segunda-feira, 13 de junho de 2016

Uma noite para não esquecer - Parte II - A parte interessante da noite

PARTE I
(...)
Naquele momento, ela apenas olhava seu celular sem prestar atenção no que acontecia ao redor, e eu ia na direção decidido no que ia fazer, mas claro, não podia ser diferente, aquele maldito frio na barriga subiu em mim.
Por momento, quase eu hesitava sobre tomar essa atitude, por mais "foda-se" que estivesse, o meu lado tímido ainda assim falava alto, e até demais. Mas mesmo esses meus velhos pensamentos não foram o suficiente para me fazer dar um passo atrás sobre a minha decisão.
E o pior é que não fazia a menor ideia do que falar quando chegasse nela, e eu estava com uma porra de uma rosa na mão, teria que usar um pouco a minha criatividade que normalmente falha nesses momentos, e ainda teria que pensar rápido, o que só piorava as coisas.
Então chegou a hora H...
- Pra você! - falei entregando a rosa
De início, Marina pareceu um pouco assustada, o que é normal, cheguei nela meio que "repentinamente". Certamente houve um estranhamento da parte dela no início, mas depois de observar bem a situação, ela gentilmente recebeu flor, sorriu e disse:
- Obrigada.
Após isso, veio o momento constrangedor onde eu simplesmente não sabia o que fazer, ou o que dizer, e como não podia deixar de acontecer, minha mão começou a tremer pra caramba e isso ficou MUITO evidente.
- Posso me sentar aqui contigo? - perguntei no impulso, ficando com a sensação de ter feito uma pergunta estúpida.
Ela riu e disse:
- Sim, fique a vontade.
Dessa vez posso dizer que definitivamente eu não estava mais no modo "foda-se", estava tremendo mais do que um porco prestes a ser abatido. No fim, as minhas velhas paranoias de sempre voltaram a me atormentar em questão de segundos, mais uma vez fiquei com esses malditos pensamentos de que provavelmente eu estarei incomodando e que o melhor a fazer seria me retirar.
Mas, o que aconteceu a seguir acabou aliviando um pouco da minha tensão.
- Tudo bem? - perguntou ela
"Bom, se ela perguntou isso primeiro, deve ser porque há um interesse dela de iniciar uma conversa" pensei.
- Sim, e contigo? - perguntei de volta
- Só um pouco entediada, mas estou bem. - respondeu ela
A gente sorriu um pro outro, mas depois ficamos alguns segundos calados, causando mais um daqueles momentos constrangedores onde nenhum dos dois sabiam o que dizer.
- Você é lá da faculdade, né? - perguntou ela
- Sim, sim! - confirmei
- Faz jornalismo, certo?
- Exato! - confirmei mais uma vez - e você também, né?
- Isso mesmo.
- Desconfiei, a gente está sempre nos mesmos locais.
Dei uma leve risada como resposta, uma risada que foi um pouco falsa, mas é uma coisa que faço quando normalmente não sei o que falar.
Aliás, se tem uma coisa que sempre fui ruim nessas horas é puxar assunto com as pessoas que não conheço, tanto que por isso que na grande maioria das vezes que ia para algum local sozinho eu não fazia nenhum amigo, mesma razão também pra o fato que nunca conseguia me envolver com uma garota nesses locais.
- Qual o seu nome? - perguntou ela após mais alguns segundos com os dois calados.
- Ah, prazer, Brian.
- Prazer, Marina. - eu já sabia, mas claro que não falei isso na hora.
Apertamos a mão um do outro, e depois a iniciativa da conversa finalmente veio de mim.
- O que está achando da festa? - perguntei
- Sinceramente? Chatinha, mas posso ta falando isso por não gostar muito desse tipo de ambiente.
Dei uma risadinha baixa, e disse:
- Te entendo, estou me sentindo da mesma forma... - e depois continuei - na verdade, nem estava muito afim de vim, mas meus amigos me encheram tanto o saco que acabaram me convencendo.
- Comigo foi quase a mesma coisa, e eu ainda tinha prometido a minhas amigas que um dia faria o programa delas, e aqui estou.
- Não valeu muito a pena pelo visto, né?
- Não mesmo. - falou ela rindo
Então ela deu uma suspirada e disse:
- Obrigada novamente pela flor.
- De nada. - falei um pouco sem graça.
- Mas, você se importa se eu te fizer uma pergunta bem direta?
- Manda!
Ela respirou fundo, e falou:
- Dada a temática da festa e a razão pela qual essas flores estão sendo distribuídas, isso há um significado a mais, certo?
Já que ela tinha sido tão direta assim, seria cara de pau da minha parte dizer que não, sendo assim, fiz para ela aquele olhar de confirmação, mas sem dizer nada e ficando completamente sem graça.
Marina apenas riu e ficou me encarando como se estivesse achando graça do quão nervoso fiquei após a pergunta.
- Relaxa, menino. - disse ela passando a mão dela sobre a minha
E juro que não é exagero meu, só aquilo foi o suficiente pra eu saber que devia seguir em frente e que provavelmente aquilo daria em algo. Então falei:
- Sim, é que te achei muito, muito bonita, e aí achei interessante vim aqui falar contigo e lhe entregar essa rosa. - minha mão estava tremendo mais que nunca.
Marina ria, mas ao mesmo tempo ficava vermelha, provavelmente ficou sem graça por conta do elogio que fiz.
- Obrigada! - disse ela
Apenas sorri, e depois disse:
- Ah, e outra coisa que me chamou atenção em você são as suas mechas azuis no cabelo, realçam bastante a sua beleza.
Marina não conseguia mais esconder que estava ficando sem graça.
- Muito gentil da sua parte dizer isso.
E assim sorrimos um para o outro e ficamos mais um momento calados.
- Mas enfim... - falei - já que estamos aqui, fale-me um pouco de você.
- Bom, por onde começar...?
Então ela começou a me falar um pouco de sua vida, algumas informações eu já sabia, como o fato dela ter nascido em São Paulo e dela ser uma "gamer" declarada, as novidades foram o fato dela gostar de pelo menos uma parcela das bandas que eu também gosto, dela ter dois gatos e um cachorro (pug), dela ser cinefíla e de seu maior sonho ser morar nos Estados Unidos.
Depois eu falei aqueles fatos que vocês já conhecem sobre mim, que gosto muito de rock, que tenho um gato chamado Riddle, que até certo tempo pratiquei kung fu, que tinha descendência canadense. e entre outros.
Dali pra frente, a conversa passou a fluir normalmente, a coisa realmente parecia que iria pra algum canto, e eu estava gostando muito daquilo. Papo vai, papo vem, até que chegou em momento que Marina olhou pra mim e disse:
- Vamos jogar um pouco? - falou apontando pra mesa de sinuca
- Claro! - falei
Com exceção de Rafael e Duda, os outros ainda se encontravam lá jogando, e pelo visto ainda estavam bastante enrolado com o jogo que estavam fazendo, nos aproximamos, pedimos para entrar no jogo e pegamos um taco cada um.
Naquele momento (sem Marina perceber, certamente), Lúcia me aquele olhar como se dissesse "Ta podendo, hein?", e eu apenas ri.
Enquanto jogávamos, percebi que Marina não tinha lá muito intimidade com o taco e sempre acabava se enrolando na hora de jogar, e claro, fiz questão de ajuda-la em relação a isso, a ensinando como se deve dar a tacada, e da mesma forma sempre procurei apoia-la em toda jogada que fazia, mesmo as mais merdas. E ela também fazia o mesmo quando eu ia fazer as minhas jogadas.
