitei para procurar algum sinal do cachorro, o que não ocorreu, àquela altura já estava quase desistindo da probabilidade dele voltar a aparecer.
Naquele dia, o momento da água foi um pouco mais longo do que o normal por conta de umas coisas que o mestre estava discutindo com um dos alunos mais graduados, por isso muitos aproveitaram para jogar um pouco de conversa fora.
Nesse meio tempo, finalmente tinha visto o cachorro novamente, ele estava na calçada seguindo um cara que passeava com seu Golden Retriever, foi então que deparei com uma cena que não saiu da minha mente pelo resto daquele dia.
O pobre cachorro estava atrás do cara com aquele cara de cão perdido, e de início, achei que o cara iria ajuda-lo, já que ele próprio tinha um cachorro e provavelmente entenderia a dor que aquele pobrezinho estava sentindo. Mas infelizmente, o que eu vi estava muito longe disso.
O cara ficava o tempo todo o tratando de forma rude, chegando a xinga-lo, e até mesmo o ameaçando de jogar o chinelo nele caso não o deixasse em paz, tendo inclusive em um momento jogado não exatamente nele, mas quase em sua pata dianteira esquerda. Mas mesmo assim, o cachorro continuava o seguindo e o cheirando, como se estivesse esperança de que aquele era o seu dono.
Aquele cena era de partir o coração, e eu temia que o cara alguma hora fosse perder a paciência e acabasse realmente agredindo o pobre cachorro, por isso, achei melhor interferir de alguma forma.
Fui até a calçada e comecei a chamar a atenção do cachorro.
- Ei garoto, vem cá, vem cá!
O cão simplesmente não reagia ao meu comando, ele continuava com aquele ar de desconfiado e nem sequer latia.
Mas continuei insistindo:
- Vem cá, garoto, vem cá!
- O cachorro é seu? - perguntou o cara com o Golden Retriever.
- Não, mas ele estava aqui desde de hoje cedo, provavelmente o abandonaram aqui.
- Também acho. - falou o cara soltando um certo ar de indiferença.
Me deu vontade de perguntar para o cara o porquê que ele estava sendo tão rude com o pobre cão, se ele não tinha coração ou coisa do tipo, deu vontade de falar também que ele imaginasse o Golden dele no lugar do cachorro se caso algum dia ele o perdesse, se ele gostaria de saber que haveriam o tratado daquela forma rude. Mas fiquei calado, apenas queria convencer o cão a voltar pro espaço da academia, que pelo menos ali, haveriam pessoas que o tratariam com mais dignidade.
Após muito insistir, o cara pegou o cão pela coleira e o conduziu até o espaço da academia, depois de deixá-lo lá, ele me cumprimentou de longe e saiu correndo junto com o Golden Retriever para eliminar qualquer possibilidade do cachorro voltar a segui-los.
O pobre cão ficou alguns segundos em pé apenas observando o cara ir embora, provavelmente, o cara tinha alguns traços que o lembravam  seu dono, e por isso ele não queria deixa-lo ir embora, tanto que não demorou muito para o cachorro voltar para a calçada e correr na direção que o homem tinha ido. Após isso não havia mais nada que eu podia fazer.
E essa também foi a última vez que vi o cachorro por ali, mesmo em outros dias de treino não o vi mais por ali, e certamente, não tinha a menor ideia do que tinha acontecido com ele.
Mas o que tinha me impressionado mais nessa história toda era o quão ignorante o cara com o Golden tinha sido com o pobre cão, porque, como ele próprio tinha um cachorro, provavelmente ele gostava bastante de animais, e normalmente pessoas que gostam de animais (e tem um) costumam a tratar bem aqueles que vivem nas ruas, e principalmente os que são vítimas de abandono, chegando inclusive em alguns casos, abriga-los.
Deixando claro que não estou criticando o fato dele não ter levado o cachorro para casa, porque sei que não é qualquer um que pode fazer isso, e se fosse o caso, eu mesmo teria feito, mas também não era possível por três razões:
1- Eu já tinha um gato em casa, o que causaria um possível conflito entre os dois.
2- O cachorro era grande demais para o apartamento em que moro.
3- Se para conseguir convencer a minha mãe a deixar que trouxesse o Riddle para casa já foi complicado, imagina com um cachorro daquele porte, e como estou muito longe de ter minha casa própria, tinha que simplesmente aceitar aquilo.
O que estou criticando no cara, foi a forma que ele tratou o cachorro, porque não havia necessidade nenhuma dele ter sido grosseiro com o coitado, afinal, ele tinha sido abandonado e estava visivelmente muito triste, e qualquer coisa que o lembrasse seu dono já lhe dava uma forte esperança, e como o homem tinha um cachorro, pensei que fosse entender isso, mas infelizmente não foi o que aconteceu.
Isso só me lembrou situações que via na rua em que pessoas (que passeavam com seus cachorros) ficavam esnobando cães de rua ou os tratando como se fossem nada. Isso sem falar em momentos da minha infância em que passava por um cão de rua e queria fazer carinho nele, mas meus pais sempre não deixavam dizendo que ele iria me morder (ou que traziam doenças), ou seja, ficavam o marginalizando de uma forma ou de outra.
Da mesma forma que a gente marginaliza as pessoas ao nosso redor, também marginalizamos os cães, e um outro exemplo disso foi uma situação que minha irmã passou quando andava na rua que um cachorro ficou a seguindo, e ela ficava convicta de que ele queria mordê-la, quando na verdade só queria um pouco de atenção, e quando alguém a dizia isso, ela respondia:
"Aham, ta certo, queria ver você dizer isso depois que ele te mordesse".
Como se um cachorro chegasse em alguém com a simples intenção de atacar a pessoa (isso sem que ele rosnasse e nem nada do tipo).
Mas uma coisa que me tranquiliza, é saber que há muitas pessoas no mundo preocupadas com o bem-estar dessas criaturas, e que lutam por isso, essas pessoas me fazem ter um pouco mais de fé no mundo.
E se tem uma coisa que aprendi com os anos (principalmente após conhecer Chola), é que um cão de rua quer apenas um pouco de amor e atenção, assim como qualquer cão de raça doméstica.
Mas enfim, como vocês perceberam, a história de hoje foi uma base para que vocês façam essa reflexão, e espero que todos tenham entendido bem a mensagem de quis passar, no mais, muito obrigado a todos pela atenção.

