segunda-feira, 20 de abril de 2015

A estranha sensação de ter esquecido alguma coisa

Sabe quando você sai de casa com aquela sensação de que esqueceu de alguma coisa? Pelo menos comigo isso é bem comum de acontecer, para ser mais exato, tenho essa sensação todas as vezes que ponho o pé para fora de casa.
Na maioria das vezes é apenas impressão mesmo, mas da mesma forma a pessoa fica checando as coisas umas mil vezes para ter certeza, ainda assim a sensação não vai embora. Mas também há aquelas vezes que você realmente ver que esqueceu de algo, e acaba tendo que voltar seja lá qual distância para pegar essa coisa. E também há as vezes que você só percebe que esqueceu algo quando já é tarde demais para voltar e pegar essa coisa.
Irei contar para vocês agora um caso que ocorreu comigo desse último exemplo.
Aquele era mais um sábado como outro qualquer, ou nem tanto, minha mãe estava viajando à trabalho e só voltaria no dia seguinte, e minha irmã foi passar o dia na casa do namorado, então naquele dia almocei apenas com o meu pai.
A gente foi comer em uma pizzaria perto de casa que íamos constantemente, um daqueles restaurantes em que a pessoa vai normalmente para comer as mesmas coisas que comem nas outras vezes que vai lá. E depois do almoço eu iria direto para o meu treino de kung-fu de todos os sábados, então antes de irmos para o restaurante, eu já preparei minha mochila com as coisas que precisaria para o treino.
Certamente, depois de colocar tudo na mochila, eu chequei se tudo estava realmente lá mais umas quatro vezes. E nas quatro vezes eu concluí de que estava tudo lá. mas claro, a sensação de que eu tinha esquecido algo me martelava a cabeça. Mas a princípio eu a ignorei, apenas chequei as coisas mais uma vez só por garantia, e tendo o resultado dado o mesmo eu fui com o meu pai para o restaurante.
O local era perto, mas não perto o suficiente para ir a pé, então por isso a gente foi de carro para lá. Apesar que necessitaríamos do mesmo de uma forma ou de outra para eu ir para o treino depois.
Era meio-dia e pouco quando chegamos lá, o movimento era grande, mas ainda assim conseguimos um lugar para nos sentarmos. Nada ocorreu fora do normal após isso, o atendimento até funcionou bem para um restaurante em horário de pico, e durante todo o tempo em que ficamos lá a gente ficou conversando sobre coisas aleatórias.
O relógio marcava exatamente uma e meia da tarde quando saímos de lá, apesar de ainda ser um pouco cedo eu achei melhor ir dali direto para a federal (local onde eu treino). E comigo dirigindo dessa vez, seguimos nosso caminho.
Fomos pelo caminho mais longo para tentarmos matar um pouco de tempo para que eu não chegasse lá muito cedo, mas que mesmo sendo o mais longo, ainda assim era rápido.
Levou quase uma hora para chegarmos lá, o relógio marcava duas e meia quando desci do carro em direção ao local de treino, ainda faltava uma hora para o seu início.
Depois de me arrumar no carro, me despedi do meu pai e ele seguiu o seu caminho de volta para casa, iria aproveitar o resto da tarde para descansar um pouco já que iria em um casamento logo à noite.
Como já era de se esperar, ninguém do treino tinha chegado ainda, só havia por lá algumas pessoas que passavam pelo local e Chola, a cadela que está sempre por ali. Quando me avistou, ela veio alegremente correndo em minha direção, e eu, certamente, fiquei paparicando ela, também estava feliz em vê-la, pelo menos teria uma companhia até alguém chegar.
Depois de vinte minutos o mestre chegou, e aos poucos o resto do pessoal foi chegando, até que de três e meia, o treino teve seu início.
Pra variar, tivemos nossos couros arrancados durante a uma hora e meia de treino, eu saí de lá um trapo. De cinco horas, o treino foi encerrado, mas como o mestre ainda conversou sobre algumas coisas importantes com a gente, só saímos de lá de seis horas, quando já não se havia mais sol no céu.
Logo após o mestre dispensar todo mundo, eu segui meu caminho até a parada de ônibus com apenas uma coisa em mente, chegar em casa logo e descansar. O caminho até a parada àquela hora era estranho pra cacete, mas eu já estava acostumado com isso, então nem ligava mais. Chegando lá, havia algumas pessoas no local, ninguém com um ar suspeito, então fiquei em pé a espera do meu ônibus.
Foi então que aquela estranha sensação de ter esquecido algo voltou a me martelar. Pra falar a verdade, em momento nenhum ela tinha sumido, eu que tinha começado a ignora-la. E naquele momento eu resolvi checar minhas coisas mais uma vez para ter certeza.
Até que de repente eu finalmente tinha me dado conta do que eu tinha esquecido, meu vale-transporte.
"Puta que pariu, fodeu!" pensei desesperado.
E eu não estava com dinheiro pra pagar a passagem, esse era um erro que eu sempre cometia quando ia para o treino, nunca levava dinheiro. E certamente, pegar um táxi também estava fora de cogitação.
Também não havia a menor possibilidade de eu ir andando. não só por causa da hora, mas também pelo fato de que minha casa era longe pra cacete dali.
Então a minha saída era ligar para o meu pai e pedir para ele ir me buscar, o que eu queria muito não ter que fazer, mas era o jeito. Eu estava começando a discar o número dele no meu celular, até que eu lembrei de um mero detalhe...
Meu pai àquela hora já estaria indo para a porra do casamento, ou seja, com certeza não estaria disponível para ir até ali onde eu estava. E assim eu voltava para a estaca zero, minha mãe também não estava disponível já que nem em Recife ela sem encontrava.
"Fodeu, vou dormir na rua essa noite." pensei mais uma vez.
E ao mesmo tempo eu pensava em alguma outra possibilidade, qualquer outra coisa, sei lá, algum amigo que morasse ali por perto...
Foi nesse momento que me veio uma luz no fim do túnel, havia sim uma pessoa que eu conhecia que morava por ali, Heitor, um amigo meu da época do colégio. Apesar que fazia um bom tempo que eu não falava com o mesmo, aliás, tive poucas notícias dele ultimamente, a última que soube era que ele iria tentar vestibular pelo quinto ano seguido. Mas para alguém que estava na situação em que eu me encontrava, esse detalhe pouco importava.
Fui andando mais a frente na tentativa de avistar seu prédio, eu ainda lembrava exatamente onde era.
Não demorou muito até eu o encontrar, o prédio ficava exatamente no fim da rua. Sendo que quando eu fui me aproximando do portão eu me lembrei de um pequeno detalhe, mas, importante, eu não fazia ideia de qual era o apartamento em que ele morava. Nas poucas vezes em que tinha ido lá, eu tinha ficado apenas pelo térreo, nunca tinha subido para o apartamento dele.
E o prédio dele não tinha porteiro, você tinha que interfonar para o apartamento da pessoa para que ela descesse e abrisse o portão.
"E agora?" pensei.
Arriscar interfonar para cada apartamento e tentar a sorte definitivamente não era uma opção, eu ainda não estava desesperado a esse ponto.
Então eu me encostei em uma árvore que tinha ali próximo e comecei a pensar no que fazer, e foi nesse meio-tempo que lembrei de duas coisas:
1- Eu ainda tinha o telefone dele na minha lista de contatos.
2- Eu não tinha garantia nenhuma de que ele estava em casa.
Mas de uma forma ou de outra eu peguei meu celular e arrisquei ligar para ele.
Torci com todas as minhas forças interiores pra que aquele ainda fosse o número dele e que ele não tenha trocado durante esse tempo em que ficamos sem nos ver (ou que estivesse anotado certo no celular).
Fiz minha primeira tentativa, chamou, chamou, chamou, chamou, até que de repente...
"Deixe sua mensagem após o sinal..." e assim uma pequena parte da minha esperança ia embora.