E admito, estava rolando um clima forte entra a gente, e os outros ao redor percebiam isso, tanto que aos poucos eles foram deixando a mesa para nos deixarem sozinhos. Quando percebemos isso, ainda jogamos por um tempinho, mas com o passar dos minutos aquele joguinho já estava ficando chato.
- Isso aqui já cansou, né? - falou Marina
- Também acho. - concordei
Após recolocamos os tacos em seus devidos lugares, perguntei:
- O que faremos agora?
Marina pensou por alguns segundos, e disse:
- Que tal a gente ir dançar?
- Mas eu não sei dançar.
- Ué, eu também não... - disse ela -  e essa é a graça.
Não sei porque, mas aquilo por incrível que pareça foi o suficiente para me convencer.
Então dessa forma descemos para a pista de dança, chegando lá embaixo, a primeira coisa que vi foi Lucas ainda com aquela garota, sendo que dessa vez os dois estavam bebendo e conversando no balcão.
"As coisas tão fluindo pra caralho ali." pensei.
Não muito depois avistei também Rafael e Duda dançando juntos, tendo pouco depois os dois se beijado também. A música tocava era mais um daqueles remixes de músicas pop que estavam na mídia atualmente, boa parte que eu nem sequer curtia direito, mas não reclamava porque se tem uma coisa que já estou acostumado é com o fato desses locais não tocarem o tipo de música que gosto.
Então começamos a tentar dançar no meio daquilo ali, se estávamos conseguindo, aí é outra história, porque realmente, nenhum de nós dois sabíamos dançar, mas a gente àquela altura não nos importávamos mais com isso, inclusive achávamos aquilo engraçado e nos divertíamos bastante por isso. Por mais ridículo que estivéssemos parecendo ali, a gente só fazia rir disso, a ponto que podia está todo mundo daquele local olhando estranho para nós, que não iríamos nos importar.
De início, estávamos dançando ainda separados um do outro, mas o tempo todos soltávamos "aquele olhar" um para o outro, e constantemente ríamos, e seu sorriso sempre a deixava mais linda do que o normal.
Até que chegou um momento que começaram a tocar uma daquelas músicas de forró que todo mundo costuma ouvir, e claro, foi o momento em que os casais começaram a dançar "agarrados". No início fiquei um pouco acanhado de chamar Marina para dançar dessa forma (pra variar), mas acabou nem sendo tão complicado assim, apenas olhei em seus olhos e segurei sua mão que ela já entendeu o recado.
Por incrível que pareça, por mais que não soubéssemos dançar, até que desenrolamos bem, foi menos ridículo do que imaginava. Mas isso já não importava mais pra gente, queríamos apenas curtir o momento.
E assim o clima entre nós dois foi esquentando, tanto que de vez em quando ela me puxava pra junto dela, dando inclusive a impressão que iria me beijar, na verdade, não sei se ela realmente pretendia fazer isso e hesitava, ou se estava provocando mesmo.
Mas de qualquer forma, via-se em seus olhos o seu interesse, tanto que aos poucos nos aproximávamos cada vez mais, tanto que chegou um momento que a música mudou mas a gente nem reparou, continuávamos ali dançando juntos.
O clima entre a gente já estava tão forte que chega era inevitável o que iria acontecer a seguir, e imagino que vocês sabem muito bem o que foi. Não demorou muito e finalmente nos beijamos, e dessa vez foi sem aquela enrolação em que eu ficava na maioria das vezes que vocês que acompanham minhas histórias conhecem muito bem.
Por dentro ri um pouco de mim mesmo e não acreditei que aquilo estava acontecendo, justamente pelo fato que o normal era eu ficar numa enrolação da porra em relação a ela por meses, e dessa vez não demorou nem 24 horas, certamente fiquei feliz, porque significava um avanço meu.
O nosso beijo foi daqueles bem demorado, a ponto de esquecermos todos ao nosso redor, e pior que provavelmente um fotógrafo da festa tirou uma foto da gente nesse meio tempo e nem nos dermos conta, não que isso importasse alguma coisa na hora, estávamos ocupados com algo bem melhor.
Depois de um longo tempo, finalmente nos soltamos um pouco e olhamos nos olhos um do outro, a sensação dela era a mesma que a minha, ainda não havia caído a ficha do que tinha acabado de acontecer, e com isso a gente riu um pouco da situação, e logo depois voltamos a nos beijar.
E após esse beijo terminar, continuamos dançando ali, pouco depois apareceram as amigas delas, Lúcia, Liam, Rafael e Duda pra se juntarem a gente (e Lucas ainda continuava com aquela garota). Provavelmente eles todos já sabiam do que tinha acontecido entre eu e Marina, aliás, com certeza pelo menos um deles viu, mas até aquele momento ninguém comentou, e também nem eu e nem ela demonstramos muito na hora, mas ainda assim a gente não parava de soltar olhares um para o outro.
Àquele ponto tinha conseguido sair do tédio total que eu estava lá para uma das noites mais memoráveis da minha vida, e a coisa ainda não tinha acabado por ali. Em um momento, decidimos todos dar uma pausa na dança e fomos nos sentar, nesse meio tempo, Marina e as amigas foram no banheiro, e eu fiquei ali com o resto do pessoal.
E claro, a primeira que Lúcia me perguntou foi:
- E aí? - me soltando aquele olhar de "safadinho"
- Eu vi vocês dois, hein? - falou Rafael
Eu ri, e disse:
- Então vocês sabem muito bem a resposta. - falei soltando um sorriso bobo.
Claro, na hora me pediram para contar todos os detalhes, e assim o fiz, quer dizer, não tudo porque um tempo depois Marina voltou do banheiro com as amigas e eu desconversei com eles dizendo que contava o resto depois.
Quando todos se reuniram novamente, entramos numa longa conversa sobre todos os assuntos possíveis, nisso também, descobrimos um pouco sobre as amigas de Marina, como por exemplos os seus nomes, que eram Laura e Daniela.
No meio disso, não sei se alguns deles repararam, eu e Marina ficamos de mãos dadas o tempo todo e algumas vezes com ela encostando a cabeça no meu ombro.
Já eram quase duas da manhã, e por incrível que parecesse, o pessoal já parecia um pouco cansados, até voltamos um para a pista, zoamos mais um pouquinho, mas o cansaço já era bem visível neles. Mas ainda assim eles ficaram por lá se divertindo até duas e meia da manhã, quando finalmente decidiram ir embora, foi nessa mesma hora que Lucas reapareceu entre nós cheio de marcas de chupões no pescoço, e claro, o zoamos um pouco por conta disso, e mesmo com a gente perguntando os detalhes daquilo e da garota em questão, ele apenas desconversou e disse que depois contava. Também notava-se um alto nível de etílico em sua fala.
Enquanto eles iam pagar tudo que consumiram (nem eu e nem Marina tínhamos consumido nada), Marina veio no meu ouvido e perguntou:
- Depois dele irem, queres ir no Marco Zero comigo?
Sem nem hesitar, falei:
- Claro!
Com isso, ela deu aquele belo sorriso para mim.
Após todos pagarem o que deviam, fomos para o lado de fora da pub e cada um esperou o seu transporte pra voltar pra casa. Lúcia, Liam, Rafael e Duda racharam um táxi, eles moravam praticamente juntos, Lucas esperou o pai dele vim pega-lo, enquanto Laura e Daniela esperaram o pai de Laura vim busca-las. Como Marina tinha vindo com elas, Laura perguntou se realmente não queria uma carona, mas Marina recusou e disse que de uma forma ou de outra pretendia voltar de táxi, as duas simplesmente aceitaram, mas com certeza já sabiam a real razão daquilo.
Após alguns minutos, finalmente sobrou apenas eu e Marina ali.
- Vamos? - perguntou ela
- Vamos!