Brian

terça-feira, 19 de julho de 2016

O garoto da estrada

Começarei a história de hoje de um jeito diferente do usual, desse vez, ao invés de contar sobre algo que aconteceu recentemente na minha vida, irei "viajar" um pouco no tempo, mas para um tempo muito distante do atual, para ser mais exato, falarei de algo que aconteceu comigo lá pelos meus 11 anos de idade, ou seja, uns 10 anos atrás (tenho 21 atualmente).
O que vou contar agora, aconteceu em um período meu de férias escolar, na época, a relação da minha família era muito melhor do que é hoje em dia, meus pais ainda eram casados e ainda não estavam naquela fase difícil de brigas infinitas, e claro, a separação deles ainda era uma ideia que para mim naquele tempo não fazia sentido nenhum, mas a história de hoje não discutirá isso.
Naquela época, era bastante comum a gente ir passar duas semanas ou um mês em Porto de Galinhas durante as férias dezembro e janeiro, e aquela vez foi uma dessas ocasiões, nesse caso, passamos especificamente duas semanas lá.
Estávamos retornando a Recife naquele momento, e se quiserem a minha sincera opinião, as duas semanas que passamos por lá foram extremamente chata, nunca fui muito fã de praia para início de conversa, a gente fazia basicamente as mesmas coisas todos os dias e isso sem falar que aos 11 anos eu já não fazia amizades com a mesma facilidade que tinha aos 6 ou 7 anos (sim, fui ficando mais chato com o tempo ha ha).
Mas enfim, estávamos no meio da estrada, meu pai dirigia calado enquanto ouvia seus CD's no rádio do carro, minha mãe dormia um pouco, enquanto eu e minha irmã (que na época tinha 13 anos) fazíamos aqueles nossos jogos que tínhamos para passar o tempo durante a viagem.
Se estávamos perto ou longe de Recife, não fazia a menor ideia na hora, a única coisa com que eu estava preocupado na hora, era em criar frase com as letras que apareciam nas placas dos carros que passavam (sim, esse era o jogo).
Tudo corria na sua mais perfeita normalidade, até que de repente...
POW!
Ouve-se um grande estrondo vindo do pneu dianteiro do carro, fazendo o mesmo dar uma sacudida brusca que acabou inclusive acordando minha mãe de susto. O veículo tinha acabado de passar por cima de um buraco.
Até aí tudo bem, poderíamos voltar tranquilamente àquilo que estávamos fazendo, se não fosse pelo fato que o carro perdeu um pouco de velocidade depois do ocorrido, ou seja, provavelmente o buraco tinha deixado alguma "marca".Percebendo isso, meu pai encostou o carro e desceu para ver o que provavelmente tinha acontecido.
E aconteceu o que muitos de vocês imaginam, o pneu furou. Com isso, tivemos que descer do carro ali mesmo para esperar meu pai resolver a situação.
Antes de tudo, claro, ele ligou o pisca-alerta e colocou o triângulo no chão para sinalizar aos carros que passavam que ele estava parado ali fazendo reparos no veículo. Enquanto meu pai tentava resolver isso, fiquei observando um pouco os arredores do local, apesar que não havia nada de demais, era o mesmo cenário que você encontra em qualquer rodovia brasileira, uma longa estrada com nada ao redor a não ser plantações, e em alguns casos, animais de fazendas (que sempre tem aos montes naquelas regiões).
Engraçado, é que hoje penso que se isso fosse hoje em dia, eu na hora ficaria o tempo todo desconfiado olhando os arredores achando que algum ladrão iria aproveitar a situação para nos assaltar, mas eu era muito inocente na época ainda, por isso, essa possibilidade nem sequer passou na minha cabeça, e a prova disso vem logo a seguir.
Após alguns minutos desde que passamos por cima daquele buraco que furou o pneu do carro, reparei numa coisa um tanto que peculiar. Um pouco atrás da gente, saindo do meio da plantação que havia logo ao lado, apareceu um menino (que aparentava ter mais ou menos a minha idade na época, senão um pouco mais novo) numa bicicleta, que observando através de suas roupas, parecia ser alguém que morava ali pelo campo.
Qualquer um no meu lugar com certeza pensaria que ele estava ali pra assaltar a gente, acho que com certeza minha mãe achava isso, tanto que ficou com um ar de desconfiança quando olhou para ele. Mas como disse antes, eu era muito inocente na época, de primeira supus que era alguém que viria nos oferecer ajuda, mas no fim não foi nem um e nem outro.
Definitivamente ele não era nenhum ladrão, porque ele tinha a chance perfeita de nos assaltar naquele momento e não fez nada, e por isso também que ele não veio oferecer ajuda, pelo que se observava. O garoto ficou apenas ali nos observando com um meio-sorriso no rosto, por alguma razão, ele achava aquilo tudo intrigante.
Na hora, até pensei em fazer algum tipo de contato, fosse acenar ou ir lá falar com ele pessoalmente, puxar conversa e fazer amizade, quem sabe, mas eu era tímido demais pra isso (pra vocês verem que essa minha extrema timidez não é de hoje), enquanto isso, meu pai se concentrava apenas em trocar o pneu, e minha mãe e minha irmã simplesmente ignoravam a presença do garoto ali.
Passava-se o tempo, passavam-se os carros pela rodovia, e o garoto continuava ali, observando tudo como se fosse um espectador em um programa de TV, provavelmente esperando ansiosamente pelo desfecho final da trama sobre uma família que tentava desesperadamente trocar o pneu do carro para retornar de sua viagem. E durante todo esse processo, o garoto não dava um pio.
Comecei a me perguntar onde estariam os pais daquele garoto, e se eles estariam o procurando naquele momento, aliás, não fazia a miníma ideia de onde seria possivelmente ele mora, então também nem imaginava o quão longe ele estava de casa. Eu era uma criança que foi muito protegida pelos pais, por isso, pra mim não era normal ver alguém da minha idade andando solto por ai sozinho sem a presença dos pais, já que normalmente quando ia para os locais, seja lá qual fosse, se meus pais não fossem, eles só me deixariam ir na presença de algum adulto responsável. E para vocês terem ideia do quanto meus pais me protegeram até demais, só aprendi a andar de ônibus aos 16 anos, mas isso não vem ao caso agora.
Não fazia ideia de quanto tempo tinha se passava, mas se fosse pra dar um palpite, diria que passaram-se meia hora até o momento que meu pai tinha finalmente terminado de trocar o pneu, com isso, a gente pôde finalmente voltar pro carro e seguir viagem. Já dentro do veículo, pouco antes de ser dada a partida, olhei para trás para ver a reação do garoto agora que iríamos embora, e fiquei intrigado ao ver que assim que o automóvel começou a andar, ele acenou em nossa direção dando "tchau", pensei em responder o aceno, sendo que mais uma vez a minha alta timidez não deixou. Após isso, o menino montou em sua bicicleta e voltou para o local de onde veio, provavelmente indo no caminho de volta para casa.
Com isso, conclui que o garoto em questão não passava simplesmente de uma criança curiosa que passava pelo local, viu o que estava acontecendo na hora e resolveu ficar lá assistindo esperando algum desfecho. Ou então, ele aproveitou para usar a criatividade e supor o como tínhamos parado ali, ou até mesmo, começou a criar uma história pra gente, imaginando todo um enredo espetacular que de uma forma ou de outra, nos levaria para aquele momento. Falando assim pode até soar um pouco "viajado", mas era o que eu teria feito no lugar dele, porque afinal, a imaginação de uma criança daquela idade normalmente funciona de uma forma incrível, sendo capaz de transformar uma situação aparentemente chata em uma grande aventura.
Mas no fim, nada aquilo importava mais, sendo assim, voltei a me focar naquele jogo com a minha irmã e aguardei a nossa chegada em Recife.


Brian

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Uma noite para não esquecer - Parte II - A parte interessante da noite