Guardei o celular no bolso, respirei fundo, e esperei mais alguns instantes para fazer minha segunda tentativa, aliás, eu sabia que desde a época do colégio que Heitor não era um cara muito apegado ao celular, então provavelmente eles não estava com ele por perto.
Depois de alguns minutos, eu tentei de novo. E mais uma vez, chamou, chamou, chamou, e ai...
"Deixe sua men..."
"Um pouco de sorte, é tudo que eu peço" pensei na hora desligando o celular.
Esperei mais alguns instantes, ia fazer minha última tentativa, e o pior de tudo é que se aquilo não funcionasse eu não sabia mais o que tentar.
Disquei o número e aguardei, e assim chamava, chamava, chamava, chamav...
- Alô? - falou uma voz
- Alô... - respondi me endireitando - esse é o número de Heitor?
- É sim! - respondeu a pessoa que tinha atendido, que pela voz era um homem de meia-idade.
- Ele está?
- Está sim, mas, quem ta falando?
- É Brian, um amigo dele da época do colégio.
- Pera ai... - falou o homem - foi com você que Heitor foi para aquela festa da sala de vocês?
- É... sim. - eu lembrava desse dia, foi uma festa que a sala tinha organizado no 3º ano em que Heitor encheu a cara e eu tive que levá-lo até em casa com alguns outros amigos nossos, o pai dele ficou uma fera com ele.
Aliás, foi naquele momento que eu me dei conta que eu estava falando exatamente com o pai dele.
- E aí cara, tudo bem? - perguntou ele
- É... tudo sim... - respondi meio sem jeito - e com o senhor?
- Tudo sim, graças a Deus. - falou ele - e a faculdade, como tá?
- Puxada, mas está indo bem, e é o que importa.
- Fico feliz por você, mas enfim, vou chamar Heitor aqui, ai você aproveita e enfia na cabeça desse moleque pra que ele comece a estudar sério, que a essa altura já era pra ele ta terminando a faculdade.
Deu um riso forçado, e disse:
- Beleza, falarei.
- Beleza... - falou ele rindo - passar bem.
- Você também! - respondi
E assim fiquei esperando, ao fundo se ouvia o pai de Heitor chamando por ele e os passos de alguém que passava por ali na hora, até que depois de alguns segundos...
- Brian?
- Heitor?
- Quanto tempo, cara... - falou ele - como tu ta?
- Pois é, velho, to bem, e tu?
- Tudo limpeza. - respondeu - mas fala ai, a que devo a honra.
- Cara, vai ser estranho eu falando dessa forma mas, eu estou exatamente no portão do seu prédio.
- Não brinca?
- Se quiser a prova basta olhar pela varanda.
E poucos segundos depois ele apareceu na varanda, sem camisa, e me viu lá embaixo, me deu um aceno e eu acenei de volta.
- O que te trouxe aqui? - perguntou ele
- Bom, primeiramente, desce aqui que eu te explico com mais calma.
- Beleza então, vou só me arrumar aqui e já desço.
- Beleza... - respondi - até já então.
- Até! - falou ele desligando o celular.
Voltei a me encostar na árvore a espera dele, e alguns minutos depois ele apareceu saindo do elevador.
Quando ele abriu o portão, nos cumprimentamos, e depois eu expliquei com detalhes o que tinha acontecido para eu parar ali no portão do prédio dele.
- Mas que merda, hein? - falou ele
- Pois é.
- Bom, tem algo que eu possa fazer por você?
- Que bom que perguntaste... - falei - porque tem sim.
- Pois mande!
- Bom, nunca pensei que ia chegar o dia em que eu ia te pedir isso, mas, você poderia me emprestar uma grana para eu pagar a passagem? - realmente era estranho eu pedir aquilo para ele, já que na época do colégio o mais normal era acontecer o contrário, isso sem falar que já fiz tanto favor pra aquele cara que só Deus sabe o quanto ele me devia. - qualquer coisa próxima vez que eu saí do treino eu passo aqui e te pago.
Heitor deu uma leve risada, e respondeu:
- Rapaz, pode ser, mas minha carteira ta lá em cima, você espera eu ir lá pegar?
- De boas. - respondi
- Aliás, entra ai, me espera ali no banco.
- Beleza, valeu.
- Nada, já desço.
Me sentei no banco e fiquei o aguardando, fiquei fazendo algumas besteiras no celular enquanto isso. Não demorou muito para ele aparecer lá por baixo novamente.
- Ei Brian, tenho uma outra proposta...
- Diga! - falei me levantando
- Tipo, eu falei da tua situação pro povo lá em cima, e por isso, meu pai está te convidando pra jantar com a gente e também está se oferecendo pra te deixar em casa depois.
- Mas...
- E ele disse que insiste. - falou ele me interrompendo
Eu estava pensando em recusar, aliás, não estava afim de dar trabalho pra ninguém, mas depois eu pensei que quando eu chegasse em casa eu teria que fazer meu jantar já que só estaria eu lá, e eu não estava muito afim de fazer nada, e isso sem falar que ir pra casa de carro era muito melhor do que ter que pegar o "busão". Então eu resolvi aceitar o convite, que afinal, também seria uma oportunidade pra eu por a conversa em dia com Heitor.
E assim subi com Heitor, a partir dali a gente já começou a atualizar o outra das suas respectivas vidas, apesar que nada do que ele me disse era novidade, era a mesma coisa que ocorria com ele desde o fim do colégio.
Chegando lá em cima a mesa já estava sendo posta e a comida sendo preparada, falei com o pai de Heitor que me cumprimentou alegremente, e conheci o resto da família dele, que era no caso a mãe e as duas irmãs dele, uma mais nova e uma mais velha.
Enquanto a comida não ficava pronta, eu e Heitor ficamos no quarto dele ainda conversando sobre nossas vidas, até que uns quinze minutos depois a comida estava na mesa. O prato do dia era macarrão ao molho de camarão e canja.
Eu nunca gostei muito de canja e muito menos de camarão, mas ainda assim comi um pouco de cada sem falar nada, aliás, seria rude da minha parte se falasse algo. E afinal de contas, o macarrão ao molho de camarão nem estava ruim.
Durante o jantar a família de Heitor conversou um pouco comigo, perguntando coisas da minha vida, certamente, e claro, usaram algumas das coisas que eu falei da faculdade para dar alguns puxões de orelha nele, e cada vez que isso acontecia eu ria da cara dele. Afinal, eles tinham razão em reclamar com ele, e eu disse isso pra ele pouco antes do jantar.
Depois de todos terminarem as refeições, a mãe de Heitor me ofereceu um pedaço de pudim de sobremesa, e eu educadamente aceitei, e não me arrependi, estava uma delícia.
Quando terminei de comer, o pai de Heitor se ofereceu mais uma vez pra me levar em casa, e assim fui com ele depois de me despedir de todo mundo. Heitor disse pra eu aparecer mais vezes, e eu respondi que tentaria.
Expliquei todo o caminho pra minha casa para o pai de Heitor e ele conseguiu executá-lo sem muitas dificuldades, durante o caminho a gente ainda conversava sobre uma coisa ou outra, mas às vezes eu falava, mas a minha cabeça estava já na minha cama, o cansaço já falava alto pra caramba.
Depois de menos de meia hora de viagem, finalmente estava em casa, agradeci ao pai de Heitor e ele reforçou o que Heitor disse de aparecer pela casa dele quando eu quisesse, e eu disse mais uma vez que tentaria.
Quando eu subi o elevador eu já fui pegando a chave de casa na mochila, sendo que eu procurava, e procurava, mas não a achava.
"Porra, não é possível que eu esqueci isso também!" pensei
Mas depois de procurar com mais atenção, eu as achei no fundo da mochila.
- Ufa, que susto. - falei pra mim mesmo, aliviado.
Quando cheguei no meu andar, abri a porta e entrei no apartamento.
"Finalmente em casa." pensei aliviado
Então depois dessa doida situação, eu tomei um banho, e logo em seguida me joguei na cama. Não demorou muito para eu pegar no sono, sendo assim eu dormi com a luz do quarto ligada e só acordei no dia seguinte, o que prova o quanto eu estava cansado.
E principalmente depois dessa experiência, eu passei a checar mais de cinco vezes minhas coisas antes de sair de casa, mas mesmo assim, a sensação de ter esquecido algo ainda me martelava sempre.