Antes de tudo, compramos uma garrafa d'água cada um com um ambulante que estava ali, tínhamos bebido nada lá dentro e o preço com ele estava muito mais justos do que os de lá, e depois disso fomos em direção do Marco Zero.
As ruas estavam um pouco vazias, certamente andamos com cuidado por ali sempre olhando se não havia ninguém suspeito, mas felizmente havia um bom número de policiais na área, afinal, ainda tinha bastantes estabelecimentos abertos por ali.
A movimentação no Marco Zero até que estava boa apesar do horário, claro que não tinha gente pra cacete, mas tinha pelo menos um bom número, boa parte era composto por grupo de amigos e principalmente casais que procuravam um momento a sós.
Felizmente, havia um policiamento por ali e também bastante táxis, aliás, os bares dali ainda estavam abertos e a todo vapor.
Nos sentamos em um banco por ali e de início não falamos nada, eu como sempre tinha problemas para começar a puxar um assunto. Nesse meio tempo, Marina segurou mais uma vez em minha mão e encostou a cabeça em meu ombro.
Por um tempinho ficamos calados, apenas curtindo o momento e observando a paisagem que o Marco Zero nos proporcionava. Até que Marina falou:
- Hoje foi divertido, né?
- Sim, com certeza! - concordei
Nessa mesmo tempo, um vento frio mais forte soprou, e com isso Marina me abraçou fortemente, e eu, certamente, retribui.
- Sabe que estou achando isso tudo até engraçado? - disse ela
Dei um sorriso bobo e disse:
- Eu também estou, acredite.
- É, que... Cara... - falava ela - nunca fiquei com alguém dessa forma que a gente ficou com ninguém.
- Está aí mais uma coisa em comum então.
Rimos um pouco, e depois eu disse:
- E olha que normalmente quando esse tipo de coisa acontece, um dos envolvidos, ou os dois, estão bêbados, e a gente está puramente sóbrio.
Ela simplesmente apertou mais o abraço, riu novamente e me deu um beijo no rosto.
Após mais um momento calados, falei:
- Me responder uma coisa...
- Diga.
- O que te chamou a atenção em mim para chegarmos nesse ponto?
Marina se surpreendeu um pouco com a pergunta, e disse:
- Porque perguntas isso?
- É que... sei lá... a ficha não caiu ainda, tipo, lá na faculdade quando a gente se cruzava nunca pareceu que você reparava em mim sabe? - falei - e de início achei que seria a mesma coisa hoje.
Ela riu um pouco, e disse:
- E você reparava em mim?
- Tinha como não reparar? Linda do jeito que você é?
Ela riu novamente, e falou:
- Bom, vou ser sincera, realmente não reparava muito em você na faculdade, mas juro que não é por "não ir com a sua cara" e nem nada do tipo, é só que eu sou muito na minha, sabe? - explicou ela - e normalmente não reparo bem nas pessoas com quem não convivo muito.
- Entendo, mas isso ainda não responde a minha pergunta.
Marina deu uma suspirada, e disse:
- O que me chamou a atenção em você o como chegaste em mim, sei lá, achei muito fofo e nenhum garoto nunca veio falar comigo daquela forma, normalmente sempre chegam falando besteira ou soltando aquelas cantadas podres, sabe?
Eu apenas a ouvia atentamente.
- E você já é bonito a princípio, caso queira saber, e com o jeito que você chegou pra falar comigo foi o diferencial... - ela deu uma rápida pausa e continuou - e vi que independente se rolasse algo entre a gente ou não você poderia melhorar a minha noite de alguma forma, que estava bem chata diga-se de passagem, então resolvi dar uma chance.
Quando ela terminou de explicar, eu não falei mais nada, apenas viramos o rosto um para o outro e nos beijamos mais uma vez.
E assim aproveitamos a companhia um do outro no Marco Zero, não apenas se beijando, mas também se conhecendo um pouco mais. E ficamos nisso até mais ou menos umas três e pouca da manhã, quando a movimentação no local diminuiu mais e decidimos que era hora de ir.
Com isso, acompanhei-la até o táxi que estava logo ali, antes dela entra, ela se virou pra mim e disse:
- Obrigada por essa noite.
- Eu que agradeço. - falei sorrindo.
Demos um último beijo, e depois eu disse:
- Vamos sair novamente algum dia?
- Com certeza, é só chamar.
Claro, a gente tinha trocado contatos antes disso.
Demos um último selinho, e assim ela entrou no táxi.
- Avisa quando chegar em casa.
- Está bem!
Nos despedimos e o táxi deu partida.
Após isso, peguei o outro táxi que estava por ali e também segui meu caminho para casa, e claro, praticamente não dormi naquela noite só pensando naquilo tudo.


Brian

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Uma noite para não esquecer - Parte I - O chato começo

Acreditem se quiser, mesmo depois de já ter tido de experiência que provava que isso não é minha praia, meus amigos me convenceram mais uma vez para ir em mais uma dessas festas de pub's da vida.
Por que aceitei? Não sei ao certo, provavelmente porque eles torraram meu saco pra isso, ou então, porque eu não tinha mais nada de melhor pra fazer no dia. Mas também podia ser que eu quisesse simplesmente esquecer um pouco os problemas e tentar me divertir um pouco, apesar que dificilmente me divertia nesses ambientes, de qualquer forma, estava disposto para tentar de novo.
A festa em questão tinha uma temática, como ela aconteceria no sábado anterior ao dia dos namorados, certamente a temática seria essa. Mas sério, na moral mesmo, isso para mim não influenciou em nada, e sinceramente, não estava indo nesse evento com o intuito de "pegar" alguma mina, juro que essa era uma das minhas últimas motivações para ir (que não eram tantas assim, pra falar a verdade), principalmente depois das últimas dores de cabeça que tive relacionados ao assunto que relatei aqui em histórias anteriores, então, o que mais queria é um pouco de distância desse assunto.
Mas enfim, o local em questão era uma daquelas pub's que tinha no centro da cidade, iam comigo Lúcia, Liam (namorado de Lúcia), Rafael, Duda (namorada de Rafael) e Lucas. A festa começaria lá por dez da noite, ou seja, ainda teria muito tempo para perder naquele sábado, tanto que por isso nós nos reunimos na casa de Lúcia naquela tarde para aproveitar um pouco o tempo juntos, afinal, aquela também era a nossa primeira semana de férias.
Durante aquela tarde toda, jogamos conversa fora, jogamos alguns jogos, alguns beberam umas latas de cerveja (eu não) e pedimos duas pizzas para todos, isso até mais ou menos cinco da tarde, após isso, alguns ainda foram se arrumar para apenas de quinze para as sete a gente ir para a parada de ônibus em direção da pub.
Chegamos por lá umas oito e meia, o caminho era longo e o trânsito também não ajudou muito, mas de qualquer forma, ainda era cedo por conta do horário que o evento começaria, mas de qualquer forma, eu e Lucas ainda tínhamos que comprar nossas entradas, podíamos ter comprado mais barato antecipadamente, mas acabamos decidindo ir apenas de última hora.
De qualquer forma, ainda tivemos que esperar um pouco, porque a bilheteria era dentro do local e só seria aberta no mesmo horário de abertura da casa, então, com isso fomos dar umas voltas pelas ruas do centro, que estavam bem movimentadas (claro, era um sábado a noite).
Quando deu próximo de nove e meia da noite, a gente voltou para a frente do local para aguardar a abertura dos portões. Chegando lá, já víamos uma fila ainda pequena começando a ser formada, e assim nos juntamos a ela.
Enquanto isso, continuamos jogando conversa fora, eu ouvia meus amigos atentamente até um certo momento quando reparei na chegada de uma pessoa que mudaria o rumo daquela minha noite, e vocês entenderão o porquê.