PARTE I
(...)
Naquele momento, ela apenas olhava seu celular sem prestar atenção no que acontecia ao redor, e eu ia na direção decidido no que ia fazer, mas claro, não podia ser diferente, aquele maldito frio na barriga subiu em mim.
Por momento, quase eu hesitava sobre tomar essa atitude, por mais "foda-se" que estivesse, o meu lado tímido ainda assim falava alto, e até demais. Mas mesmo esses meus velhos pensamentos não foram o suficiente para me fazer dar um passo atrás sobre a minha decisão.
E o pior é que não fazia a menor ideia do que falar quando chegasse nela, e eu estava com uma porra de uma rosa na mão, teria que usar um pouco a minha criatividade que normalmente falha nesses momentos, e ainda teria que pensar rápido, o que só piorava as coisas.
Então chegou a hora H...
- Pra você! - falei entregando a rosa
De início, Marina pareceu um pouco assustada, o que é normal, cheguei nela meio que "repentinamente". Certamente houve um estranhamento da parte dela no início, mas depois de observar bem a situação, ela gentilmente recebeu flor, sorriu e disse:
- Obrigada.
Após isso, veio o momento constrangedor onde eu simplesmente não sabia o que fazer, ou o que dizer, e como não podia deixar de acontecer, minha mão começou a tremer pra caramba e isso ficou MUITO evidente.
- Posso me sentar aqui contigo? - perguntei no impulso, ficando com a sensação de ter feito uma pergunta estúpida.
Ela riu e disse:
- Sim, fique a vontade.
Dessa vez posso dizer que definitivamente eu não estava mais no modo "foda-se", estava tremendo mais do que um porco prestes a ser abatido. No fim, as minhas velhas paranoias de sempre voltaram a me atormentar em questão de segundos, mais uma vez fiquei com esses malditos pensamentos de que provavelmente eu estarei incomodando e que o melhor a fazer seria me retirar.
Mas, o que aconteceu a seguir acabou aliviando um pouco da minha tensão.
- Tudo bem? - perguntou ela
"Bom, se ela perguntou isso primeiro, deve ser porque há um interesse dela de iniciar uma conversa" pensei.
- Sim, e contigo? - perguntei de volta
- Só um pouco entediada, mas estou bem. - respondeu ela
A gente sorriu um pro outro, mas depois ficamos alguns segundos calados, causando mais um daqueles momentos constrangedores onde nenhum dos dois sabiam o que dizer.
- Você é lá da faculdade, né? - perguntou ela
- Sim, sim! - confirmei
- Faz jornalismo, certo?
- Exato! - confirmei mais uma vez - e você também, né?
- Isso mesmo.
- Desconfiei, a gente está sempre nos mesmos locais.
Dei uma leve risada como resposta, uma risada que foi um pouco falsa, mas é uma coisa que faço quando normalmente não sei o que falar.
Aliás, se tem uma coisa que sempre fui ruim nessas horas é puxar assunto com as pessoas que não conheço, tanto que por isso que na grande maioria das vezes que ia para algum local sozinho eu não fazia nenhum amigo, mesma razão também pra o fato que nunca conseguia me envolver com uma garota nesses locais.
- Qual o seu nome? - perguntou ela após mais alguns segundos com os dois calados.
- Ah, prazer, Brian.
- Prazer, Marina. - eu já sabia, mas claro que não falei isso na hora.
Apertamos a mão um do outro, e depois a iniciativa da conversa finalmente veio de mim.
- O que está achando da festa? - perguntei
- Sinceramente? Chatinha, mas posso ta falando isso por não gostar muito desse tipo de ambiente.
Dei uma risadinha baixa, e disse:
- Te entendo, estou me sentindo da mesma forma... - e depois continuei - na verdade, nem estava muito afim de vim, mas meus amigos me encheram tanto o saco que acabaram me convencendo.
- Comigo foi quase a mesma coisa, e eu ainda tinha prometido a minhas amigas que um dia faria o programa delas, e aqui estou.
- Não valeu muito a pena pelo visto, né?
- Não mesmo. - falou ela rindo
Então ela deu uma suspirada e disse:
- Obrigada novamente pela flor.
- De nada. - falei um pouco sem graça.
- Mas, você se importa se eu te fizer uma pergunta bem direta?
- Manda!
Ela respirou fundo, e falou:
- Dada a temática da festa e a razão pela qual essas flores estão sendo distribuídas, isso há um significado a mais, certo?
Já que ela tinha sido tão direta assim, seria cara de pau da minha parte dizer que não, sendo assim, fiz para ela aquele olhar de confirmação, mas sem dizer nada e ficando completamente sem graça.
Marina apenas riu e ficou me encarando como se estivesse achando graça do quão nervoso fiquei após a pergunta.
- Relaxa, menino. - disse ela passando a mão dela sobre a minha
E juro que não é exagero meu, só aquilo foi o suficiente pra eu saber que devia seguir em frente e que provavelmente aquilo daria em algo. Então falei:
- Sim, é que te achei muito, muito bonita, e aí achei interessante vim aqui falar contigo e lhe entregar essa rosa. - minha mão estava tremendo mais que nunca.
Marina ria, mas ao mesmo tempo ficava vermelha, provavelmente ficou sem graça por conta do elogio que fiz.
- Obrigada! - disse ela
Apenas sorri, e depois disse:
- Ah, e outra coisa que me chamou atenção em você são as suas mechas azuis no cabelo, realçam bastante a sua beleza.
Marina não conseguia mais esconder que estava ficando sem graça.
- Muito gentil da sua parte dizer isso.
E assim sorrimos um para o outro e ficamos mais um momento calados.
- Mas enfim... - falei - já que estamos aqui, fale-me um pouco de você.
- Bom, por onde começar...?
Então ela começou a me falar um pouco de sua vida, algumas informações eu já sabia, como o fato dela ter nascido em São Paulo e dela ser uma "gamer" declarada, as novidades foram o fato dela gostar de pelo menos uma parcela das bandas que eu também gosto, dela ter dois gatos e um cachorro (pug), dela ser cinefíla e de seu maior sonho ser morar nos Estados Unidos.
Depois eu falei aqueles fatos que vocês já conhecem sobre mim, que gosto muito de rock, que tenho um gato chamado Riddle, que até certo tempo pratiquei kung fu, que tinha descendência canadense. e entre outros.
Dali pra frente, a conversa passou a fluir normalmente, a coisa realmente parecia que iria pra algum canto, e eu estava gostando muito daquilo. Papo vai, papo vem, até que chegou em momento que Marina olhou pra mim e disse:
- Vamos jogar um pouco? - falou apontando pra mesa de sinuca
- Claro! - falei
Com exceção de Rafael e Duda, os outros ainda se encontravam lá jogando, e pelo visto ainda estavam bastante enrolado com o jogo que estavam fazendo, nos aproximamos, pedimos para entrar no jogo e pegamos um taco cada um.
Naquele momento (sem Marina perceber, certamente), Lúcia me aquele olhar como se dissesse "Ta podendo, hein?", e eu apenas ri.
Enquanto jogávamos, percebi que Marina não tinha lá muito intimidade com o taco e sempre acabava se enrolando na hora de jogar, e claro, fiz questão de ajuda-la em relação a isso, a ensinando como se deve dar a tacada, e da mesma forma sempre procurei apoia-la em toda jogada que fazia, mesmo as mais merdas. E ela também fazia o mesmo quando eu ia fazer as minhas jogadas.
E admito, estava rolando um clima forte entra a gente, e os outros ao redor percebiam isso, tanto que aos poucos eles foram deixando a mesa para nos deixarem sozinhos. Quando percebemos isso, ainda jogamos por um tempinho, mas com o passar dos minutos aquele joguinho já estava ficando chato.
- Isso aqui já cansou, né? - falou Marina
- Também acho. - concordei
Após recolocamos os tacos em seus devidos lugares, perguntei:
- O que faremos agora?
Marina pensou por alguns segundos, e disse:
- Que tal a gente ir dançar?
- Mas eu não sei dançar.
- Ué, eu também não... - disse ela -  e essa é a graça.
Não sei porque, mas aquilo por incrível que pareça foi o suficiente para me convencer.
Então dessa forma descemos para a pista de dança, chegando lá embaixo, a primeira coisa que vi foi Lucas ainda com aquela garota, sendo que dessa vez os dois estavam bebendo e conversando no balcão.
"As coisas tão fluindo pra caralho ali." pensei.
Não muito depois avistei também Rafael e Duda dançando juntos, tendo pouco depois os dois se beijado também. A música tocava era mais um daqueles remixes de músicas pop que estavam na mídia atualmente, boa parte que eu nem sequer curtia direito, mas não reclamava porque se tem uma coisa que já estou acostumado é com o fato desses locais não tocarem o tipo de música que gosto.
Então começamos a tentar dançar no meio daquilo ali, se estávamos conseguindo, aí é outra história, porque realmente, nenhum de nós dois sabíamos dançar, mas a gente àquela altura não nos importávamos mais com isso, inclusive achávamos aquilo engraçado e nos divertíamos bastante por isso. Por mais ridículo que estivéssemos parecendo ali, a gente só fazia rir disso, a ponto que podia está todo mundo daquele local olhando estranho para nós, que não iríamos nos importar.
De início, estávamos dançando ainda separados um do outro, mas o tempo todos soltávamos "aquele olhar" um para o outro, e constantemente ríamos, e seu sorriso sempre a deixava mais linda do que o normal.
Até que chegou um momento que começaram a tocar uma daquelas músicas de forró que todo mundo costuma ouvir, e claro, foi o momento em que os casais começaram a dançar "agarrados". No início fiquei um pouco acanhado de chamar Marina para dançar dessa forma (pra variar), mas acabou nem sendo tão complicado assim, apenas olhei em seus olhos e segurei sua mão que ela já entendeu o recado.