Brian

terça-feira, 3 de março de 2015

A chegada

Aquele não era um sábado como outro qualquer, mais uma vez eu iria em outro show (sim, tem vindo bastante bandas que eu gosto para cá ultimamente) e pra variar minha animação estava lá em cima, mas apenas pelo show em si, havia um outro fator que fazia eu esperar ainda mais ansiosamente por esse dia. Era o dia que a Helo finalmente se mudaria pra Recife, e certamente ela iria nesse show comigo.
A Helo tinha sido aprovada no curso de enfermagem na federal daqui faz uns dois meses, mas só agora conseguiu acertar tudo para finalmente morar aqui, ela comprou uma casa não muito longe da faculdade e conseguiu também um emprego de meio-período em uma livraria, que ela só ficará temporariamente até a faculdade começar (que no caso seria em agosto). E sim, por incrível que pareça, mesmo com os gastos que foi a mudança toda ela conseguiu um dinheiro sobrando pra ir nesse show (apesar que o preço era até em conta se for comparar com outros shows que eu já fui), e junto com ela vieram alguns amigos dela de Arapiraca que iriam ver o show com a gente e voltariam para casa no dia seguinte.
Quando a Helo chegou em Recife era meio-dia, eu fui esperá-la na rodoviária, eu cheguei por lá umas onze e meia e não esperei mais de meia-hora até o ônibus dela chegar. Quando eu finalmente a vi no meio das pessoas que saiam do veículo junto com ela, não tive outra reação que não fosse ir em sua direção já me preparando para um abraço, e ela fez o mesmo assim que me viu. Aliás, isso era uma coisa que a gente esperava há muito tempo, depois de anos morando em cidades diferentes e só se comunicando via internet, a gente finalmente iria morar na mesma cidade, finalmente iria se ver com constância, finalmente a gente iria poder ir para os cantos juntos, e por ai vai.
Logo após lhe dar um longo abraço, ela me apresentou os amigos que a acompanharam, eram eles Júnior, Vitor, Mateus, Fred e o casal Ana e Bruno. E dali fomos primeiramente procurar um restaurante pra todos almoçarmos, eu estava morrendo de fome, e eles também, mais que eu provavelmente por causa da longa viagem. Achamos um self-service bem em conta não muito longe dali, e então fomos comer lá, enquanto comíamos eu fui conhecendo os amigos de Helo melhor e ela foi me contando das novidades da vida dela, e da viagem também.
Depois de mais ou menos uma hora almoçando naquele restaurante, pagamos a conta e fomos para a casa da Helo, apesar que haveria um problema, ir de ônibus para lá com o tanto de bagagem que eles tinham em mão definitivamente não era uma boa ideia, e um táxi só levaria no máximo quatro pessoas, e como éramos oito tivemos que pedir dois táxis. Ana, Bruno, Fred e Júnior foram em um, e eu, Helo, Vitor e Mateus fomos em outro. Levamos mais ou menos meia-hora para chegar na casa da Helo, cada um pegou sua parte do táxi ao chegar lá e eu os ajudei com as bagagens.
A casa era simples, mas já era o suficiente pra Helo (eu também acharia o suficiente se fosse morar lá). Inicialmente eu ajudei eles a arrumarem tudo que fosse preciso, porque, aliás, era muita coisa, a gente ficou um bom tempo arrumando aquilo tudo, e depois de quase uma hora a gente finalmente tinha concluído pelo menos oitenta porcento de tudo (o resto a Helo decidiu que deixaria pra depois), e a partir dali a gente resolveu aproveitar um pouco a estadia lá.
E assim ficamos lá conversando (algum deles bebendo, também) até a hora do show, que seria lá pras oito da noite, ou seja, a gente ficou um bom tempo pela casa da Helo. Um pouco mais tarde, quando já eram mais ou menos quase cinco horas a gente resolveu rachar uma pizza numa pizzaria que tinha perto pra dali ir pro show.
Era quase sete horas quando a gente pagou a conta, e ai fomos de ônibus para o local, felizmente o mesmo não demorou muito pra passar, ainda mais porque já estava escuro e a rua já tava começando a ficar estranha, e o caminho até o local do show durou apenas quinze minutos, sim, não era muito longe da casa da Helo. Quando chegamos eles ainda iam comprar seus respectivos ingressos (eu era o único que já os tinha em mão), e logo após, entramos.
Não demorou muito para a banda de abertura começar, apesar que a gente não ligou muito para ela, e então ficamos pela parte de trás da casa de show ainda conversando sobre coisas aleatórias, eles tomando as suas bebidas e eu tomando minha água de sempre. Só fomos para a pista quando a banda principal finalmente entrou no palco, que foi lá pra nove e meia da noite, e todos que estavam presentes no local foram a loucura (inclusive a gente), e mais uma vez foi uma noite de puro rock n roll.
A energia tanto da banda quanto do público eram fortes, a animação estava lá em cima, e a gente se incluía nesse meio (alguns como Júnior, Bruno e Mateus já estavam até um pouco alterados por conta do etílico), mas houve um momento que eu a Helo aproveitamos o show da mesma forma que a gente tinha aproveitado o Festival de Inverno de Garanhuns, apenas eu e ela pouco ligando para os outros ao nosso redor, era ótimo pensar que momento como aqueles iriam acontecer com mais frequência a partir de agora.
E depois de duas horas, o show chegou ao seu final, e claro, sempre deixando aquele gosto de "eu quero mais" no público presente, e quando as luzes se acenderam e os equipamentos começaram a ser retirados do palco que todos se deram conta que o fim tinha finalmente chegado e que era hora de ir para casa. Era quase meia-noite quando a Helo me perguntou.
- Vai voltar como, Brian?
- Vou ver se consigo um táxi agora, e vocês?
- Bom, Mateus vai pegar um táxi para casa de uma tia dele que mora aqui, Fred vai direto pra rodoviária porque ele vai direto pra maceió, Bruno e Ana vão passar a noite em um Hotel e Júnior e Vitor dormirão lá em casa.
- Vocês vão de táxi?
- Não, de ônibus.
- Rapaz, é meio estranho a essa hora, tem certeza que não querem pegar um táxi?
- Relaxa, Brian, vai ficar tudo bem.
- Ok, então... - falei
Mas depois de pensar um pouco, eu falei:
- Quer que eu espere seu ônibus chegar antes de eu ir?
- Precisa não, Brian, se quiser ir logo fique a vontade. - disse a Helo
- Mas eu faço questão de fazer isso.
- Brian, sério, não precisa.
Eu ia contra-argumentar, mas foi então que eu pus a mão no meu bolso e me dei conta de uma pequena merda, eu pretendia voltar de táxi mas eu estava com apenas cinco reais, e a corrida de lá pra minha casa dava uns vinte no mínimo.
- Puta que pariu, mentira, né? - falei indignado
- O que houve? - perguntou a Helo
E enquanto isso, Vitor tinha que aguentar as merdas que Júnior estava falando bêbado na calçada.
- To com a impressão que perdi um pouco o controle dos meus gastos hoje.
- Ta sem dinheiro pro táxi? - perguntou ela
- Exatamente!
E ainda tinha me dado conta que eu achei que tinha saído com uma certa quantia de casa, mas na verdade eu saí com menos, tinha esquecido de pegar uma maldita nota de cinquenta.
- E agora, como tu vai fazer? - perguntou a Helo
- Agora infelizmente é pegar o busão.
- Certeza? - perguntou ela
- Eu sinceramente queria não usar essa opção - falei - mas não me resta outra alternativa.
- Na verdade resta sim... - disse ela
- Como assim? - perguntei
- Você dormir lá em casa e deixar pra pegar o ônibus amanhã de manhã.
- Não Helo, não quero incomodar.
- Mas eu garanto que não será incômodo nenhum.
Disse ela olhando bem pros meus olhos.
Eu realmente não tinha muitas opções naquele momento, e aquela parecia ser a melhor, então acabei aceitando
- Está bem, então.
A Helo esbanjou um grande sorriso depois que eu dei minha respostas, e eu retribui, aliás, de uma forma ou de outra era bom estar com os amigos. Logo após eu fui com eles até a parada de ônibus, e claro, mandei um SMS para a minha mãe explicando a situação e dizendo que não havia razões pra ela se preocupar. No caminho a gente fazia os nossos comentários sobre o show e ríamos do Júnior falando besteira bêbado.
A rua estava realmente estranha naquela hora, mas felizmente não éramos os únicos esperando ônibus naquela parada, havia um número considerado de gente por lá, levou uns quinze minutos até o nosso ônibus passar, o mesmo também estava meio estranho, além da gente só haviam umas três pessoas sentadas por lá, certamente ainda falávamos besteira dentro do ônibus, mas de uma forma ou de outra eu ainda ficava ligado na movimentação ao meu redor.
Depois de quinze minutos a gente finalmente tinha chegado na nossa parada, e andamos ainda mais uns cinco minutos até chegar na casa da Helo. Quando chegamos, a primeira coisa que fizemos foi levar Júnior para a cama dele no quarto de hóspede, onde ele simplesmente apagou no primeiro momento em que deitou, Vitor foi tomar um banho e depois foi dormir no colchão deixado ao lado da cama onde Júnior dormia. Já eu e a Helo, por incrível que parecesse, não tínhamos um pingo de sono, e aí ficamos no sofá da sala conversando sobre coisas aleatórias, isso no caso já era perto de uma da manhã, foi então que em um momento da conversa, a Helo falou:
- Nem acredito, velho.
- O que? - perguntei
- Que esse dia chegou, o dia que a gente ficaria conversando pessoalmente juntos até tarde da noite.
Eu sorri para ela, e disse:
- Também não caiu a ficha pra mim, ainda.
E assim ela me abriu um belo sorriso, sorriso esse que realçava ainda mais a sua beleza.
O tempo passava e a gente nem via, pelo menos até o momento em que a Helo começou claramente a desabar de sono, foi então que eu disse:
- Tais morrendo de sono, né?
- Um pouco... - respondeu ela
- Se quiser ir dormir, fique a vontade.
- Não, Brian, relaxa.
- Sério, Helo, seu dia hoje foi cheio. teve a viagem e o show, você precisa descansar um pouco.
- Mas não quero te deixar sozinho aí.
- Não precisa se preocupar comigo, e me deito aqui e tento dormir também, ou na pior das hipóteses passo a noite em claro mesmo.
E a Helo lutava pra não cair de sono.
- Tá vendo que você não ta se aguentando? - insisti - sério Helo, eu ficarei bem, pode ir dormir.
Então a Helo falou:
- Tá certo, então. - fez uma leve pausa, e disse - você vai conseguir dormir no sofá?
- Eu me viro aqui. - respondi
Ela pensou um pouco, e disse:
- Ok então, se precisar de qualquer coisa é só gritar, beleza?
- Beleza... - respondi - mas pode dormir tranquila que isso não será problema.
Então ela riu e disse:
- Boa noite, Brian.
- Boa noite!
E assim ela foi pro seu quarto, logo após isso eu desliguei a luz da sala e me deitei no sofá esperando o sono chegar, o que demorou um pouco, eu ainda estava meio agitado, fiquei vinte minutos me revirando até finalmente pegar no sono.
No dia seguinte eu acordei as dez e vinte da manhã ao som do meu celular tocando, era a minha mãe preocupada porque eu não tinha chegado em casa ainda, e certamente eu a acalmei dizendo que estava tudo bem e que daqui a pouco estaria em casa. Depois que desliguei o celular, me levantei e o coloquei no bolso novamente, foi quando eu me dei conta de que horas eram.
"Caramba, dormi isso tudo?" pensei
Foi então eu ouvi a Helo vindo da cozinha.
- Bom dia! - falou ela
- Bom dia, Helo. - falei eu ainda um pouco sonolento
- Dormiu bem?
- Como uma pedra, literalmente... - respondi - e você?
- Posso dizer o mesmo que você. - disse ela rindo
E eu ri junto com ela.
- Acordou de que horas? - perguntei
- Por incrível que pareça, umas oito e pouca.
- Caramba... - falei - e os caras, já acordaram?
- Já acordaram e já foram, pegaram o ônibus bem cedinho.
- E o Júnior?
- Acordou de ressaca, certamente.
E começamos a rir juntos.
Ficamos um momento calados, até que eu disse:
- Bom Helo, obrigado pela hospitalidade, mas acho que é melhor eu ir, minha mãe já ligou me enchendo o saco.
- Mas não vai comer nada antes?
- Ta tudo bem, eu como em casa, não quero dar trabalho.
- Nem venha com essa, Brian, eu insisto e não aceito "não" como resposta.
Bom, eu realmente queria ficar um pouco mais lá de qualquer forma, então aceitei o convite sem hesitar.
Fizemos um sanduíche de mortadela pra nós dois, nos sentamos e começamos a conversar de coisas aleatórias (pra variar), e mesmo depois que terminamos de comer, a gente ainda ficou mais uns vinte minutos sentados na mesa falando besteira, foi quando me dei conta que já eram quase onze da manhã, já tinha passado da hora de ir pra casa.
Fui para a parada e a Helo me acompanhou, e lá ficou até meu ônibus passar, o que não demorou nem quinze minutos, e antes de eu subir nele a gente se abraçou fortemente, e a Helo falou pra mim:
- Obrigada pelo dia, obrigada pela ajuda com a casa e obrigada por tudo. - falou ela me dando três beijos na bochecha.
- De nada, Helo, obrigado você também por tudo, foi um ótimo dia. - falei retribuindo os beijos.
E quando o ônibus finalmente parou a gente se soltou e eu subi nele, quando o veículo deu partida eu ainda vi a Helo acenando para mim, e eu retribuí, e assim fui para casa finalmente, depois daquele belo dia. E me subia uma ótima sensação em pensar que dias como aqueles com a Helo ainda iriam se repetir muito a partir daquele momento.