Lembram da tal garota com as mechas azuis que falei algumas histórias atrás? A Marina? Pois bem, ela tinha acabado de descer de um carro que parou na frente do local, e estava acompanhada por duas amigas.
Claro, Lúcia também tinha reparado na presença dela, e na mesma hora começou a olhar como se estivesse dizendo "olho só quem está aqui", mas sem falar nada.
Quando Marina passou por mim, apenas agi normalmente, afinal, não havia razão pra eu ficar nervoso, a gente nunca nem sequer conversou direito, mas de uma forma ou de outra a beleza dela me encantava.
Depois disso, voltei a jogar conversa fora com o pessoal, até que quando finalmente deu dez da noite, os portões finalmente foram abertos, Lúcia, Liam, Rafael e Duda logo entraram por já terem os seus ingressos em mão, enquanto eu e Lucas fomos comprar os nossos.
Quando finalmente entramos, nos juntamos aos outro e circulamos um pouco pelo local. Eu e Lucas já tínhamos ido lá em uma ocasião anterior, mas para o resto era a primeira vez dele lá, então, tudo aquilo era uma novidade.
Depois, paramos no balcão e começamos a olhar as opções de bebidas que havia, quer dizer, eles olharam, porque só os preços das coisas lá me assustavam bastante, uma garrafa d'água custava cinco reais, e se antes já não pretendia beber nada que contivesse álcool, ver os valores foi só mais um incentivo pra isso, uma dose de vodka por exemplo, custava sete reais.
"Ainda bem que já tomei duas garrafas d'água lá fora" pensei. Garrafas essas que me custaram dois reais.
Enquanto o pessoal bebia e conversava um pouco, aproveitei para observar a movimentação. Aos poucos, o fluxo de pessoas ia aumentando, afinal a festa só estava começando e provavelmente muitos ainda iam chegar mais tarde. E como vocês podem imaginar, meus olhos procuravam por uma pessoa em específico, e vocês imaginam bem quem seja.
Após alguns segundos procurando, avistei Marina subindo pro andar de cima (onde me encontrava naquele momento), ela e as amigas pareciam também estar explorando o local pela primeira vez. Houve um momento em que elas passaram por mim, mas nessa hora me fiz de desentendido para não deixar tão na cara de que estava observando elas.
Nessa hora, Lúcia e Lucas perceberam o que eu estava fazendo, e mais uma vez me deram aquele olhar de "sei bem pra quem você está olhando, hein?" e eu apenas me fiz de desentendido sem falar mais nada.
Depois disso, finalmente descemos para a pista de dança onde eles foram descer, e eu, tentei fazer o mesmo, mas até agora não identifiquei o que caralhos fiz lá embaixo, mas "dançar" com certeza não era.
Durante isso, no meio da pista avistei mais uma vez Marina e suas amigas dançando por ali, quer dizer, as duas meninas que estavam com ela pareciam estar se divertindo bastante, mas ela em si parecia um pouco acanhada e tentava apenas fazer alguns movimentos que lembrassem uma dança. Uma de suas amigas percebeu isso e meio que começou a tentar ensina-la a dançar melhor, no meio disso ela provavelmente achou aquilo engraçado e começou a sorrir, e cá entre nós, o sorriso dela é simplesmente lindo.
Enquanto estava devaneando por conta de Marina, Lucas me chamou a atenção:
- Brian? - falou ele gritando (o som estava muito alto, certamente)
- Oi? - falei
- Tas olhando o que? - perguntou ele
Pensei até em dizer a verdade, mas desisti e respondi:
- Nada não!
Ele não questionou.
- Olha, tem aquela tinta que brilha ali, a gente vai pintar o rosto com ela, quer também?
Então respondi:
- Eu acompanho vocês, mas não quero passar esse treco na cara não.
- Ok então.
Nessa hora eu pensei, "porra, pareci um velho resmungão falando agora".
Todos eles pintaram a cara com aquela tinta, e eu fui o único chato do grupo que não quis fazer aquilo, mas realmente não estava me importando com aquilo no momento. Depois de todos eles estarem com a cara pintada, voltamos para a pista de dança, e no caminho passei mais uma vez por Marina, sendo que dessa vez com um diferencial, nossos olhares se cruzaram.
No meio da pista, além de tentarmos dançar novamente, Lúcia ficou tirando inúmeras selfies nossas, isso sem falar dos fotógrafos da festa que de vez em quando tiravam fotos nossas também.
Como já tinha dito mais atrás, a temática da festa era do dia dos namorados, e por isso vez ou outra eram distribuídas algumas rosas entre o pessoal, isso servindo de incentivo para alguns chegarem em alguma garota ou garoto. E antes que me perguntem, não, não peguei nenhuma, porque como já tinha dito anteriormente, eu não estava afim de me envolver com nenhuma garota naquela noite (e a partir disso comecei a me perguntar o que raios tinha ido fazer ali).
Rafael e Liam aproveitaram e pegaram uma rosa para as suas respectivas namoradas, e Lucas também pegou uma e deu pra uma garota que tinha meio que puxado ele pra dançar. Em resumo, todos naqueles momento tinham um casal, menos eu, mas juro pra vocês que não estava me importando nem um pouco com aquilo.
Vendo que estava sobrando ali, fui simplesmente me encostar no balcão enquanto eles se divertiam, até pensei em pedir algo pra beber, sendo que mais uma vez a minha pirangagem falou mais alto. Durante isso fiquei apenas vendo a movimentação e pensando comigo mesmo as razões que me fizeram ir pra aquela festa, e ainda assim não encontrava uma boa.
"Porra, eu podia ta em casa dormindo, vendo série, jogando, vendo filme, ou sei lá", e ainda tinha pago 60 reais só pra está ali, definitivamente, tudo indicava que eu tinha entrado num programa de índio.
"To ficando velho e chato, na moral" pensei comigo mesmo rindo disso.
De uma forma ou de outra, se o plano era ter ido lá pra me divertir, ele estava dando miseravelmente errado.
Um tempo depois, o pessoal veio em minha direção (com exceção de Lucas que estava bem ocupado nessa hora, se é que vocês me entendem).
- Você está aí... - falou Lúcia - você sumiu de repente.
- É que vocês todos estavam ocupados e eu não estava fazendo nada ali no meio, então vim me encostar um pouco. - respondi
- Aliás, cadê Lucas? - perguntou Rafael
Apontei o dedo para a pista, e todos viram ele ainda dançando com a tal garota, e ao que parecia estava rolando um clima entre os dois.
- Quem é aquela? - perguntou Lúcia
- Não faço a menor ideia. - respondi
Ninguém falou mais nada depois, principalmente porque estava tudo tão claro quanto o raiar do sol.
- Vamos subir, pessoal? - perguntou Lúcia
- Bora! - responderam todos
- Vamos deixar Lucas se resolver aí com a "boyzinha" dele. - completou ela rindo
Enquanto andávamos, dei uma leve olhada para trás pra ver se encontrava aquela pessoa de novo, mas dessa vez foi sem sucesso.
Quando subimos, a primeira coisa que o pessoal fez foi comprar mais bebida (certamente), e eu, pra variar, só observei. Após isso, Rafael sugeriu que sentássemos um pouco, e assim a gente fez.
Mesmo enquanto conversávamos, eu ainda parecia um pouco "avoado", olhava constantemente para os lados meio que na esperança que aquela pessoa passasse, e foi assim que parei e pensei.
"Caralho, bicho, vocês dois nunca se falaram direito, fica de boa."
Os outros pareciam não reparar, mas Lúcia percebia claramente a minha inquietação.