Por incrível que pareça, por mais que não soubéssemos dançar, até que desenrolamos bem, foi menos ridículo do que imaginava. Mas isso já não importava mais pra gente, queríamos apenas curtir o momento.
E assim o clima entre nós dois foi esquentando, tanto que de vez em quando ela me puxava pra junto dela, dando inclusive a impressão que iria me beijar, na verdade, não sei se ela realmente pretendia fazer isso e hesitava, ou se estava provocando mesmo.
Mas de qualquer forma, via-se em seus olhos o seu interesse, tanto que aos poucos nos aproximávamos cada vez mais, tanto que chegou um momento que a música mudou mas a gente nem reparou, continuávamos ali dançando juntos.
O clima entre a gente já estava tão forte que chega era inevitável o que iria acontecer a seguir, e imagino que vocês sabem muito bem o que foi. Não demorou muito e finalmente nos beijamos, e dessa vez foi sem aquela enrolação em que eu ficava na maioria das vezes que vocês que acompanham minhas histórias conhecem muito bem.
Por dentro ri um pouco de mim mesmo e não acreditei que aquilo estava acontecendo, justamente pelo fato que o normal era eu ficar numa enrolação da porra em relação a ela por meses, e dessa vez não demorou nem 24 horas, certamente fiquei feliz, porque significava um avanço meu.
O nosso beijo foi daqueles bem demorado, a ponto de esquecermos todos ao nosso redor, e pior que provavelmente um fotógrafo da festa tirou uma foto da gente nesse meio tempo e nem nos dermos conta, não que isso importasse alguma coisa na hora, estávamos ocupados com algo bem melhor.
Depois de um longo tempo, finalmente nos soltamos um pouco e olhamos nos olhos um do outro, a sensação dela era a mesma que a minha, ainda não havia caído a ficha do que tinha acabado de acontecer, e com isso a gente riu um pouco da situação, e logo depois voltamos a nos beijar.
E após esse beijo terminar, continuamos dançando ali, pouco depois apareceram as amigas delas, Lúcia, Liam, Rafael e Duda pra se juntarem a gente (e Lucas ainda continuava com aquela garota). Provavelmente eles todos já sabiam do que tinha acontecido entre eu e Marina, aliás, com certeza pelo menos um deles viu, mas até aquele momento ninguém comentou, e também nem eu e nem ela demonstramos muito na hora, mas ainda assim a gente não parava de soltar olhares um para o outro.
Àquele ponto tinha conseguido sair do tédio total que eu estava lá para uma das noites mais memoráveis da minha vida, e a coisa ainda não tinha acabado por ali. Em um momento, decidimos todos dar uma pausa na dança e fomos nos sentar, nesse meio tempo, Marina e as amigas foram no banheiro, e eu fiquei ali com o resto do pessoal.
E claro, a primeira que Lúcia me perguntou foi:
- E aí? - me soltando aquele olhar de "safadinho"
- Eu vi vocês dois, hein? - falou Rafael
Eu ri, e disse:
- Então vocês sabem muito bem a resposta. - falei soltando um sorriso bobo.
Claro, na hora me pediram para contar todos os detalhes, e assim o fiz, quer dizer, não tudo porque um tempo depois Marina voltou do banheiro com as amigas e eu desconversei com eles dizendo que contava o resto depois.
Quando todos se reuniram novamente, entramos numa longa conversa sobre todos os assuntos possíveis, nisso também, descobrimos um pouco sobre as amigas de Marina, como por exemplos os seus nomes, que eram Laura e Daniela.
No meio disso, não sei se alguns deles repararam, eu e Marina ficamos de mãos dadas o tempo todo e algumas vezes com ela encostando a cabeça no meu ombro.
Já eram quase duas da manhã, e por incrível que parecesse, o pessoal já parecia um pouco cansados, até voltamos um para a pista, zoamos mais um pouquinho, mas o cansaço já era bem visível neles. Mas ainda assim eles ficaram por lá se divertindo até duas e meia da manhã, quando finalmente decidiram ir embora, foi nessa mesma hora que Lucas reapareceu entre nós cheio de marcas de chupões no pescoço, e claro, o zoamos um pouco por conta disso, e mesmo com a gente perguntando os detalhes daquilo e da garota em questão, ele apenas desconversou e disse que depois contava. Também notava-se um alto nível de etílico em sua fala.
Enquanto eles iam pagar tudo que consumiram (nem eu e nem Marina tínhamos consumido nada), Marina veio no meu ouvido e perguntou:
- Depois dele irem, queres ir no Marco Zero comigo?
Sem nem hesitar, falei:
- Claro!
Com isso, ela deu aquele belo sorriso para mim.
Após todos pagarem o que deviam, fomos para o lado de fora da pub e cada um esperou o seu transporte pra voltar pra casa. Lúcia, Liam, Rafael e Duda racharam um táxi, eles moravam praticamente juntos, Lucas esperou o pai dele vim pega-lo, enquanto Laura e Daniela esperaram o pai de Laura vim busca-las. Como Marina tinha vindo com elas, Laura perguntou se realmente não queria uma carona, mas Marina recusou e disse que de uma forma ou de outra pretendia voltar de táxi, as duas simplesmente aceitaram, mas com certeza já sabiam a real razão daquilo.
Após alguns minutos, finalmente sobrou apenas eu e Marina ali.
- Vamos? - perguntou ela
- Vamos!
Antes de tudo, compramos uma garrafa d'água cada um com um ambulante que estava ali, tínhamos bebido nada lá dentro e o preço com ele estava muito mais justos do que os de lá, e depois disso fomos em direção do Marco Zero.
As ruas estavam um pouco vazias, certamente andamos com cuidado por ali sempre olhando se não havia ninguém suspeito, mas felizmente havia um bom número de policiais na área, afinal, ainda tinha bastantes estabelecimentos abertos por ali.
A movimentação no Marco Zero até que estava boa apesar do horário, claro que não tinha gente pra cacete, mas tinha pelo menos um bom número, boa parte era composto por grupo de amigos e principalmente casais que procuravam um momento a sós.
Felizmente, havia um policiamento por ali e também bastante táxis, aliás, os bares dali ainda estavam abertos e a todo vapor.
Nos sentamos em um banco por ali e de início não falamos nada, eu como sempre tinha problemas para começar a puxar um assunto. Nesse meio tempo, Marina segurou mais uma vez em minha mão e encostou a cabeça em meu ombro.
Por um tempinho ficamos calados, apenas curtindo o momento e observando a paisagem que o Marco Zero nos proporcionava. Até que Marina falou:
- Hoje foi divertido, né?
- Sim, com certeza! - concordei
Nessa mesmo tempo, um vento frio mais forte soprou, e com isso Marina me abraçou fortemente, e eu, certamente, retribui.
- Sabe que estou achando isso tudo até engraçado? - disse ela
Dei um sorriso bobo e disse:
- Eu também estou, acredite.
- É, que... Cara... - falava ela - nunca fiquei com alguém dessa forma que a gente ficou com ninguém.
- Está aí mais uma coisa em comum então.
Rimos um pouco, e depois eu disse:
- E olha que normalmente quando esse tipo de coisa acontece, um dos envolvidos, ou os dois, estão bêbados, e a gente está puramente sóbrio.
Ela simplesmente apertou mais o abraço, riu novamente e me deu um beijo no rosto.
Após mais um momento calados, falei:
- Me responder uma coisa...
- Diga.
- O que te chamou a atenção em mim para chegarmos nesse ponto?
Marina se surpreendeu um pouco com a pergunta, e disse:
- Porque perguntas isso?
- É que... sei lá... a ficha não caiu ainda, tipo, lá na faculdade quando a gente se cruzava nunca pareceu que você reparava em mim sabe? - falei - e de início achei que seria a mesma coisa hoje.
Ela riu um pouco, e disse:
- E você reparava em mim?
- Tinha como não reparar? Linda do jeito que você é?
Ela riu novamente, e falou:
- Bom, vou ser sincera, realmente não reparava muito em você na faculdade, mas juro que não é por "não ir com a sua cara" e nem nada do tipo, é só que eu sou muito na minha, sabe? - explicou ela - e normalmente não reparo bem nas pessoas com quem não convivo muito.
- Entendo, mas isso ainda não responde a minha pergunta.
Marina deu uma suspirada, e disse:
- O que me chamou a atenção em você o como chegaste em mim, sei lá, achei muito fofo e nenhum garoto nunca veio falar comigo daquela forma, normalmente sempre chegam falando besteira ou soltando aquelas cantadas podres, sabe?
Eu apenas a ouvia atentamente.
- E você já é bonito a princípio, caso queira saber, e com o jeito que você chegou pra falar comigo foi o diferencial... - ela deu uma rápida pausa e continuou - e vi que independente se rolasse algo entre a gente ou não você poderia melhorar a minha noite de alguma forma, que estava bem chata diga-se de passagem, então resolvi dar uma chance.
Quando ela terminou de explicar, eu não falei mais nada, apenas viramos o rosto um para o outro e nos beijamos mais uma vez.
E assim aproveitamos a companhia um do outro no Marco Zero, não apenas se beijando, mas também se conhecendo um pouco mais. E ficamos nisso até mais ou menos umas três e pouca da manhã, quando a movimentação no local diminuiu mais e decidimos que era hora de ir.
Com isso, acompanhei-la até o táxi que estava logo ali, antes dela entra, ela se virou pra mim e disse:
- Obrigada por essa noite.
- Eu que agradeço. - falei sorrindo.
Demos um último beijo, e depois eu disse:
- Vamos sair novamente algum dia?
- Com certeza, é só chamar.
Claro, a gente tinha trocado contatos antes disso.
Demos um último selinho, e assim ela entrou no táxi.
- Avisa quando chegar em casa.
- Está bem!
Nos despedimos e o táxi deu partida.
Após isso, peguei o outro táxi que estava por ali e também segui meu caminho para casa, e claro, praticamente não dormi naquela noite só pensando naquilo tudo.