Brian

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Mais uma daquelas conversas com a minha consciência

Aquele era mais um daqueles dias estressante em que eu simplesmente não devia ter levantado da cama, mais uma vez tive que aguentar calado as frescuras da minha família em casa, o que aconteceu exatamente eu prefiro não comentar pra não acabar passando mais raiva, mas eu posso dizer que sempre que essas coisas acontecem eu acabo com coisas entaladas na gargantas, boa parte delas são verdades que eu queria muito jogar na cara da pessoa, mas nunca faço. Ai você me pergunta o porquê, simplesmente porque eu sempre acabo dando uma de "bonzinho" e deixo passar pra não criar mais confusão, o que me faz muito mal, principalmente porque nos momentos em que estou sozinho eu sempre fico remoendo aquilo tudo, e também penso em coisas que eu poderia ter dito, e acabo sentindo mais raiva ainda.
E pior ainda, como isso é uma coisa que eu faço desde que me entendo por gente, nessas horas eu começo a lembrar de coisas que me fizeram passar raiva no passado e que eu também deixei passar, e pior de tudo, boa parte dessas coisas aconteceram a anos atrás, mas ainda assim eu fico relembrando delas e sentindo a mesma raiva que eu senti na época, outra consequência disso é quando eu vou desabafar alguma dessas coisas com alguém, o sentimento de raiva sempre me sobe a cabeça e sempre acabo contando o acontecimento gritando de raiva, meus amigos sempre comentam isso quando ocorre.
Bom, era uma quarta-feira, era quase dez da noite e todos aqui em casa tinham ido dormir, para o meu alívio, finalmente eu teria um momento de paz, mas ainda assim aquilo tudo estava entalado na minha garganta, eu simplesmente não parava de pensar naquelas merdas todas, e certamente, eu começava a lembrar das outras coisas no passado que me fizeram passar raiva (em alguns casos, coisas que aconteceram a muitos anos atrás).
Até que depois de uma hora mais ou menos eu fui me deitar um pouco, pra ver se assim eu conseguia esfriar um pouco a cabeça, então depois de ficar uns vinte minutos rolando de um canto pro outro na cama, o sono começou a vir, e aos poucos eu acabei dormindo.
E quando me dei conta, eu abri meus olhos novamente, ai vi que tudo ainda estava ligado no meu quarto, então me levantei ainda sonolento para desligar tudo, sendo que antes de tudo eu iria olhar no meu celular a hora, quando o peguei eu estranhei uma coisa. Havia um vídeo passando nele, sendo que eu não estava fazendo nada no celular antes de pegar no sono, foi então que eu olhei melhor e vi que era um vídeo de um daqueles momentos que eu fico lembrando e tendo raiva.
Até que de repente, eu começo a olhar ao meu redor e vejo as paredes do meu quarto se desmontando, aliás, eu vejo meu quarto inteiro se desfazendo diante dos meus olhos, foi quando me dei conta que eu estava sonhando. Aos poucos meu quarto foi sumindo, até sobrar apenas um fundo branco, então de repente várias imagens começaram a passar pela paredes, todas elas eram lembranças minhas que me faziam ter raiva.
Foi então que eu senti aquela conhecida presença mais uma vez.
- Pode mandar a bronca! - falei pra minha consciência
- Você já está olhando pra ela. - disse ele mais uma vez, assumindo a minha fisionomia.
- Isso tudo que está nas paredes?
- Exato! 
Então ficamos alguns segundos parados observando as imagens que passavam, até minha consciência falar:
- Ás vezes me pergunto se você é masoquista.
- Por que dizes isso? - perguntei
- Porque eu não sei como você aguenta ficar relembrando dessas coisas e sentir a mesma raiva que você sentiu na hora, é angustiante, sério.
- Ás vezes eu me pergunto a mesma coisa. - falei
- E porque você continua fazendo?
- Porque é o que me resta.
- Explique melhor isso ai...
Respirei fundo, e falei:
- Já que eu não arrumo coragem pra falar na cara tudo aquilo que eu quero normalmente, o que me resta é ficar pensando de como as coisas seriam se eu conseguisse.
- O que te faz sentir pior do que você já está sentindo.
Ele tinha razão (mais uma vez).
- Agora me responda uma coisa... - continuou - isso adianta de algo?
Dei outro suspiro e falei bem baixinho:
- Não.
- Eu não ouvi direito! - retrucou minha consciência
- Eu disse que não! - falei mais alto
- E você sabe muito bem o que realmente vai adiantar, né?
- Sei! - respondi
- Então me fale agora em alto e bom som.
Fiquei calado por alguns segundos, e falei
- Falar na cara tudo aquilo que eu penso sem ter medo das consequências.
- Ai, ta vendo? - falou ele - você é um cara inteligente, só falta começar a ter atitude.
Atitude, essa era uma coisa que eu precisava melhorar muito, e urgentemente.
- Cara, irei te da um conselho... - continuou falando a minha consciência - sabe uma boa forma de começar a ter atitude?
- Diga!
- Não ter medo de arrumar confusão por isso, parar de querer ser o "bonzinho"...
Eu o ouvia atentamente.
- Isso porque quem normalmente é "bonzinho"... - continuava - não consegue se impor, não consegue absolutamente nada.
E eu pensava naquilo tudo que ele dizia, e fazia sentido.
- Aliás, veja por esse lado... - ele continuou falando - tu acha que as grandes revoluções da humanidade teriam acontecido se os envolvidos tivessem sido os "bonzinhos" e tivessem ficados quietos só para não arrumar confusão?
- Não. - respondi
- Pronto, essa é a prova de que pra você conseguir o que quer, você precisa se impor vez ou outra, arrumar confusão uma vez ou outra, e batalhar por isso.
- Mas eu prezo pelos meus relacionamentos. - falei
- Eu por acaso disse pra você deixar de fazer isso? - perguntou ele - Eu não disse que você tem que passar por cima das pessoas, e sim que você precisa de vez em quando entrar em algumas discussões, e se isso abalar seu relacionamento com a pessoa você pode tentar se resolver com ela depois.
Eu ainda tinha minhas dúvidas.
Foi então que a minha consciência começou a olhar pra mim, e falou:
- Mas lembre-se disso, não há respeito naquele que se omite.
Depois que ele disse aquilo, tudo começou a tremer, e as imagens nas paredes começaram a se apagar, era sinal de que eu estava prestes a acordar.
Então eu finalmente acordei, eu estava novamente eu meu quarto, e dessa vez de verdade, me levantei da cama e fui olhar o relógio, eram três e quinze da manhã, então nessa hora eu desliguei tudo e voltei para cama, ainda pensando no sonho que eu tive e naquilo tudo que minha consciência disse, e claro, repensando minhas atitudes, ou a falta delas, até finalmente pegar no sono de novo.