- Brian? - chamou ela
- Oi! - respondi
- Tá tudo bem?
- Sim, porque não estaria? - percebia-se na minha voz que eu estava mentindo.
- To achando você tão quieto.
- Ah, não é nada demais, só não tenho o que falar mesmo.
- Sei... - falou ela me soltando aquele olhar mais uma vez.
Com isso, voltei minhas atenções de volta para o pessoal, tentava interagir mais, mas não conseguia. Tipo, sério, eu não estava me divertindo nem um pouco ali.
Enquanto isso, Lucas ainda estava lá embaixo com aquela garota. "A coisa deve ta boa" pensei.
Nesse meio tempo, avistamos a mesa de sinuca que tinha ali vazia, então decidimos ir lá jogar. Pra mim poderia ser até bom, já que seria algo para que eu pudesse me divertir um pouco naquele ambiente que não me agradava nem um pouco.
Mas no fim, parecia que nem aquilo estava me entretendo, dava umas tacadas ou outras na maior má vontade possível, até que chegou o momento em que simplesmente deixei o taco de lado e me sentei no sofá que tinha perto da mesa.
De início todos estranharam eu ter desistido de jogar tão repentinamente, mas depois deixaram para lá e continuaram, apesar que percebia já que Lúcia estava inquieta por conta de mim, ela sabia que algo estava errado comigo, mas de qualquer forma, ela voltou sua atenção pro jogo.
Nesse instante reparei que eu era o único desanimado no recinto, normalmente nessa hora começaria a me preocupar com o que os outros ao meu redor estaria pensando de mim nesse momento, mas meu estado de espírito estava tão escroto que realmente não estava me importando com isso, o que é uma coisa boa, dada a ocasião.
Minha mente só se focava nisso, até que adivinha quem apareceu? Exato, Marina!
Ela e as amigas subiram e ficaram perto do balcão, certamente iriam comprar algo para beber. Percebi enquanto isso, que as duas meninas que estavam com Marina também tinham colocado aquela tinta na cara, mas ela pelo visto também não quis, era a única com a cara limpa.
Pelo seu olhar, Marina também parecia um pouco deslocada das outras, como se ela não quisesse estar realmente ali, ou seja, parecia passar pela mesma situação que eu estava passando. Enquanto observava o que ela e sua amigas faziam, meio que percebi Lúcia olhando para mim como se estivesse percebendo o que eu estava fazendo, e com certeza ela já tinha sacado para quem eu olhava, mas de início não se envolveu e continuou jogando.
Pouco depois, percebi que Marina e suas amigas estavam olhando na direção da mesa de sinuca, quando reparei, tentei disfarçar o fato que estava olhando para elas no mesmo instante e comecei a agir como se estivesse fazendo outra coisa. Ao que parecia, elas estavam afim de jogar, ou seja, provavelmente viriam se juntar a nós.
E foi o que de fato acontecei, elas vieram para mesa e falaram alguma coisa com Rafael e Duda, provavelmente pedindo para jogarem também, Marina e Lúcia também aproveitaram a oportunidade para se cumprimentarem (elas se conheciam, mas não era tão amigas assim). Mas, ao que parecia, Marina não estava muito lá interessada em jogar e apenas se sentou no sofá que tinha no lado em que ela estava. Nesse mesmo instante Lúcia tinha desistido de jogar, entregou o seu taco para uma das garotas e veio sentar do meu lado.
- E aí, Brian? - perguntou ela após se acomodar.
- E aí? - falei sem saber o que responder.
- O que está achando da festa?
Respirei fundo, e disse:
- Quer que eu seja sincero?
- Sim! - respondeu Lúcia
- To aqui com uma animação equivalente a de um urso hibernando.
Ela riu com a comparação que fiz, e perguntou:
- Tá tão ruim assim?
- Eu não diria que tá ruim, eu que não tô no clima... - falei - aliás, sinceramente não sei o que vim fazer aqui.
- Não fale assim, pelo menos você ta com a gente.
Fiz uma cara de aceitação para essa resposta dela. Depois de alguns segundos calados olhando para o chão, Lúcia falou:
- De qualquer forma, você podia aproveitar que está aqui e arrumar uma "boyzinha" pra você, Lucas mesmo tá ai se divertindo com uma.
- Talvez... - falei - vou parecer um velho chato falando agora, mas é que depois dos últimos acontecimentos da minha vida, nem estou tão interessado em procurar uma garota para me envolver seja la de que forma, tanto que se não conseguir ninguém hoje para mim nem fará diferença.
- Não é isso que tenho observado em você.
- Como assim?
- Vai, não fica me enrolando, já percebi que desde que chegamos aqui você tem estado de olho em uma pessoa, e você sabe muito bem de quem estou falando. - disse ela direcionando o olhar para Marina, que estava sentada logo ali.
- Nessa você me pegou. - seria cara de pau da minha parte negar o óbvio.
- Sabia!
Realmente, tinha horas que as coisas que sentia ficavam estampadas na minha testa para todos verem.
- Agora... - continuou ela - você não vai lá falar com ela por que...?
Antes de eu falar qualquer coisa, ela disse:
- E não me venha com essa de que é porque vocês nunca conversaram direito, a gente tá numa festa, não tem ocasião melhor pra você tomar uma iniciativa pra isso.
Por incrível que pareça, dessa vez eu não rebati com nenhuma desculpa esfarrapada.
- É, você está certa. - falei
- Nossa, você dizendo isso? - falou Lúcia surpresa - não esperava por essa.
Eu ri, e disse:
- Nem eu, sinceramente... - depois continuei - deve ser porque nesse momento estou no meu modo "foda-se".
- Isso é bom?
- Em partes, sim... - falei - tipo, se essa minha investida der errado eu nem sequer vou me importar.
- Que bom, eu acho.
A gente riu por alguns segundos, até Lúcia falar:
- Uma dica, aproveita essas rosas que estão distribuindo e entrega uma pra ela, já te dará alguns pontos, aliás... - ela pegou uma das rosas que estava no amontoado de coisas do pessoal que estava no sofá, e continuou - eu tinha pego essa pra Liam, mas como ele já me entregou uma, então usa ela pra chegar em Marina.
Eu realmente estava com o "foda-se" ligado, porque naquele momento nem sequer coagitei em recuar. "Esse realmente sou eu?" pensei.
- Ok então!
- É assim que se fala... - disse Lúcia - agora vai lá e boa sorte.
- Valeu! - falei me levantando e indo em direção a Marina.
Acho que podemos dizer que esse foi um dia histórico na minha vida, porque finalmente tinha tomado a atitude de chegar numa menina sem ficar com muita frescura ou desculpa esfarrapada para não fazer isso, mas de qualquer forma, ficava aquele frio na barriga por conta da expectativa que se realmente daria em algo.
E assim fui na fé...



(Continua... )

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Consequências de uma noite daquelas

Tudo começa em um domingo em que simplesmente acordei na casa de Thiago, com uma puta dor de cabeça e me lembrando de basicamente nada que tinha acontecido na noite anterior, e pelo que lembrava da casa dele, eu estava especificamente no quarto e ao que parecia ele tinha me deixado lá e foi dormir em algum outro cômodo da casa.
Após me dar conta de onde estava, me sentei um pouco na cama e tentei pensar um pouco, na tentativa de lembrar de como eu tinha parado lá, tentei buscar esse memória em minha mente, mas apenas o que vinha era uma dor de cabeça dos infernos.
E foi durante isso que acabei reparando que eu ainda vestia uma camisa polo e uma calça jeans (sim, eu estava em uma festa na noite anterior), e certamente, estava suado pra caramba por causa do calor, nem o ventilador de teto adiantava de alguma coisa nessas horas. E o mais engraçado de tudo é que havia um balde vazio ao lado da cama.