Brian

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Uma noite para não esquecer - Parte I - O chato começo

Acreditem se quiser, mesmo depois de já ter tido de experiência que provava que isso não é minha praia, meus amigos me convenceram mais uma vez para ir em mais uma dessas festas de pub's da vida.
Por que aceitei? Não sei ao certo, provavelmente porque eles torraram meu saco pra isso, ou então, porque eu não tinha mais nada de melhor pra fazer no dia. Mas também podia ser que eu quisesse simplesmente esquecer um pouco os problemas e tentar me divertir um pouco, apesar que dificilmente me divertia nesses ambientes, de qualquer forma, estava disposto para tentar de novo.
A festa em questão tinha uma temática, como ela aconteceria no sábado anterior ao dia dos namorados, certamente a temática seria essa. Mas sério, na moral mesmo, isso para mim não influenciou em nada, e sinceramente, não estava indo nesse evento com o intuito de "pegar" alguma mina, juro que essa era uma das minhas últimas motivações para ir (que não eram tantas assim, pra falar a verdade), principalmente depois das últimas dores de cabeça que tive relacionados ao assunto que relatei aqui em histórias anteriores, então, o que mais queria é um pouco de distância desse assunto.
Mas enfim, o local em questão era uma daquelas pub's que tinha no centro da cidade, iam comigo Lúcia, Liam (namorado de Lúcia), Rafael, Duda (namorada de Rafael) e Lucas. A festa começaria lá por dez da noite, ou seja, ainda teria muito tempo para perder naquele sábado, tanto que por isso nós nos reunimos na casa de Lúcia naquela tarde para aproveitar um pouco o tempo juntos, afinal, aquela também era a nossa primeira semana de férias.
Durante aquela tarde toda, jogamos conversa fora, jogamos alguns jogos, alguns beberam umas latas de cerveja (eu não) e pedimos duas pizzas para todos, isso até mais ou menos cinco da tarde, após isso, alguns ainda foram se arrumar para apenas de quinze para as sete a gente ir para a parada de ônibus em direção da pub.
Chegamos por lá umas oito e meia, o caminho era longo e o trânsito também não ajudou muito, mas de qualquer forma, ainda era cedo por conta do horário que o evento começaria, mas de qualquer forma, eu e Lucas ainda tínhamos que comprar nossas entradas, podíamos ter comprado mais barato antecipadamente, mas acabamos decidindo ir apenas de última hora.
De qualquer forma, ainda tivemos que esperar um pouco, porque a bilheteria era dentro do local e só seria aberta no mesmo horário de abertura da casa, então, com isso fomos dar umas voltas pelas ruas do centro, que estavam bem movimentadas (claro, era um sábado a noite).
Quando deu próximo de nove e meia da noite, a gente voltou para a frente do local para aguardar a abertura dos portões. Chegando lá, já víamos uma fila ainda pequena começando a ser formada, e assim nos juntamos a ela.
Enquanto isso, continuamos jogando conversa fora, eu ouvia meus amigos atentamente até um certo momento quando reparei na chegada de uma pessoa que mudaria o rumo daquela minha noite, e vocês entenderão o porquê.
Lembram da tal garota com as mechas azuis que falei algumas histórias atrás? A Marina? Pois bem, ela tinha acabado de descer de um carro que parou na frente do local, e estava acompanhada por duas amigas.
Claro, Lúcia também tinha reparado na presença dela, e na mesma hora começou a olhar como se estivesse dizendo "olho só quem está aqui", mas sem falar nada.
Quando Marina passou por mim, apenas agi normalmente, afinal, não havia razão pra eu ficar nervoso, a gente nunca nem sequer conversou direito, mas de uma forma ou de outra a beleza dela me encantava.
Depois disso, voltei a jogar conversa fora com o pessoal, até que quando finalmente deu dez da noite, os portões finalmente foram abertos, Lúcia, Liam, Rafael e Duda logo entraram por já terem os seus ingressos em mão, enquanto eu e Lucas fomos comprar os nossos.
Quando finalmente entramos, nos juntamos aos outro e circulamos um pouco pelo local. Eu e Lucas já tínhamos ido lá em uma ocasião anterior, mas para o resto era a primeira vez dele lá, então, tudo aquilo era uma novidade.
Depois, paramos no balcão e começamos a olhar as opções de bebidas que havia, quer dizer, eles olharam, porque só os preços das coisas lá me assustavam bastante, uma garrafa d'água custava cinco reais, e se antes já não pretendia beber nada que contivesse álcool, ver os valores foi só mais um incentivo pra isso, uma dose de vodka por exemplo, custava sete reais.
"Ainda bem que já tomei duas garrafas d'água lá fora" pensei. Garrafas essas que me custaram dois reais.
Enquanto o pessoal bebia e conversava um pouco, aproveitei para observar a movimentação. Aos poucos, o fluxo de pessoas ia aumentando, afinal a festa só estava começando e provavelmente muitos ainda iam chegar mais tarde. E como vocês podem imaginar, meus olhos procuravam por uma pessoa em específico, e vocês imaginam bem quem seja.
Após alguns segundos procurando, avistei Marina subindo pro andar de cima (onde me encontrava naquele momento), ela e as amigas pareciam também estar explorando o local pela primeira vez. Houve um momento em que elas passaram por mim, mas nessa hora me fiz de desentendido para não deixar tão na cara de que estava observando elas.
Nessa hora, Lúcia e Lucas perceberam o que eu estava fazendo, e mais uma vez me deram aquele olhar de "sei bem pra quem você está olhando, hein?" e eu apenas me fiz de desentendido sem falar mais nada.
Depois disso, finalmente descemos para a pista de dança onde eles foram descer, e eu, tentei fazer o mesmo, mas até agora não identifiquei o que caralhos fiz lá embaixo, mas "dançar" com certeza não era.
Durante isso, no meio da pista avistei mais uma vez Marina e suas amigas dançando por ali, quer dizer, as duas meninas que estavam com ela pareciam estar se divertindo bastante, mas ela em si parecia um pouco acanhada e tentava apenas fazer alguns movimentos que lembrassem uma dança. Uma de suas amigas percebeu isso e meio que começou a tentar ensina-la a dançar melhor, no meio disso ela provavelmente achou aquilo engraçado e começou a sorrir, e cá entre nós, o sorriso dela é simplesmente lindo.
Enquanto estava devaneando por conta de Marina, Lucas me chamou a atenção:
- Brian? - falou ele gritando (o som estava muito alto, certamente)
- Oi? - falei
- Tas olhando o que? - perguntou ele
Pensei até em dizer a verdade, mas desisti e respondi:
- Nada não!
Ele não questionou.
- Olha, tem aquela tinta que brilha ali, a gente vai pintar o rosto com ela, quer também?
Então respondi:
- Eu acompanho vocês, mas não quero passar esse treco na cara não.
- Ok então.
Nessa hora eu pensei, "porra, pareci um velho resmungão falando agora".
Todos eles pintaram a cara com aquela tinta, e eu fui o único chato do grupo que não quis fazer aquilo, mas realmente não estava me importando com aquilo no momento. Depois de todos eles estarem com a cara pintada, voltamos para a pista de dança, e no caminho passei mais uma vez por Marina, sendo que dessa vez com um diferencial, nossos olhares se cruzaram.
No meio da pista, além de tentarmos dançar novamente, Lúcia ficou tirando inúmeras selfies nossas, isso sem falar dos fotógrafos da festa que de vez em quando tiravam fotos nossas também.
Como já tinha dito mais atrás, a temática da festa era do dia dos namorados, e por isso vez ou outra eram distribuídas algumas rosas entre o pessoal, isso servindo de incentivo para alguns chegarem em alguma garota ou garoto. E antes que me perguntem, não, não peguei nenhuma, porque como já tinha dito anteriormente, eu não estava afim de me envolver com nenhuma garota naquela noite (e a partir disso comecei a me perguntar o que raios tinha ido fazer ali).
Rafael e Liam aproveitaram e pegaram uma rosa para as suas respectivas namoradas, e Lucas também pegou uma e deu pra uma garota que tinha meio que puxado ele pra dançar. Em resumo, todos naqueles momento tinham um casal, menos eu, mas juro pra vocês que não estava me importando nem um pouco com aquilo.
Vendo que estava sobrando ali, fui simplesmente me encostar no balcão enquanto eles se divertiam, até pensei em pedir algo pra beber, sendo que mais uma vez a minha pirangagem falou mais alto. Durante isso fiquei apenas vendo a movimentação e pensando comigo mesmo as razões que me fizeram ir pra aquela festa, e ainda assim não encontrava uma boa.