Brian

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Em um carnaval não muito qualquer...

E finalmente tinha chegado a época do ano que eu mais odiava, o carnaval, época que boa parte da população ia pras ruas comemorar uma das festas mais tradicionais da nossa cultura. Mas já pra quem não gosta de carnaval e quer fugir dele de alguma forma, como eu, arrumar o que fazer durante o feriado era difícil, principalmente aqui em Recife, já que praticamente tudo para e só volta a funcionar normalmente na quarta-feira de cinzas.
E lá estava eu, na terça-feira de carnaval de manhã, em casa, fazendo absolutamente nada, quer dizer, fazendo o que eu sempre faço quando to em casa a toa, navegando na internet, tocando violão, ouvindo música, e por ai vai.
Apesar disso tudo no sábado eu ate tinha ido pro centro da cidade de noite, isso porque uma banda que eu curto muito iria tocar, então fui la ver com meus amigos, e certamente, valeu a pena não só pelo show, mas também pela zoeira do pessoal e tudo o mais, tanto que todos só voltamos para casa depois do amanhecer.
Mas enfim, voltando para onde estávamos, eu continuava lá no meu quarto no tédio completo, enquanto também se ouvia algum bloco de carnaval passando pela rua daqui de casa. E eu realmente tava em uma de uns tempos para cá que eu não aguentava mais ficar em casa, sendo que o problema era aquilo que eu disse inicialmente sobre nada estar aberto durante o carnaval, basicamente, na verdade, o cinema é a única opção de diversão existente na semana de carnaval.
Então pensando nisso eu fui olhar o catálogo de filmes em cartaz na internet, havia alguns interessantes, chequei os horários e decidi que iria ver um naquela tarde, sendo que o problema era, com quem?
Minha mãe já tinha visto todos os filmes que ela queria ver que estão em cartaz e minha irmã estava viajando com o namorado, e boa parte dos meus amigos ou já tinham outras coisas pra fazer, ou estavam brincando carnaval, ou estavam viajando ou não queriam ver os respectivos filmes seja lá por qual razão, ou seja, provavelmente se eu quisesse ir no cinema eu teria que ir sozinho.
O que já estava praticamente decidido, já estava me programando e tudo, mas uma coisa era fato, ir no cinema sozinho era uma coisa muito deprimente, por isso eu ainda daria minhas últimas tentativas de conseguir alguém pra ir comigo. Foi então que eu recebi uma mensagem no meu celular, era "Dela", Simone.
"Oi Brian!" dizia a mensagem
"Oi Simone!" respondi de imediato
"Tudo bem contigo?"
Então respondi:
"Sim, e contigo?"
"Também, apesar do tédio" respondeu ela
E então a gente começou a conversar de como estava o nosso feriado, ela tinha ido ver uns parentes no interior durante o fim de semana e tinha voltado no dia anterior, e eu contei para ela da minha ida para o centro da cidade no sábado a noite.
Foi então que me veio em mente a ideia de chamá-la pra ir no cinema comigo, aliás, aquela era a oportunidade perfeita, estávamos nós dois completamente desocupados e seria apenas eu e ela.
"Ei, Simone"
"Diga." falou ela
Então respirei fundo, e escrevi:
"É que hoje eu tô pensando em ir no cinema..."
Então escrevi em outra linha:
"...e tava pensando, queres ir comigo?"
A partir daquele momento eu fiquei tenso em espera da resposta, meu coração chega disparava, até que alguns segundos depois ela respondeu:
"Claro que quero :)"
Simplesmente não haviam palavras que descrevessem a sensação de alegria que eu estava naquele momento. Então a gente começou a acertar tudo direitinho, em qual cinema seria, o horário e que filme seria, e assim eu finalmente dava um importante passo.
Marcamos bem cedinho, no início da tarde logo após o almoço, e assim que terminei o meu eu fui a caminho do shopping, isso eram mais ou menos meio-dia e meia. Cheguei lá eram uma e quinze da tarde, pra variar eu fui o primeiro a chegar, Simone ainda estava no caminho, mas segundo o que ela tinha dito quando eu liguei, ela não iria demorar muito pra chegar, então eu me sentei no primeiro banco que encontrei e fiquei lá a aguardando.
E enquanto isso eu simplesmente fiquei pensando nas minhas expectativas para aquele momento, talvez desse em algo, talvez não desse, só dependeria de mim, era só eu não fazer nenhuma bobagem que estava tudo bem, e enquanto eu pensava nisso tudo, eu apenas observava a movimentação do shopping (que mesmo com as lojas fechadas, ainda tinha bastante gente andando por lá).
Depois de uns vinte minutos, Simone finalmente tinha chegado, ela ligou para mim e pediu pra que eu a encontrasse no cinema, e assim fui para lá. Chegando lá eu ainda esperei alguns minutos até finalmente encontrar Simone.
Pode ser até clichê eu falar isso mais uma vez, mas ainda assim não deixa de ser verdade, ela estava muito linda, aliás, ela é linda, em todos os momentos, mas enfim. Quando a vi chegando eu acenei para que ela me visse, e assim que viu ela veio em minha direção, e então eu fui ao seu encontro. Quando nos aproximamos, nos cumprimentamos e nos abraçamos, aproveitei para dar um abraço mais apertado nela, e eu a senti retribuindo, o que me deu uma sensação de tranquilidade.
Então logo após a gente foi pra fila pra comprar os ingressos, que felizmente não tava lá muito grande naquela hora, ou seja, não demorou nem dez minutos. Então logo após de comprar os ingressos, Simone falou:
- E agora, o que faremos?
Eu pensei, e disse:
- Vamos andar um pouco por ai, apesar de não ter basicamente nada aberto.
A gente ainda tinha um tempinho de sobra, a sessão começava de duas e quarenta e ainda eram uma e meia da tarde.
Então Simone disse:
- Esse é o problema, mas não tem nada não, a gente fica rodando o shopping conversando mesmo.
"Isso porque as vezes não importa muito o que você vai fazer, e sim com quem você estar" pensei naquele momento, até pensei em falar isso para ela, mas achei melhor deixar quieto.
E aí fomos andar pelo shopping, além de conversar, certamente, a gente também ficou olhando as vitrines de algumas lojas fechadas (aliás, algumas, tipo a livraria, era uma pena que estavam fechadas, porque teria muita coisa de interessante pra gente ver lá).
Uma das poucas partes do shopping que estavam abertas naquele dia era o supermercado, então fomos para lá da uma olhada em tudo, logo na entrada havia umas máscaras e chapéus sendo vendidos pro carnaval, e a gente certamente começou a zoar os experimentando, alguns ficavam legais na gente e outros ficavam toscos pra cacete. E em alguns casos (contra a minha vontade) tiramos algumas fotos da gente usando aquelas porcarias, e claro, rimos pra caramba.
Depois fomos pra alas de CD's e DVD's, que era a parte que mais nos interessava, e chegando lá ficamos falando sobre aqueles que nos interessava, e foi a partir daí que eu vi que eu e ela tínhamos um gosto bastante parecido. E havia alguns que eu até pensei em comprar, mas estavam com um preço bem salgado, então deixei para lá.