Antes de tentar mais qualquer coisa, procurei minhas coisas no bolso. Me assustei de início por elas não estarem lá.
"Puta que pariu, não é possível que perdi tudo." pensei.
Mas fiquei aliviado momentos depois ao vê-las em cima da escrivaninha de Thiago, com isso, fui até ela para conferir se estava tudo realmente ali, o que felizmente estava, minhas chaves, meu celular, meus documentos, minha carteira, todos se encontravam ali.
Aproveitei para olhar meu celular, antes de tudo, olhei as horas e tive um choque ao ver que já eram quase meio-dia, e me surpreendi também com o fato que não havia nenhuma ligação perdida ou mensagem da minha mãe, na hora não parei muito para pensar o porquê disso.
Depois disso tudo, finalmente decidi sair um pouco do quarto. Quando abri a porta, a primeira "pessoa" que veio me dá "bom dia" foi Isaac, o Cocker Spainel de Thiago, e assim lhe retribui com um carinho na orelha que ele adorava.
- Agora você pode me indicar aonde seu dono está? - perguntei para o cachorro.
E ao que parecia ele tinha me entendido, tendo assim me acompanhado escada abaixo até a sala, que era onde Thiago se encontrava assistindo algum seriado na televisão em volume alto (e bota alto nisso, e por conta disso minha cabeça doeu ainda mais).
- Bom dia, cara. - disse ele
- Você quis dizer "tarde", não?
- Ah, sim... - disse ele após olhar o relógio - boa tarde.
- Boa tarde... - falei ainda com a cabeça doendo - quer dizer, não tão boa assim, eu acho.
- Quer que eu abaixe aqui? 
- Agradeceria bastante.
E assim ele fez, enquanto Isaac se deitava no lado dele no sofá.
- Como você tá? - perguntou Thiago
- Cansado, com dor de cabeça e confuso pra cacete. - falei me sentando na poltrona do lado.
- Queres algo? Uma água, algo pra comer?
- Também agradeceria muito.
E assim Thiago foi buscar, me deixando ali com o Isaac que naquele momento mais se preocupava em lamber o sofá, enquanto isso, mais uma vez, tentei buscar em minhas memórias os acontecimentos da noite anterior, mas só consegui lembrar o básico, que no caso era uma festa no prédio de Joey (que ele fez em comemoração do seu aniversário), lembro que eu estava meio pra baixo por alguma razão que não conseguia lembrar. Lembro também que houve um momento que o pessoal resolveu fazer uma daquelas brincadeiras que envolvia bebida, e que por incrível que pareça resolvi participar também.
Até que Thiago tinha chegado com um sanduíche de mortadela e um copo d'água para mim.
- Aqui está, Brian.
- Muito obrigado! - falei tomando um gole da água e dando uma mordida no pão.
Enquanto me deliciava com aquele "café da manhã", perguntei pra Thiago.
- Seus pais não estão em casa não?
- Foram pedalar, eles fazem isso todo domingo.
E enquanto ele falava isso, Isaac tinha feito uma tentativa frustrada de roubar o meu sanduíche.
- Não Isaac, isso não é pra você... - esbravejou Thiago - sua comida ta lá no quintal.
Com isso, Isaac se afastou um pouco frustrado e se deitou ao pé do sofá.
- Thiago... - chamei
- Diga!
- Cara, me diga com todos os detalhes e sem esconder nada... - suspirei e continuei - o que aconteceu ontem?
- Até onde você lembra exatamente?
- Bom, eu estava com o pessoal jogando aquela brincadeira da roleta que envolve bebida... - (não lembrava o nome exato daquilo) - e a última coisa que lembro que fiz em sã consciência foi ter falado "hoje vou tomar o primeiro porre da minha vida".
- Que foi exatamente o que aconteceu. - disse Thiago.
- Eu imaginei!
E minha cabeça ainda doía.
- Mas depois disso, lembro de mais nada.
Thiago me fez uma cara não muito legal nessa hora.
- Que foi? - perguntei
- Eu estava do lado na hora que você disse isso, aliás, nesse momento eu estava tentando te controlar porque você estava um pouco alterado.
- Alterado como?
- Falando besteira e gritando pra caramba.
- Mas eu já não faço isso normalmente? - falei rindo
- Mas dessa vez estava pior.
- Sim, mas depois disso, o que mais aconteceu? Refresque minha memória.
- Bom, o que vem depois disso chega a ser ridículo.
- Fale assim mesmo, não esconda nada.
Thiago respirou fundo, e continuou...
- Primeiramente, após isso vocês resolveram brincar de "verdade ou consequência", isso estando você e boa parte daquele pessoal bem alterado.
- Eita, lá vem merda... - falei
- Sim, sim, porque você sabe, a junção de pessoas bicadas com essa brincadeira normalmente não é agradável.
- Sei bem...
Então Thiago continuou:
- Bom, uma das coisas que mandaram você fazer, por exemplo, foi dançar sensualmente e sem camisa de frente para a rua.
- É o que?
- Isso mesmo, inclusive o pessoal gravou.
- Tem o vídeo aí?
Sem nem falar nada, ele tirou o celular do bolso e me mostrou aquela coisa ridícula.
- Puta que pariu... - falei jogando as mãos no rosto e me lamentando.
- Calma que não acabou aí.
- Não esperava que estivesse.
E assim ele continuou:
- Vai piorar um pouco, outra consequência que mandaram você fazer foi lamber um cara da barriga até o pescoço.
E mais uma vez, aquela sensação de querer me jogar de um prédio de 20 andares voltou.
- Não me diga que registraram isso também. - falei
Mas antes mesmo de eu completar a frase, Thiago já estava me mostrando a foto que tinham tirado.
- Caralho, o pessoal é filho da puta mesmo.  - fale indignado
- Se você for ver as fotos não só suas, mas de todo mundo que mandaram aqui... meu Deus, é cada pérola.
- Mas, continue.
- Bom, esse ninguém registrou, mas também te mandaram morder a orelha de Joey.
- Porra, velho! - falei limpando a língua (como se fosse adiantar de algo).
Tomei um gole d'água e perguntei:
- Tem mais algo?
- Sim, sendo que não mais no "verdade ou consequência".
- Manda! - falei já me preparando pra ter vontade de me matar de novo.
- Depois que vocês ficaram de saco cheio da brincadeira, ligaram a música e boa parte de vocês foram dançar.
- Eu fui junto?
- Sim!
- Já to vendo a merda... - falei
- Digamos que nunca na minha vida te vi dançando daquela forma.
- Que forma? - falei levando aos mãos no rosto
- Rebolando até o chão.
Eu já estava sem reação naquela altura do campeonato.
- E ainda tem mais... - continuou Thiago.
- O quê?
- Você ficou dando em cima das meninas na festa descaradamente, e falando coisas um tanto que tensas.
Dei um suspiro, e perguntei:
- Tipo o que?
- Tipo, você perguntou para algumas se para elas o fato de você ser virgem seria empecilho e comentou com outras sobre o tamanho do seu pênis.
- Sério, velho? Puta que pariu!
- Sério, nunca imaginei que um dia eu ia ver você falando esse tipo de coisa para uma garota, seja ela quem fosse.
- Só por curiosidade, não fiquei com ninguém não, né?
- Não!
- Não sei dizer se isso uma coisa boa ou ruim, mas enfim, continue.
Thiago suspirou, e disse:
- Agora vem a pior parte.
- Tem coisa que eu fiz que é pior que isso tudo?
- Sim, e você vai entender o porquê.