"Porra, eu podia ta em casa dormindo, vendo série, jogando, vendo filme, ou sei lá", e ainda tinha pago 60 reais só pra está ali, definitivamente, tudo indicava que eu tinha entrado num programa de índio.
"To ficando velho e chato, na moral" pensei comigo mesmo rindo disso.
De uma forma ou de outra, se o plano era ter ido lá pra me divertir, ele estava dando miseravelmente errado.
Um tempo depois, o pessoal veio em minha direção (com exceção de Lucas que estava bem ocupado nessa hora, se é que vocês me entendem).
- Você está aí... - falou Lúcia - você sumiu de repente.
- É que vocês todos estavam ocupados e eu não estava fazendo nada ali no meio, então vim me encostar um pouco. - respondi
- Aliás, cadê Lucas? - perguntou Rafael
Apontei o dedo para a pista, e todos viram ele ainda dançando com a tal garota, e ao que parecia estava rolando um clima entre os dois.
- Quem é aquela? - perguntou Lúcia
- Não faço a menor ideia. - respondi
Ninguém falou mais nada depois, principalmente porque estava tudo tão claro quanto o raiar do sol.
- Vamos subir, pessoal? - perguntou Lúcia
- Bora! - responderam todos
- Vamos deixar Lucas se resolver aí com a "boyzinha" dele. - completou ela rindo
Enquanto andávamos, dei uma leve olhada para trás pra ver se encontrava aquela pessoa de novo, mas dessa vez foi sem sucesso.
Quando subimos, a primeira coisa que o pessoal fez foi comprar mais bebida (certamente), e eu, pra variar, só observei. Após isso, Rafael sugeriu que sentássemos um pouco, e assim a gente fez.
Mesmo enquanto conversávamos, eu ainda parecia um pouco "avoado", olhava constantemente para os lados meio que na esperança que aquela pessoa passasse, e foi assim que parei e pensei.
"Caralho, bicho, vocês dois nunca se falaram direito, fica de boa."
Os outros pareciam não reparar, mas Lúcia percebia claramente a minha inquietação.
- Brian? - chamou ela
- Oi! - respondi
- Tá tudo bem?
- Sim, porque não estaria? - percebia-se na minha voz que eu estava mentindo.
- To achando você tão quieto.
- Ah, não é nada demais, só não tenho o que falar mesmo.
- Sei... - falou ela me soltando aquele olhar mais uma vez.
Com isso, voltei minhas atenções de volta para o pessoal, tentava interagir mais, mas não conseguia. Tipo, sério, eu não estava me divertindo nem um pouco ali.
Enquanto isso, Lucas ainda estava lá embaixo com aquela garota. "A coisa deve ta boa" pensei.
Nesse meio tempo, avistamos a mesa de sinuca que tinha ali vazia, então decidimos ir lá jogar. Pra mim poderia ser até bom, já que seria algo para que eu pudesse me divertir um pouco naquele ambiente que não me agradava nem um pouco.
Mas no fim, parecia que nem aquilo estava me entretendo, dava umas tacadas ou outras na maior má vontade possível, até que chegou o momento em que simplesmente deixei o taco de lado e me sentei no sofá que tinha perto da mesa.
De início todos estranharam eu ter desistido de jogar tão repentinamente, mas depois deixaram para lá e continuaram, apesar que percebia já que Lúcia estava inquieta por conta de mim, ela sabia que algo estava errado comigo, mas de qualquer forma, ela voltou sua atenção pro jogo.
Nesse instante reparei que eu era o único desanimado no recinto, normalmente nessa hora começaria a me preocupar com o que os outros ao meu redor estaria pensando de mim nesse momento, mas meu estado de espírito estava tão escroto que realmente não estava me importando com isso, o que é uma coisa boa, dada a ocasião.
Minha mente só se focava nisso, até que adivinha quem apareceu? Exato, Marina!
Ela e as amigas subiram e ficaram perto do balcão, certamente iriam comprar algo para beber. Percebi enquanto isso, que as duas meninas que estavam com Marina também tinham colocado aquela tinta na cara, mas ela pelo visto também não quis, era a única com a cara limpa.
Pelo seu olhar, Marina também parecia um pouco deslocada das outras, como se ela não quisesse estar realmente ali, ou seja, parecia passar pela mesma situação que eu estava passando. Enquanto observava o que ela e sua amigas faziam, meio que percebi Lúcia olhando para mim como se estivesse percebendo o que eu estava fazendo, e com certeza ela já tinha sacado para quem eu olhava, mas de início não se envolveu e continuou jogando.
Pouco depois, percebi que Marina e suas amigas estavam olhando na direção da mesa de sinuca, quando reparei, tentei disfarçar o fato que estava olhando para elas no mesmo instante e comecei a agir como se estivesse fazendo outra coisa. Ao que parecia, elas estavam afim de jogar, ou seja, provavelmente viriam se juntar a nós.
E foi o que de fato acontecei, elas vieram para mesa e falaram alguma coisa com Rafael e Duda, provavelmente pedindo para jogarem também, Marina e Lúcia também aproveitaram a oportunidade para se cumprimentarem (elas se conheciam, mas não era tão amigas assim). Mas, ao que parecia, Marina não estava muito lá interessada em jogar e apenas se sentou no sofá que tinha no lado em que ela estava. Nesse mesmo instante Lúcia tinha desistido de jogar, entregou o seu taco para uma das garotas e veio sentar do meu lado.
- E aí, Brian? - perguntou ela após se acomodar.
- E aí? - falei sem saber o que responder.
- O que está achando da festa?
Respirei fundo, e disse:
- Quer que eu seja sincero?
- Sim! - respondeu Lúcia
- To aqui com uma animação equivalente a de um urso hibernando.
Ela riu com a comparação que fiz, e perguntou:
- Tá tão ruim assim?
- Eu não diria que tá ruim, eu que não tô no clima... - falei - aliás, sinceramente não sei o que vim fazer aqui.
- Não fale assim, pelo menos você ta com a gente.
Fiz uma cara de aceitação para essa resposta dela. Depois de alguns segundos calados olhando para o chão, Lúcia falou:
- De qualquer forma, você podia aproveitar que está aqui e arrumar uma "boyzinha" pra você, Lucas mesmo tá ai se divertindo com uma.
- Talvez... - falei - vou parecer um velho chato falando agora, mas é que depois dos últimos acontecimentos da minha vida, nem estou tão interessado em procurar uma garota para me envolver seja la de que forma, tanto que se não conseguir ninguém hoje para mim nem fará diferença.
- Não é isso que tenho observado em você.
- Como assim?
- Vai, não fica me enrolando, já percebi que desde que chegamos aqui você tem estado de olho em uma pessoa, e você sabe muito bem de quem estou falando. - disse ela direcionando o olhar para Marina, que estava sentada logo ali.
- Nessa você me pegou. - seria cara de pau da minha parte negar o óbvio.
- Sabia!
Realmente, tinha horas que as coisas que sentia ficavam estampadas na minha testa para todos verem.
- Agora... - continuou ela - você não vai lá falar com ela por que...?
Antes de eu falar qualquer coisa, ela disse:
- E não me venha com essa de que é porque vocês nunca conversaram direito, a gente tá numa festa, não tem ocasião melhor pra você tomar uma iniciativa pra isso.
Por incrível que pareça, dessa vez eu não rebati com nenhuma desculpa esfarrapada.
- É, você está certa. - falei
- Nossa, você dizendo isso? - falou Lúcia surpresa - não esperava por essa.
Eu ri, e disse:
- Nem eu, sinceramente... - depois continuei - deve ser porque nesse momento estou no meu modo "foda-se".
- Isso é bom?
- Em partes, sim... - falei - tipo, se essa minha investida der errado eu nem sequer vou me importar.
- Que bom, eu acho.
A gente riu por alguns segundos, até Lúcia falar:
- Uma dica, aproveita essas rosas que estão distribuindo e entrega uma pra ela, já te dará alguns pontos, aliás... - ela pegou uma das rosas que estava no amontoado de coisas do pessoal que estava no sofá, e continuou - eu tinha pego essa pra Liam, mas como ele já me entregou uma, então usa ela pra chegar em Marina.
Eu realmente estava com o "foda-se" ligado, porque naquele momento nem sequer coagitei em recuar. "Esse realmente sou eu?" pensei.
- Ok então!
- É assim que se fala... - disse Lúcia - agora vai lá e boa sorte.
- Valeu! - falei me levantando e indo em direção a Marina.
Acho que podemos dizer que esse foi um dia histórico na minha vida, porque finalmente tinha tomado a atitude de chegar numa menina sem ficar com muita frescura ou desculpa esfarrapada para não fazer isso, mas de qualquer forma, ficava aquele frio na barriga por conta da expectativa que se realmente daria em algo.
E assim fui na fé...