Quando nos demos conta, já eram duas e vinte e cinco.
- Melhor a gente ir pra fila, né? - falei
- Concordo contigo. - disse ela
E assim a gente foi em direção do cinema.
Quando chegamos lá, já tinham aberto a sala e logo entramos.
Ainda faltavam uns vinte minutos para o filme começar, e enquanto isso a gente continuava conversando sobre coisas aleatórias, apesar que, foi naquele momento que me passou pela mente:
"Porque você não fala dos seus sentimentos para ela?" pensei "é a oportunidade perfeita, apenas vocês dois numa sala de cinema, tem situação melhor que essa?"
E isso ficou martelando minha cabeça o tempo todo, mas pra variar, me faltou a droga da iniciativa.
"Tu é um cagão mesmo, hein Brian?" pensei
Até que o finalmente o filme começou, as luzes se apagaram e o telão se acendeu, e então ficamos em silêncio e passamos a olhar atentamente pro que se passava na tela.
Ao longo que o filme se desenrolava a gente não falou muito, o máximo que fazíamos era algum comentário rápido no ouvido do outro, e aquilo de falar do que eu sentia pra ela ainda vez ou outra me martelava, mas eu fazia de tudo para deixar isso para lá, o que não estava muito difícil, até um certo momento.
A sala estava fria pra caramba, o que pra mim não era muito problema, eu costumo a aguentar de boas, mas eu percebia que Simone estava simplesmente congelando, e a coitada estava sem um casaco. Foi então que de repente, ela se abraçou comigo.
- Posso? - perguntou ela - to com muito frio.
- Claro que pode. - respondi a abraçando de volta.
E certamente, aquelas coisas voltaram a me martelar ainda mais forte.
"Tu só não fala porque não quer." "Só depende de você." "Porque tu é assim, cara?" "Seja macho, caralho!" eram alguns dos pensamentos que passavam pela minha cabeça, e até mesmo alguns do tipo "Nessas horas me surpreende muito você não ser gay."
E daquela forma ficamos ao longo de todo o filme, e vez ou outra eu a sentia me abraçando mais forte, eu certamente retribuía, e vez ou outra também eu fazia um cafuné nela, e ela também fazia o mesmo em mim, e nessas horas que eu ficava em dúvida se prestava atenção no filme ou nela.
"Cara, eu sinceramente desisto de tu." pensei mais uma vez.
E depois de uma hora e meia, o filme tinha terminado, foi quando finalmente nos soltamos e fomos em direção da saída da sala. Enquanto saímos de lá, a gente certamente ficou falando do que a gente tinha achado do filme e demos todos os comentários que tínhamos em mente. Foi enquanto isso que eu perguntei pra Simone:
- Ei Simone, tu ta com tempo?
- Sim, por que?
Eu hesitei por um momento, mas falei:
- Quer... sei lá, sentar e comer um lanche, ou,... coisa assim?
Ela riu um pouco, provavelmente do meu nervosismo.
- Sim, claro que quero. - falou ela sorrindo
E ouvindo a sua resposta eu sorri junto com ela. E mais uma vez, vai ser clichê pra cacete eu falando isso, mas é a verdade, o sorriso dela realçava a beleza dela ainda mais.
Depois que decidimos o que iríamos comer, arrumamos uma mesa pela praça de alimentação (que tinha bastante gente, mas não estava lotada, felizmente), nos sentamos e continuamos a conversar enquanto comíamos. E enquanto ela falava, eu observava mais a sua beleza, e dessa forma aqueles pensamentos mais uma vez voltaram a me martelar, e cada vez mais forte, e de alguma forma isso estava me deixando nervoso, nervoso a ponto da minha mão começar a tremer, e Simone acabou percebendo.
- Brian, você tá bem?
Sem jeito, respondi:
- Claro, claro, por que não estaria? - falei com um sorriso meio forçado
- Você ta tremendo. - falou ela apontando pra minha mão.
- Ah, isso? - falei me fazendo de cínico - não é nada demais, é só o frio.
Ela fez uma cara de quem claramente não engoliu aquela história, mas por alguma razão ela deixou passar, para o meu alívio, e dessa forma eu tentava tirar aqueles pensamentos da minha cabeça de todas as formas possíveis.
Passava-se o tempo e a gente ainda estava lá conversando, e isso a gente já tendo terminado de comer há um bom tempo, até que uma hora Simone olhou pro relógio e ficou espantada.
- Caramba, já são quase sete horas. - isso porque quando a gente tinha saído da sala eram quase quatro - melhor a gente ir, não acha.
Na verdade eu não queria ir, eu queria ficar lá mais tempo com ela.
- É... É melhor. - falei meio que a contra-gosto.
Então eu perguntei:
- Você vai voltar como?
- Cara, essa é uma boa pergunta... - disse ela pensando - pela hora eu vou voltar de táxi mesmo.
- Ah, beleza. - falei logo após.
- E tu?
- Eu vou pegar um "busão" mesmo, o percusso não é lá muito longo.
- Beleza, mas você vai agora?
- Não exatamente... - falei - vou esperar tu pegar um táxi e ai eu vou.
- Ah, Brian, precisa disso não, se quiser ir logo pode ir.
- Não, não, faço questão de esperar.
Ela ficou calada por um momento e disse:
- Ta bem então... - disse sorrindo - é muito gentil da sua parte.
E eu mais uma vez retribuí o sorriso.
Fomos até a saída do shopping e ao contrário do que eu pensava, não havia nenhum táxi estacionado por lá (consequência da alta demanda do carnaval, provavelmente), então eu fiquei com Simone fazendo sinal pra todos os táxis que passavam por ali, não foi fácil, mas depois de uns quinze minutos a gente conseguiu.
Então quando um deles finalmente parou, Simone virou pra mim e disse:
- Bom, agora to indo nessa, obrigada Brian, não só pelo convite mas também por me esperar.
- Não precisa agradecer. - falei sorrindo
Ficamos calados por um momento, até que ela disse:
- Nos vemos quinta pela faculdade, então?
- Com certeza! - falei
E mais uma vez, ficamos calados olhando um para o outro por um momento.
- Bom, até lá então. - falou ela me abraçando fortemente e me dando um beijo no rosto.
- Até. - respondi meio sem graça.
E assim ela entrou no táxi e foi para o caminho de casa, enquanto eu fui pra parada de ônibus que ficava bem ao lado, felizmente o local ainda tinha uma movimentação, não muita, mas tinha, o que me deixava mais tranquilo, e assim fiquei lá esperando meu ônibus passar.
Depois de uns quinze minutos ele passou e assim segui meu caminho pra casa, e naquele momento apenas duas coisas passavam pela minha cabeça.
1- De como aquele dia valeu a pena.
2- De como eu preciso vencer a minha timidez urgentemente.
Eu simplesmente tinha desperdiçado a melhor chance que eu tive de falar pra Simone tudo aquilo que eu sentia por ela que estava entalado na minha garganta, foi nessa hora então que mais uma vez eu pensei.
"Caramba, velho, por que eu sou assim?"


Brian 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Aconteceu na saída de um show de rock...