Tinha muito medo do que ele iria falar:
- Uma das razões de você não ter ficado com ninguém... - falou ele - foi porque sempre uma hora ou outra você começava a choramingar por conta de Simone.
- Estava demorando para uma informação do tipo aparecer.
- E claro... - continuou - você ficou mais carente do que o normal.
- Não me surpreendo nem um pouco.
- Até aí tudo bem, porque uma parte do pessoal pra quem você estava falando essas merdas todas também estava bêbado e estavam nem ligando pro que você estava dizendo.
- Do jeito que você está falando, to sentindo que a coisa vai piorar.
- E acertou... - confirmou ele
- O que eu fiz depois disso?
Thiago suspirou e disse:
- Ligou para Simone.
Quase me joguei da poltrona depois disso.
- E foi de que horas isso? - perguntei
- Três e pouca da manhã.
- Putz, ela deve ter ficado muito puta.
- E imagino que tenha ficado, porque vocês discutiram feio.
- O que eu disse?
- Disse que a amava, que sentia muita falta dela, pediu para que ela te desse uma chance pra você fazê-la feliz.
Nesse ponto, a coisa tinha chegado num nível que eu acabei rindo de mim mesmo de tão patético que a situação foi.
- Ela definitivamente ficou puta. - falei
- Pela forma que você discutiu com ela no celular, tenho nem dúvidas.
- Dou razão pra ela, afinal, quem não ficaria puto com um bêbado carente te ligando de outro estado as três da manhã?
- Sim, mas chegou num ponto em que você a mandou ir se foder e disse que conseguia muito bem viver sem ela.
Com essa, quase me engasgava com o sanduíche.
- Como é que é?
- Exatamente isso que você ouviu...
- Puta merda, ela não deve tá querendo me ver nem pintado de ouro.
- Não duvido.
Depois, terminei finalmente de comer meu sanduíche e finalizei meu copo d'água.
- E o que aconteceu depois disso? - perguntei
- Bom, depois que você desligou, você e Joey ficaram conversando sobre a situação, e juro pra tu, você chegou a chorar.
- Não duvido.
- E depois quando você se acalmou mais, Joey te chamou para se sentar com um pessoal para conversar, sendo que no meio disso, você acabou dormindo.
- E deixa eu adivinhar, nada me acordava, certo?
- Oxi, podíamos sambar em cima de você que não faria diferença nenhuma.
Naquele momento, minha dor de cabeça piorou.
- E como foi pra me trazer até aqui?
- Eu e Joey te carregamos desacordados até meu carro, na movimentação você deu uma acordada, mas ainda alterado, e quando chegamos aqui você vomitou pra caramba.
- Putz velho...
- Depois de você ter vomitado tuas tripas na privada, tomasse uma ducha e depois fosse dormir, mas claro, antes eu deixei um balde ao lado da cama caso fosse necessário.
- Que pelo que vi, felizmente, não foi.
Ficamos um momento em silêncio, até que falei:
- Acabou finalmente?
- Sim!
E depois de um tempo refletindo sobre essas merdas todas, falei:
- Putz velho, que merda, na moral.
- Calma, cara, acontece com qualquer um.
Eu respirei fundo, e disse:
- Desculpa aí ter te dado esse trabalho todo.
- Relaxa cara, amigos são pra essas coisas.
- É que, porra, 21 anos na cara e dou um vacilo desses.
- Tem gente que é mais velha que tu e faz pior do que você, fica peixe, velho.
Respirei fundo, e continuei:
- Enfim, obrigado mesmo por tudo.
- Não tem o que agradecer, sei que você faria o mesmo por mim.
Após isso não falei mais nada, apenas apertei a mão dele e lhe dei um abraço de amigo.
- Bom, já te dei trabalho demais, hora de eu ir pra casa.
Mas Thiago retrucou:
- Pera aí, cara, já é hora do almoço, almoça por aqui que depois eu te levo em casa.
- Relaxa, bicho, precisa não, já te dei trabalho demais.
- Não vai ser trabalho nenhum, te garanto.
Mas ainda assim insisti:
- Sério cara, isso sem falar que minha mãe já deve estar preocupada.
- Isso também não vai ser problema, porque você acha que ela não veio encher teu saco até agora? Eu mesmo liguei pra ela explicando a situação.
Ainda pensei em refutar, mas desisti.
- Ok então.
Afinal, provavelmente minha mãe estava muito puta comigo por conta disso, e ficar lá por mais um tempo adiaria um pouco a bronca que eu iria tomar ao chegar em casa.
Enquanto Thiago preparava o almoço, aproveitei para mandar um pedido de desculpa para todos aqueles quem eu possivelmente incomodei na festa, começando por Joey, claro. Mas essa parte era mais de boas, afinal, muitos deles já estiveram no meu lugar (principalmente Joey), o mais difícil de tudo seria me desculpar com Simone, porque a situação com ela foi a pior de todas.
Mas mesmo assim eu arrisquei, e diferente dos outros em que mandei mensagens ou para os celulares ou para as redes sociais, com ela decidi ligar.
Após três tentativas em que ela não atendeu (não se porque não quis ou porque realmente não podia), na quarta decidi deixar uma mensagem de voz.
- Simone? - comecei após o sinal - é Brian aqui...
Parei pra pensar um pouco, e continuei:
- Veja, não sei se o que vou falar vai fazer alguma diferença pra você, aliás, não sei nem se você vai se dar o trabalho de ouvir essa mensagem, mas... - dei um suspiro e continuei - me desculpa pelas merdas que falei ontem a noite, eu estava completamente fora de mim, e se você não quiser mais olhar na minha cara vou compreender, mas de qualquer forma, só quero dizer que se você quiser, estou disposto a conversar com você sobre isso tudo, ok? - parei por mais uns segundos, e falei - beijos, espero que você esteja bem. - e assim desliguei o telefone.
Caso queiram saber, ela até hoje não respondeu a mensagem, aliás, acho bem provável que nem sequer tenha a ouvido.
Depois de ter almoçado com Thiago, eu tomei um banho e troquei de roupa (Thiago me emprestou algumas dele), tendo após isso ele me levado pra minha casa.
O percurso demorou menos de 20 minutos, e quando finalmente chegamos no portão do meu prédio, falei pra Thiago:
- Valeu mesmo cara, e desculpa mais uma vez pelo trabalho.
- Relaxa cara, se cuida.
Mas antes de sair do carro, falei:
- Só mais uma coisa.
- O que?
- Próxima vez, não me deixa fazer isso novamente, nem que você precise me encher de porrada pra isso.
- Pode deixar! - respondeu ele apertando minha mão.
Após me despedir dele mais uma vez, desci do carro e segui meu caminho para casa, e claro, quando cheguei lá tive que ouvir umas poucas e boas da minha mãe.


Brian

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Detalhes azuis

Apesar de ter passado algumas semanas triste por conta disso, aos poucos fui conseguindo superar Simone, aliás, faziam mais de cinco meses desde que ela tinha ido embora, por mais que ainda sentisse a falta dela de vez em quando, já havia passado tempo o suficiente para eu virar mais essa página da minha vida.
Sendo assim, já estava disponível para tentar uma nova relação, mas me conhecendo do jeito que me conheço, eu sabia que isso iria demorar um tempo considerável, por isso tentava não pensar muito nisso. Afinal, as coisas iriam acontecer naturalmente.
Mas o problema é que muitas vezes, batia também a maldita da carência, e isso era a pior coisa, porque aí sim eu sentia saudades de Simone, o que me deixava bastante mal a ponto de ficar de cara fechada. Eu e minha mania de remoer o passado, para variar.
Mas enfim, não vou perder muito tempo falando esses detalhes.