(Continua... )

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Consequências de uma noite daquelas

Tudo começa em um domingo em que simplesmente acordei na casa de Thiago, com uma puta dor de cabeça e me lembrando de basicamente nada que tinha acontecido na noite anterior, e pelo que lembrava da casa dele, eu estava especificamente no quarto e ao que parecia ele tinha me deixado lá e foi dormir em algum outro cômodo da casa.
Após me dar conta de onde estava, me sentei um pouco na cama e tentei pensar um pouco, na tentativa de lembrar de como eu tinha parado lá, tentei buscar esse memória em minha mente, mas apenas o que vinha era uma dor de cabeça dos infernos.
E foi durante isso que acabei reparando que eu ainda vestia uma camisa polo e uma calça jeans (sim, eu estava em uma festa na noite anterior), e certamente, estava suado pra caramba por causa do calor, nem o ventilador de teto adiantava de alguma coisa nessas horas. E o mais engraçado de tudo é que havia um balde vazio ao lado da cama.
Antes de tentar mais qualquer coisa, procurei minhas coisas no bolso. Me assustei de início por elas não estarem lá.
"Puta que pariu, não é possível que perdi tudo." pensei.
Mas fiquei aliviado momentos depois ao vê-las em cima da escrivaninha de Thiago, com isso, fui até ela para conferir se estava tudo realmente ali, o que felizmente estava, minhas chaves, meu celular, meus documentos, minha carteira, todos se encontravam ali.
Aproveitei para olhar meu celular, antes de tudo, olhei as horas e tive um choque ao ver que já eram quase meio-dia, e me surpreendi também com o fato que não havia nenhuma ligação perdida ou mensagem da minha mãe, na hora não parei muito para pensar o porquê disso.
Depois disso tudo, finalmente decidi sair um pouco do quarto. Quando abri a porta, a primeira "pessoa" que veio me dá "bom dia" foi Isaac, o Cocker Spainel de Thiago, e assim lhe retribui com um carinho na orelha que ele adorava.
- Agora você pode me indicar aonde seu dono está? - perguntei para o cachorro.
E ao que parecia ele tinha me entendido, tendo assim me acompanhado escada abaixo até a sala, que era onde Thiago se encontrava assistindo algum seriado na televisão em volume alto (e bota alto nisso, e por conta disso minha cabeça doeu ainda mais).
- Bom dia, cara. - disse ele
- Você quis dizer "tarde", não?
- Ah, sim... - disse ele após olhar o relógio - boa tarde.
- Boa tarde... - falei ainda com a cabeça doendo - quer dizer, não tão boa assim, eu acho.
- Quer que eu abaixe aqui? 
- Agradeceria bastante.
E assim ele fez, enquanto Isaac se deitava no lado dele no sofá.
- Como você tá? - perguntou Thiago
- Cansado, com dor de cabeça e confuso pra cacete. - falei me sentando na poltrona do lado.
- Queres algo? Uma água, algo pra comer?
- Também agradeceria muito.
E assim Thiago foi buscar, me deixando ali com o Isaac que naquele momento mais se preocupava em lamber o sofá, enquanto isso, mais uma vez, tentei buscar em minhas memórias os acontecimentos da noite anterior, mas só consegui lembrar o básico, que no caso era uma festa no prédio de Joey (que ele fez em comemoração do seu aniversário), lembro que eu estava meio pra baixo por alguma razão que não conseguia lembrar. Lembro também que houve um momento que o pessoal resolveu fazer uma daquelas brincadeiras que envolvia bebida, e que por incrível que pareça resolvi participar também.
Até que Thiago tinha chegado com um sanduíche de mortadela e um copo d'água para mim.
- Aqui está, Brian.
- Muito obrigado! - falei tomando um gole da água e dando uma mordida no pão.
Enquanto me deliciava com aquele "café da manhã", perguntei pra Thiago.
- Seus pais não estão em casa não?
- Foram pedalar, eles fazem isso todo domingo.
E enquanto ele falava isso, Isaac tinha feito uma tentativa frustrada de roubar o meu sanduíche.
- Não Isaac, isso não é pra você... - esbravejou Thiago - sua comida ta lá no quintal.
Com isso, Isaac se afastou um pouco frustrado e se deitou ao pé do sofá.
- Thiago... - chamei
- Diga!
- Cara, me diga com todos os detalhes e sem esconder nada... - suspirei e continuei - o que aconteceu ontem?
- Até onde você lembra exatamente?
- Bom, eu estava com o pessoal jogando aquela brincadeira da roleta que envolve bebida... - (não lembrava o nome exato daquilo) - e a última coisa que lembro que fiz em sã consciência foi ter falado "hoje vou tomar o primeiro porre da minha vida".
- Que foi exatamente o que aconteceu. - disse Thiago.
- Eu imaginei!
E minha cabeça ainda doía.
- Mas depois disso, lembro de mais nada.
Thiago me fez uma cara não muito legal nessa hora.
- Que foi? - perguntei
- Eu estava do lado na hora que você disse isso, aliás, nesse momento eu estava tentando te controlar porque você estava um pouco alterado.
- Alterado como?
- Falando besteira e gritando pra caramba.
- Mas eu já não faço isso normalmente? - falei rindo
- Mas dessa vez estava pior.
- Sim, mas depois disso, o que mais aconteceu? Refresque minha memória.
- Bom, o que vem depois disso chega a ser ridículo.
- Fale assim mesmo, não esconda nada.
Thiago respirou fundo, e continuou...
- Primeiramente, após isso vocês resolveram brincar de "verdade ou consequência", isso estando você e boa parte daquele pessoal bem alterado.
- Eita, lá vem merda... - falei
- Sim, sim, porque você sabe, a junção de pessoas bicadas com essa brincadeira normalmente não é agradável.
- Sei bem...
Então Thiago continuou:
- Bom, uma das coisas que mandaram você fazer, por exemplo, foi dançar sensualmente e sem camisa de frente para a rua.
- É o que?
- Isso mesmo, inclusive o pessoal gravou.
- Tem o vídeo aí?
Sem nem falar nada, ele tirou o celular do bolso e me mostrou aquela coisa ridícula.
- Puta que pariu... - falei jogando as mãos no rosto e me lamentando.
- Calma que não acabou aí.
- Não esperava que estivesse.
E assim ele continuou:
- Vai piorar um pouco, outra consequência que mandaram você fazer foi lamber um cara da barriga até o pescoço.
E mais uma vez, aquela sensação de querer me jogar de um prédio de 20 andares voltou.
- Não me diga que registraram isso também. - falei
Mas antes mesmo de eu completar a frase, Thiago já estava me mostrando a foto que tinham tirado.
- Caralho, o pessoal é filho da puta mesmo.  - fale indignado
- Se você for ver as fotos não só suas, mas de todo mundo que mandaram aqui... meu Deus, é cada pérola.
- Mas, continue.
- Bom, esse ninguém registrou, mas também te mandaram morder a orelha de Joey.
- Porra, velho! - falei limpando a língua (como se fosse adiantar de algo).
Tomei um gole d'água e perguntei:
- Tem mais algo?
- Sim, sendo que não mais no "verdade ou consequência".
- Manda! - falei já me preparando pra ter vontade de me matar de novo.
- Depois que vocês ficaram de saco cheio da brincadeira, ligaram a música e boa parte de vocês foram dançar.
- Eu fui junto?
- Sim!
- Já to vendo a merda... - falei
- Digamos que nunca na minha vida te vi dançando daquela forma.
- Que forma? - falei levando aos mãos no rosto
- Rebolando até o chão.
Eu já estava sem reação naquela altura do campeonato.
- E ainda tem mais... - continuou Thiago.
- O quê?
- Você ficou dando em cima das meninas na festa descaradamente, e falando coisas um tanto que tensas.
Dei um suspiro, e perguntei:
- Tipo o que?
- Tipo, você perguntou para algumas se para elas o fato de você ser virgem seria empecilho e comentou com outras sobre o tamanho do seu pênis.
- Sério, velho? Puta que pariu!
- Sério, nunca imaginei que um dia eu ia ver você falando esse tipo de coisa para uma garota, seja ela quem fosse.
- Só por curiosidade, não fiquei com ninguém não, né?
- Não!
- Não sei dizer se isso uma coisa boa ou ruim, mas enfim, continue.
Thiago suspirou, e disse:
- Agora vem a pior parte.
- Tem coisa que eu fiz que é pior que isso tudo?
- Sim, e você vai entender o porquê.
Tinha muito medo do que ele iria falar:
- Uma das razões de você não ter ficado com ninguém... - falou ele - foi porque sempre uma hora ou outra você começava a choramingar por conta de Simone.
- Estava demorando para uma informação do tipo aparecer.
- E claro... - continuou - você ficou mais carente do que o normal.
- Não me surpreendo nem um pouco.
- Até aí tudo bem, porque uma parte do pessoal pra quem você estava falando essas merdas todas também estava bêbado e estavam nem ligando pro que você estava dizendo.
- Do jeito que você está falando, to sentindo que a coisa vai piorar.
- E acertou... - confirmou ele
- O que eu fiz depois disso?
Thiago suspirou e disse:
- Ligou para Simone.
Quase me joguei da poltrona depois disso.
- E foi de que horas isso? - perguntei
- Três e pouca da manhã.
- Putz, ela deve ter ficado muito puta.
- E imagino que tenha ficado, porque vocês discutiram feio.
- O que eu disse?
- Disse que a amava, que sentia muita falta dela, pediu para que ela te desse uma chance pra você fazê-la feliz.
Nesse ponto, a coisa tinha chegado num nível que eu acabei rindo de mim mesmo de tão patético que a situação foi.
- Ela definitivamente ficou puta. - falei
- Pela forma que você discutiu com ela no celular, tenho nem dúvidas.
- Dou razão pra ela, afinal, quem não ficaria puto com um bêbado carente te ligando de outro estado as três da manhã?
- Sim, mas chegou num ponto em que você a mandou ir se foder e disse que conseguia muito bem viver sem ela.
Com essa, quase me engasgava com o sanduíche.
- Como é que é?
- Exatamente isso que você ouviu...
- Puta merda, ela não deve tá querendo me ver nem pintado de ouro.
- Não duvido.
Depois, terminei finalmente de comer meu sanduíche e finalizei meu copo d'água.
- E o que aconteceu depois disso? - perguntei
- Bom, depois que você desligou, você e Joey ficaram conversando sobre a situação, e juro pra tu, você chegou a chorar.
- Não duvido.
- E depois quando você se acalmou mais, Joey te chamou para se sentar com um pessoal para conversar, sendo que no meio disso, você acabou dormindo.
- E deixa eu adivinhar, nada me acordava, certo?
- Oxi, podíamos sambar em cima de você que não faria diferença nenhuma.
Naquele momento, minha dor de cabeça piorou.
- E como foi pra me trazer até aqui?
- Eu e Joey te carregamos desacordados até meu carro, na movimentação você deu uma acordada, mas ainda alterado, e quando chegamos aqui você vomitou pra caramba.
- Putz velho...
- Depois de você ter vomitado tuas tripas na privada, tomasse uma ducha e depois fosse dormir, mas claro, antes eu deixei um balde ao lado da cama caso fosse necessário.
- Que pelo que vi, felizmente, não foi.
Ficamos um momento em silêncio, até que falei:
- Acabou finalmente?
- Sim!
E depois de um tempo refletindo sobre essas merdas todas, falei:
- Putz velho, que merda, na moral.
- Calma, cara, acontece com qualquer um.
Eu respirei fundo, e disse:
- Desculpa aí ter te dado esse trabalho todo.
- Relaxa cara, amigos são pra essas coisas.
- É que, porra, 21 anos na cara e dou um vacilo desses.
- Tem gente que é mais velha que tu e faz pior do que você, fica peixe, velho.
Respirei fundo, e continuei:
- Enfim, obrigado mesmo por tudo.
- Não tem o que agradecer, sei que você faria o mesmo por mim.
Após isso não falei mais nada, apenas apertei a mão dele e lhe dei um abraço de amigo.
- Bom, já te dei trabalho demais, hora de eu ir pra casa.
Mas Thiago retrucou:
- Pera aí, cara, já é hora do almoço, almoça por aqui que depois eu te levo em casa.
- Relaxa, bicho, precisa não, já te dei trabalho demais.
- Não vai ser trabalho nenhum, te garanto.
Mas ainda assim insisti:
- Sério cara, isso sem falar que minha mãe já deve estar preocupada.
- Isso também não vai ser problema, porque você acha que ela não veio encher teu saco até agora? Eu mesmo liguei pra ela explicando a situação.
Ainda pensei em refutar, mas desisti.
- Ok então.
Afinal, provavelmente minha mãe estava muito puta comigo por conta disso, e ficar lá por mais um tempo adiaria um pouco a bronca que eu iria tomar ao chegar em casa.
Enquanto Thiago preparava o almoço, aproveitei para mandar um pedido de desculpa para todos aqueles quem eu possivelmente incomodei na festa, começando por Joey, claro. Mas essa parte era mais de boas, afinal, muitos deles já estiveram no meu lugar (principalmente Joey), o mais difícil de tudo seria me desculpar com Simone, porque a situação com ela foi a pior de todas.
Mas mesmo assim eu arrisquei, e diferente dos outros em que mandei mensagens ou para os celulares ou para as redes sociais, com ela decidi ligar.
Após três tentativas em que ela não atendeu (não se porque não quis ou porque realmente não podia), na quarta decidi deixar uma mensagem de voz.
- Simone? - comecei após o sinal - é Brian aqui...
Parei pra pensar um pouco, e continuei:
- Veja, não sei se o que vou falar vai fazer alguma diferença pra você, aliás, não sei nem se você vai se dar o trabalho de ouvir essa mensagem, mas... - dei um suspiro e continuei - me desculpa pelas merdas que falei ontem a noite, eu estava completamente fora de mim, e se você não quiser mais olhar na minha cara vou compreender, mas de qualquer forma, só quero dizer que se você quiser, estou disposto a conversar com você sobre isso tudo, ok? - parei por mais uns segundos, e falei - beijos, espero que você esteja bem. - e assim desliguei o telefone.
Caso queiram saber, ela até hoje não respondeu a mensagem, aliás, acho bem provável que nem sequer tenha a ouvido.
Depois de ter almoçado com Thiago, eu tomei um banho e troquei de roupa (Thiago me emprestou algumas dele), tendo após isso ele me levado pra minha casa.
O percurso demorou menos de 20 minutos, e quando finalmente chegamos no portão do meu prédio, falei pra Thiago:
- Valeu mesmo cara, e desculpa mais uma vez pelo trabalho.
- Relaxa cara, se cuida.
Mas antes de sair do carro, falei:
- Só mais uma coisa.
- O que?
- Próxima vez, não me deixa fazer isso novamente, nem que você precise me encher de porrada pra isso.
- Pode deixar! - respondeu ele apertando minha mão.
Após me despedir dele mais uma vez, desci do carro e segui meu caminho para casa, e claro, quando cheguei lá tive que ouvir umas poucas e boas da minha mãe.