Aquele era mais um domingo normal, quer dizer, não tão normal assim, naquele dia eu iria em um show de bandas de metal underground daqui de Recife, mais específico, era um evento voltado para aqueles metaleiros que queriam fugir desse maldito clima de carnaval que a cidade tava (como eu já falei aqui algumas vezes, eu não suporto carnaval).
E certamente, eu tentei chamar algum amigo meu pra ir comigo e mais uma vez foi sem sucesso, teve um que por um momento até ia mas depois ficou de frescura, mas enfim, eu ir sozinho já não era mais novidade nenhuma há um bom tempo, já estava até acostumado (e antes que perguntem, sim, eu tentei chamar Simone também, mas ela tava com outros compromissos marcados com a família, ou seja, foi triste pra mim).
O evento estava marcado pra começar bem cedo, umas quatro da tarde, e tudo indicava que tudo iria começar no horário certinho, então eu botei fé nisso e saí de casa uma três horas da tarde. Cheguei no local umas três e meia e nem a fila tinha se formado ainda.
"E os caras fizeram um puta terrorismo no facebook em relação ao horário." pensei.
Mas enfim, já estava lá de qualquer forma, o que me restava então era simplesmente sentar e esperar. Quando deu quatro horas finalmente formaram a fila, e uns vinte minutos depois nos deixaram entrar, e não demorou muito pras apresentações finalmente começarem, era quatro e meia da tarde quando a primeira banda iniciou seu show, e a partir daí foi apenas aproveitar a noite.
Tocaram cinco bandas naquele evento, e cada uma delas tiveram uma hora de apresentação, e no fim o evento terminou umas dez e pouca da noite. E eu, pra variar, não fiz nenhuma amizade lá dentro, acompanhei os shows completamente solitário do início ao fim (por alguma razão eu simplesmente não consigo socializar com o pessoal nos shows), o que já era de costume.
Na saída eu tive que enfrentar uma fila para pagar tudo aquilo que consumi dentro do local (maldito seja quem teve essa ideia), o que era uma droga já que eu tive que enfrentar uma puta fila para pagar apenas os míseros quatro reais de uma água que eu tomei lá dentro, isso sem falar que parecia que a fila simplesmente não andava e havia apenas dois caixas para atender mais de trezentas pessoas.
Mas enfim, quando eu finalmente consegui pagar já eram umas dez e quarenta da noite, e então saí dali para tentar arrumar um táxi na rua, que pra variar foi uma agonia, já que eram muitas pessoas atrás de um, e certamente que a pessoa tinha que dar uma de abutre pra conseguir, muitas vezes entrando no táxi que tinha parado pra outra pessoa que tinha feito sinal.
De uma forma ou de outra, tava ficando tarde, a área tava ficando cada vez mais estranha e eu ainda não tinha conseguido um táxi, até tentei pedir por celular, mas não dava pra confiar nos serviços de táxi dessa cidade, principalmente em época de carnaval em que eles são muito requisitados.
Até que em um momento, eu fiz sinal pra um táxi que passava e ele parou, sendo que quando eu ia entrar chegou um outro cara e entrou antes, eu normalmente deixaria passar, mas como eu já tava cansado e doido pra chegar em casa logo, eu falei:
- Ei amigo, esse táxi é meu.
- Que nada, cheguei primeiro. - falou o cidadão
- Sim, mas fui eu que fiz sinal.
- Sim, mas desculpe dizer, tu não foi rápido o suficiente na hora de entrar.
Eu estava começando a me irritar.
- Amigo... - falei pro taxista - não fui eu que fiz sinal?
- Rapaz, se resolvam ai, não me meta nisso.
"Ótimo" pensei ironicamente.
Até que eu pensei um pouco, e concluí duas coisas:
1- Eu realmente queria chegar em casa logo e sair dali.
2- Eu não estava afim de entrar numa discussão com aquele cara.
Foi então que eu disse:
- Cara, vamos fazer o seguinte, tu vai pra que lado?
- Pra zona norte. - respondeu
- Aonde exatamente na zona norte?
- Nas Graças.
- Ótimo, porque eu quero te sugerir uma coisa...
Ele olhou atentamente para mim.
- Eu também irei pra zona norte, para a Madalena pra ser mais exato, ou seja, é caminho, e como eu tenho certeza que tá nós dois doidinhos pra chegar em nossas casas logo, porque a gente não racha já que iremos pra mesma direção?
Nem eu mesmo estava acreditando que tava sugerindo aquilo pra um cara que eu nem sequer sabia o nome.
O cara pensou por um instante, mas logo respondeu:
- Está bem então.
"Ainda bem" pensei.
Eu não estava nem um pouco afim de ficar mais tempo naquele lugar esperando um táxi vazio passar, a movimentação por lá já estava quase nula, então nós dois entramos no táxi (ele no banco da frente e eu no banco de trás), e o motorista deu partida.
Por um momento ficamos nós dois calados, até que o cara lá quebrou o silêncio:
- Qual o seu nome?
- Brian! - falei
- Prazer, sou Adriano.
- Prazer! - respondi acenando com a cabeça
- Cara, tenho que admitir... - falou ele - fiquei surpreso que você tenha sugerido isso de rachar o táxi comigo, e estranhei também.
- Anormal eu acharia se você não tivesse estranhado.
- Não é uma coisa muito comum de ser ver hoje em dia, falo isso porque já soube de muitas brigas entre pessoas que iriam pegar o mesmo táxi.
- Eu imagino.
Ficamos calados por alguns instantes, e depois falei:
- É que eu to simplesmente naquela de que eu apenas quero chegar em casa, mesmo que eu pague cinquenta reais de táxi pra isso, sem falar que, na moral, não vale a pena discutir.
- Então se a gente não tivesse entrado nesse consenso, você simplesmente teria deixado o táxi pra mim?
- Mais ou menos por aí. - respondi
- Entendo, eu acho.
- As vezes é a coisa mais sensata a se fazer, principalmente nos dias de hoje em que as pessoas costumam a arrumar confusão por menos.
- Ah, isso é verdade. - concordou ele
Depois de outro momento calados, Adriano perguntou:
- E aí, o que achou dos shows?
- Simplesmente fodas, claro... - e dali em diante a gente conversou sobre não só os shows, mas também de música em geral, e também sobre nossas vidas.
Até o momento em que chegamos na "primeira parada", que no caso seria a minha casa, quando o táxi parou, eu paguei a corrida e me despedi de Adriano e do motorista.
- Falou, e valeu aí.
- Nada, cara... - falou Adriano - espero que a gente se esbarre de novo em algum outro show por aí.
- Idem, cara. - falei saindo do carro
E quando cheguei no portão do prédio, o táxi deu partida e seguiu para a sua "segunda parada". E assim cheguei em casa com apenas três coisas em mente: Tomar banho, comer (não tinha comido nada desde a hora que saí de casa) e dormir, aliás, no dia seguinte seria uma segunda-feira e eu teria que estar pronto pra voltar pra velha rotina de sempre.


Brian

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A história de uma cadela

Hoje não irei contar exatamente uma história "minha", quer dizer, eu não deixo de estar incluído nela, mas eu não sou o foco principal dessa vez. O foco dessa vez será uma pequena criatura que apareceu de repente não só na minha vida, mas também na vida de todos que treinam na minha academia de kung fu.
Mas antes de começar, eu farei uma breve introdução sobre a minha academia de kung fu (já contei uma vez uma história minha que ocorreu lá, mas sem muitos detalhes sobre a academia em si). Primeiramente, a gente não treina exatamente em uma "academia", não temos um teto propriamente dito, nós treinamos em um espaço público da UFPE que todos chamam de "caixa d'água". E não, a federal não nenhum vínculo com a nossa academia, apenas utilizamos o espaço, e claro, temos as nossas dificuldades por se tratar de um local público.
Como por exemplo, sempre temos que dividir o espaço com o pessoal que frequenta a área (que no geral são famílias, skatistas, ciclistas e outra coisas do gênero, e pessoas que ficam a toa por lá), se chover ou a gente treina na chuva ou simplesmente não treina, se tiver gente falando alto demais no local a gente não tem a moral pra pedir pra que falem mais baixo, isso sem falar na questão da segurança, já que o local em questão é estranho, principalmente a noite, e gente mal intencionada passa aos montes por lá.
Agora, esses detalhes todos são importantes pra história em questão? Bom, pra vocês poderem compreender certas parte eu diria que sim, mas enfim, vamos logo pra parte que interessa.
Eu não sei dizer com precisão a quanto tempo essa "pequena criatura" apareceu por lá, isso porque ela apareceu durante os dois meses em que estive afastado por causa do emprego temporário que eu tinha arrumado cujo o expediente no sábado era das seis da manhã até as seis da tarde, mas enfim, de uma forma ou de outra ela apareceu de repente pela caixa d'água.
Essa "pequena criatura" em que falo é nada mais e nada menos do que uma simples cadela vira-lata, na primeira vez em que vi ela foi na minha volta aos treinos após dois meses afastado. Quando cheguei na caixa d'água ela já veio direto em minha direção pra me cheirar, o normal de qualquer cachorro quando alguém que ele não conhece aparece.
Inicialmente eu achei que ela era a cadela de alguém que estava por lá, ou até mesmo de alguém da academia, já que ela estava de coleira, mas quando perguntei me confirmaram que não era, e o pessoal falou que ela estava por lá já fazia algumas semanas. Ou seja, tudo levava a entender que algum desalmado abandonou a coitada por lá.
Certamente que no início todos achavam que ela não ia ficar por lá por muito tempo, o que realmente não aconteceu. Passaram-se mais semanas e ela ainda estava lá, sempre andando por aquela área, todo treino ela estava lá, sempre que alguém chegava ela ia na direção da pessoa dar as suas "boas-vindas", aos poucos ela foi virando o xodó do pessoal, já podíamos dizer que ela estava virando o mascote da academia, a simples cadelinha já estava conquistando a simpatia e o carinho de todos, inclusive de mim, ela conseguiu conquistar até mesmo a simpatia do nosso mestre.
Até que alguns treinos depois nós finalmente resolvemos adota-la como mascote oficial da academia, a levamos pra ser vacinada num veterinário que havia lá por perto e também finalmente lhe arranjamos um nome, a partir daquele momento a simples cadelinha passou a ser conhecida como Chola. Naquele mesmo dia durante o treino, o mestre falou para gente que a partir daquele dia todos nós teríamos a responsabilidade de cuidar de Chola, e que ela agora era um membro da nossa academia, da nossa família.
E desde então a gente passou a dar água e comida pra ela, felizmente não eramos os únicos, outras pessoas dentro da federal também ajudavam a cuidar dela quando a gente não estava por lá, principalmente na parte de dar banho nela, e sempre que ela precisasse de um veterinário cada um daria uma ajuda para leva-la em um.
Mas esses eram apenas mínimos detalhes, porque no geral ela sabia se virava. Podemos dizer que a gente cuidava dela, mas Chola não era de ninguém, a casa dela era a caixa d'água, ela andava por lá livremente, fazia o que bem queria, mas claro, vez ou outra a gente tinha que ser mais ríspido com ela pra evitar dela fazer alguma bobagem (o que por um lado era um pouco complicado, já que ela não era muito de obedecer ordens), por exemplo, muitas vezes ela sai latindo que nem doida pra cima de outros cachorros que passam pelo local (fazendo isso uma vez até mesmo com um pitbull), ou até mesmo pra cima de algumas pessoas, mas calma, como diz o famoso ditado, cão que ladra não morde, ela nunca atacou ninguém e nem chegou a brigar com outros cães, o máximo que ela faz é rosnar e sair latindo pra cima da pessoa e depois recuar (mesmo assim, isso fez algumas pessoas terem medo dela), mas claro, sempre que ela faz isso alguém da academia dá uma bronca nela.
Outra coisa que ela faz normalmente também é atrapalhar a gente enquanto estamos treinando, uma vez quando estava treino de combate, os que estavam de fora tiveram que fazer um quadrado pra simular um ringue, e vez ou outra Chola tentava entrar nesse quadrado, e claro, alguém a tirava de lá pela coleira quando ela fazia isso. Outro exemplo foi uma vez em que eu estava treinando a minha forma de bastão e ela apareceu no meio, por pouco eu não bati nela, quando isso acontece a gente tem que bater com o bastão no chão pra afasta-la, outro caso é quando a gente está fazendo algum exercício no chão e ela vem pra lamber a nossa cara, nesse caso a gente simplesmente manda ela sair, e também as vezes que a gente ta sentado tendo uma mini-reunião e ela fica pentelhando alguém, mas nesse caso ou alguém manda ela sentar ou então fica paparicando ela mesmo (que ai ela fica quieta um pouco).
Mas mesmo com todos esses detalhes, todo mundo na academia a ama, e não tem como não amar, Chola era uma fofa, ela não precisava de muito pra ficar alegre, muitas vezes um jambo seco no chão já era o suficiente pra ela se divertir. E se tem uma características que eu adoro dos cães, é a sua lealdade, é lindo ver a alegria que Chola fica quando algum de nós chega na Caixa d'água, ou então nas vezes em que a gente vai correr o quarteirão e ela vem correr conosco, e principalmente, nas vezes em que saímos da Caixa d'água após o anoitecer e ela nos acompanhou até o portão de saída da federal.
No fim das contas, Chola realmente virou um membro da nossa família, uma simples cadelinha que apareceu de repente pela Caixa d'água, e assim, por lá ficou, treino após treino, com a mesma alegria com que chegou por lá, e aos poucos ganhou o amor de todos tanto da academia quanto do pessoal de fora.
E não só eu, mas como todos por lá, esperamos que ela fique bastante tempo conosco, porque eu garanto, no dia que ela se for (e espero muito que esse dia demore bastante pra chegar), todo mundo sentirá a falta dela, inclusive eu.

Brian

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Uma ótima notícia

Aquele era um dia de grandes expectativas, quer dizer, não tanto pra mim na verdade, mas sim para os milhares de estudantes que tinham feito o ENEM, isso porque naquele dia seria aberta as inscrições pro SISU, ai eles veriam se suas respectivas notas foram o suficiente para serem aprovadas nas universidades e cursos em que desejam ingressar.
Certamente, eu estava com expectativas em relação aos meus amigos que tinham feito, porque eu já estava bem encaminhado em questão de faculdade. Mas de qualquer forma eu fiquei atualizado no facebook esperando notícias do pessoal que fez.
Fiquei fazendo as coisas que eu normalmente sempre faço quando estou em casa a toa, que é fica no computador, ouvir música, tocar violão, e vez ou outra assistindo alguma série ou então jogando algo, e também falando com o pessoal fosse pelo facebook ou pelo celular.
E aos poucos foram aparecendo as postagens do pessoal que passou, e também dos que ficaram pelo caminho. Como por exemplo, meu amigo Paulo, que tentava vestibular pelo 4º ano consecutivo e mais uma vez não obteve sucesso, ou então Jorge que tentava pela primeira vez e que também não obteve sucesso.
Entre os que se deram bem estavam Rodolfo, que depois de 3 anos tentando medicina finalmente tinha conseguido, Luiza que tinha passado em engenharia com tranquilidade e Vanderlei que tinha passado em direito. Mas pelo menos pra mim, a melhor notícia ainda estava por vir.
Foi quando meu skype tocou, era a Helo (minha amiga de Alagoas) me chamando pra uma chamada de vídeo, e então imediatamente eu atendi:
- Oi Helo!
- Oi Brian! - respondeu ela - como tais?
- To bem, e você?
- To ótima!
E ela realmente aparentava isso, o sorriso dela estava mais radiante do que nunca.
- Tenho boas notícias... - disse ela - quer dizer, boas não, ótimas.
Eu já tinha uma ideia do que ela iria falar, quer dizer, eu torcia muito para que fosse exatamente aquilo que eu estava pensando.
- Sou todo ouvidos. - falei animado
- Acabei de ver minha situação no SISU...
- E ai...?
Ela fez um breve suspense, mas logo falou:
- Passei em enfermagem na Federal daí!
Um grande sorriso se abriu no meu rosto naquele momento.
- Caramba, velho... - falei alegre - é realmente uma ótima notícia.
- É sim... - disse ela - me mudarei pra Recife.
Eu e a Helo nos falamos pela internet a mais ou menos 5 anos, e só no ano passado a gente conseguiu finalmente se conhecer pessoalmente no Festival de Inverno de Garanhuns, isso depois de várias tentativas falidas de se encontrar antes, e desde aquele dia que ela tinha me dito que iria tentar ingressar na federal daqui, e como vocês bem podem ver, nossas expectativas foram bem atendidas, a partir de agora a gente passará a se ver com muito mais frequência.
- Vai ser ótimo finalmente te ter realmente por perto. - falei
- Digo o mesmo. - respondeu ela ainda sorrindo.
- Você vem quando pra cá?
- Bom, como eu passei na segunda entrada a faculdade mesmo só começará em setembro, mas certamente eu chegarei por ai bem antes, já comecei a procurar uma casa pra alugar e se tudo der certo eu chego ou no fim de fevereiro ou no início de março.
- Entendi! - respondi - bom, de qualquer forma, estarei esperando por você.
- Fico feliz em saber disso. - respondeu ela
E depois de um momento de silêncio onde ficamos um olhando pra cara do outro sorrindo, a gente começou a falar de coisas aleatórias.
Enquanto pra mim a ficha ainda não caia, imagino que pra Helo também não, mas finalmente aconteceu, a gente iria morar na mesma cidade.


Brian