Brian

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Detalhes azuis

Apesar de ter passado algumas semanas triste por conta disso, aos poucos fui conseguindo superar Simone, aliás, faziam mais de cinco meses desde que ela tinha ido embora, por mais que ainda sentisse a falta dela de vez em quando, já havia passado tempo o suficiente para eu virar mais essa página da minha vida.
Sendo assim, já estava disponível para tentar uma nova relação, mas me conhecendo do jeito que me conheço, eu sabia que isso iria demorar um tempo considerável, por isso tentava não pensar muito nisso. Afinal, as coisas iriam acontecer naturalmente.
Mas o problema é que muitas vezes, batia também a maldita da carência, e isso era a pior coisa, porque aí sim eu sentia saudades de Simone, o que me deixava bastante mal a ponto de ficar de cara fechada. Eu e minha mania de remoer o passado, para variar.
Mas enfim, não vou perder muito tempo falando esses detalhes.
Por conta dessa carência, acontecia que eu começava a suspirar por basicamente qualquer garota bonita que passasse por mim, o que por um lado era chato, porque quando chegava num nível extremo eu começava a ficar doido. Por isso que normalmente digo, ter hormônios é uma merda.
Mas, havia uma em específico que me chamava muito a atenção, e explicarei para vocês o porquê.
Se trata de uma garota que estuda lá pela faculdade também, não é da minha sala, mas também faz jornalismo, ela é do 3º período, se não me engano (estou no 6º), e é simplesmente uma das meninas mais lindas que costumo ver passar naquela universidade.
Não lembro do dia exato em que a vi pela primeira vez (certamente), mas lembro de um "primeiro contato" que a gente teve, quando meu amigo Rodolfo foi perguntar alguma coisa para ela que não lembro exatamente o que. Lembro que naquele momento enquanto ele falava com ela, parei para reparar na beleza dela, e claro, a primeira vista eu fiquei encantado, aliás, quem não ficaria?
Ela é uma das garotas que a primeira vista parece ser meigas (não que eu tenha confirmado essa teoria), a primeira coisa nela que chama bastante atenção são suas mechas azuis em seu cabelo moreno e liso, de alguma forma, aquilo realçava a sua beleza. Por alguma razão que nem eu mesmo sei explicar, tenho uma grande atração por garotas que tem pele bem branquinha e bochechudas, e ela era mais uma prova disso. Após meu amigo falar o que queria com ela, seguimos nosso caminho, tendo eu nem sequer a mencionado para ele depois disso.
Após esse dia passei a reparar mais na presença dela quando ela passava ou quando estava por perto, e não perdia a chance de admirá-la um pouco. Mas claro, tudo ficava nessa "relação platônica", mas pelo menos até aquele momento eu nem pensava em fazer mais algo além daquilo, afinal, não sabia nem o nome dela.
Até que chegou o dia em que finalmente tive um contato direto com ela, sendo ele mais uma vez tendo sido através do meu amigo Rodolfo. Foi quando estava eu e ele a toa pela faculdade em uma tarde dessas em que tínhamos um buraco no meio do horário, com isso, eu e ele fomos andar por aí para passar o tempo, e nisso esbarramos com a garota em questão e uma amiga dela, que por acaso conhecia Rodolfo também.
Com isso, ficou nós quatro depois sentados no gramado da universidade jogando conversa fora, apesar que houve momentos em que fiquei um pouco escanteado enquanto eles três conversavam. Aquele meu velho problema de timidez, para variar.
No fim, quando tivemos que voltar pra sala eu me dei conta que ainda não sabia o nome dela, e olha que houve momentos em que troquei palavras com ela diretamente, mas na hora não fiquei dando tanta importância para isso.
Após isso, houve um outro dia em que tive um outro contato "meio-direto" com ela. Que foi quando uma amiga Lúcia minha que a conhecia foi conversar com ela, nessa ocasião fiquei apenas do lado, não interagi muito. Mas após elas terminarem de se falar e nos afastarmos da garota em questão, Lúcia se virou para mim e disse:
- O que acha dela?
Não entendi na hora, e perguntei:
- Como assim?
- Acha ela bonita?
Fiquei meio sem graça na hora, mas respondi:
- Sim, bastante.
- Imaginei que ela fizesse seu tipo. - respondeu Lúcia
E eu ali sem entender aonde ela queria chegar com aquilo.
- Você devia tentar algo com ela. - falou ela pouco depois
Claro, na hora não sabia nem o que falar.
Lúcia sabia bem da minha situação, e meio que desde então tem feito alguns esforços para que eu conseguisse ficar com alguma garota, tanto que por isso ela falou aquilo para mim.
E pior que, foi a partir disso que comecei a considerar essa possibilidade, por incrível que pareça. Passei a olhar a tal garota das mechas azuis de uma outra forma, e com isso, procurei saber mais algumas informações dela, a começar pelo nome.
Através de Lúcia, descobri que o nome dela era Marina e que ela era nascida em São Paulo, mas viveu boa parte da vida aqui em Recife, isso sem falar do fato que ela é gamer (assim como eu rs). Isso pelo menos era tudo que ela tinha para me informar, o que já era algo.
E a partir daí começou uma "paixão platônica", quer dizer, paixão não porque essa palavra é muito forte, diria mais que aquilo era uma "atração platônica". Platônica porque eu ficava naquela frescura de ficar a admirando, mas sem coragem de ir lá trocar uma palavra com ela.
Minha dificuldades de sempre, se você acompanha as minhas histórias há um bom tempo sabe muito bem quais são. Cheguei até a adicioná-la no facebook, tendo ela aceitado, mas ficou apenas nisso mesmo, depois não fiz mais nada, e claro, pessoalmente não era nada diferente disso.
Inclusive houve vezes em que ficamos sentados juntos sozinhos, mas ainda assim eu não tinha coragem de tomar a iniciativa, aquela coisa de sempre que já é típica de mim, tanto que o resto é até redundante falar, vocês provavelmente já imaginam.
No fim, estou até agora nesse lenga-lenga, e sempre que Marina passa por mim e Lúcia está do lado, minha amiga sempre me dá aquele olhar de "olha lá, vai tentar nada não?". E me conhecendo bem, tudo indica que essa coisa toda não passará disso, no fim ficarei apenas a admirando toda vez que ela passar, observando seu lindo rosto e suas mechas azuis.


Brian