Por conta dessa carência, acontecia que eu começava a suspirar por basicamente qualquer garota bonita que passasse por mim, o que por um lado era chato, porque quando chegava num nível extremo eu começava a ficar doido. Por isso que normalmente digo, ter hormônios é uma merda.
Mas, havia uma em específico que me chamava muito a atenção, e explicarei para vocês o porquê.
Se trata de uma garota que estuda lá pela faculdade também, não é da minha sala, mas também faz jornalismo, ela é do 3º período, se não me engano (estou no 6º), e é simplesmente uma das meninas mais lindas que costumo ver passar naquela universidade.
Não lembro do dia exato em que a vi pela primeira vez (certamente), mas lembro de um "primeiro contato" que a gente teve, quando meu amigo Rodolfo foi perguntar alguma coisa para ela que não lembro exatamente o que. Lembro que naquele momento enquanto ele falava com ela, parei para reparar na beleza dela, e claro, a primeira vista eu fiquei encantado, aliás, quem não ficaria?
Ela é uma das garotas que a primeira vista parece ser meigas (não que eu tenha confirmado essa teoria), a primeira coisa nela que chama bastante atenção são suas mechas azuis em seu cabelo moreno e liso, de alguma forma, aquilo realçava a sua beleza. Por alguma razão que nem eu mesmo sei explicar, tenho uma grande atração por garotas que tem pele bem branquinha e bochechudas, e ela era mais uma prova disso. Após meu amigo falar o que queria com ela, seguimos nosso caminho, tendo eu nem sequer a mencionado para ele depois disso.
Após esse dia passei a reparar mais na presença dela quando ela passava ou quando estava por perto, e não perdia a chance de admirá-la um pouco. Mas claro, tudo ficava nessa "relação platônica", mas pelo menos até aquele momento eu nem pensava em fazer mais algo além daquilo, afinal, não sabia nem o nome dela.
Até que chegou o dia em que finalmente tive um contato direto com ela, sendo ele mais uma vez tendo sido através do meu amigo Rodolfo. Foi quando estava eu e ele a toa pela faculdade em uma tarde dessas em que tínhamos um buraco no meio do horário, com isso, eu e ele fomos andar por aí para passar o tempo, e nisso esbarramos com a garota em questão e uma amiga dela, que por acaso conhecia Rodolfo também.
Com isso, ficou nós quatro depois sentados no gramado da universidade jogando conversa fora, apesar que houve momentos em que fiquei um pouco escanteado enquanto eles três conversavam. Aquele meu velho problema de timidez, para variar.
No fim, quando tivemos que voltar pra sala eu me dei conta que ainda não sabia o nome dela, e olha que houve momentos em que troquei palavras com ela diretamente, mas na hora não fiquei dando tanta importância para isso.
Após isso, houve um outro dia em que tive um outro contato "meio-direto" com ela. Que foi quando uma amiga Lúcia minha que a conhecia foi conversar com ela, nessa ocasião fiquei apenas do lado, não interagi muito. Mas após elas terminarem de se falar e nos afastarmos da garota em questão, Lúcia se virou para mim e disse:
- O que acha dela?
Não entendi na hora, e perguntei:
- Como assim?
- Acha ela bonita?
Fiquei meio sem graça na hora, mas respondi:
- Sim, bastante.
- Imaginei que ela fizesse seu tipo. - respondeu Lúcia
E eu ali sem entender aonde ela queria chegar com aquilo.
- Você devia tentar algo com ela. - falou ela pouco depois
Claro, na hora não sabia nem o que falar.
Lúcia sabia bem da minha situação, e meio que desde então tem feito alguns esforços para que eu conseguisse ficar com alguma garota, tanto que por isso ela falou aquilo para mim.
E pior que, foi a partir disso que comecei a considerar essa possibilidade, por incrível que pareça. Passei a olhar a tal garota das mechas azuis de uma outra forma, e com isso, procurei saber mais algumas informações dela, a começar pelo nome.
Através de Lúcia, descobri que o nome dela era Marina e que ela era nascida em São Paulo, mas viveu boa parte da vida aqui em Recife, isso sem falar do fato que ela é gamer (assim como eu rs). Isso pelo menos era tudo que ela tinha para me informar, o que já era algo.
E a partir daí começou uma "paixão platônica", quer dizer, paixão não porque essa palavra é muito forte, diria mais que aquilo era uma "atração platônica". Platônica porque eu ficava naquela frescura de ficar a admirando, mas sem coragem de ir lá trocar uma palavra com ela.
Minha dificuldades de sempre, se você acompanha as minhas histórias há um bom tempo sabe muito bem quais são. Cheguei até a adicioná-la no facebook, tendo ela aceitado, mas ficou apenas nisso mesmo, depois não fiz mais nada, e claro, pessoalmente não era nada diferente disso.
Inclusive houve vezes em que ficamos sentados juntos sozinhos, mas ainda assim eu não tinha coragem de tomar a iniciativa, aquela coisa de sempre que já é típica de mim, tanto que o resto é até redundante falar, vocês provavelmente já imaginam.
No fim, estou até agora nesse lenga-lenga, e sempre que Marina passa por mim e Lúcia está do lado, minha amiga sempre me dá aquele olhar de "olha lá, vai tentar nada não?". E me conhecendo bem, tudo indica que essa coisa toda não passará disso, no fim ficarei apenas a admirando toda vez que ela passar, observando seu lindo rosto e suas mechas azuis.


Brian

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Um "casal" um tanto que interessante

Aquele era mais um daqueles fins de semana onde eu morria em um tédio profundo, queria muito fazer algo com o pessoal, mas parecia que ninguém estava disponível para tal coisa. Então, a minha solução foi ir em uma peça de humor sozinho, aliás, já estava com o ingresso em mãos, inclusive.
Como não tinha conseguido ninguém para ir comigo, acabei decidindo ir por mim mesmo, aliás, isso já era uma coisa que fazia direto em relação aos shows e com essa peça não seria diferente, porque se tem uma coisa que sempre digo nessas horas, é que se fosse depender dos outros para ir nesses locais eu tava fodido.
Mas enfim, vou parar de ficar enrolando e seguir com a história. Era domingo, e naquela tarde eu fiquei apenas em casa fazendo coisas no computador e brincando com o Riddle, fora isso, fiquei apenas esperando dar a hora de ir para o teatro.
O espetáculo era de oito e meia da noite, então esperei até umas cinco e pouca da tarde para começar a me arrumar, após isso, quando deu mais ou menos próximo das seis da tarde finalmente tomei meu rumo. Essa seria uma das raras vezes em que eu decidira ir para um local de carro, alguns de vocês podem não saber, mas eu odeio dirigir, mas dessa vez o horário da peça e a pirangagem de pagar um táxi na ida e na volta falaram mais alto.
O percurso até o teatro não levou mais que meia-hora, chegando lá, a primeira dificuldade foi arrumar um local para estacionar (mais uma das razões que me fazem odiar ir de carro para os locais), que no fim, acabei estacionando em um local um pouco distante do teatro e ainda com aqueles malditos flanelinhas na espreita.
Após isso, me dirigir ao teatro, o portão ainda não tinha sido aberto e o pessoal se aglomerava do lado de fora a espera do início do espetáculo.
Antes de tudo, resolvi aproveitar o tempo que ainda tinha para "jantar" no café que tinha dentro do teatro, foi complicado arrumar um local para sentar, já que praticamente todas as mesas estavam ocupadas, mas a minha sorte é que no momento em que cheguei por lá uma cadeira do balcão havia sido liberada.
Me sentei, olhei o cardápio e pedi uma garrafa d'água, um croissant misto e um milkshake de chocolate. Como o croissant já estava pronto, eles só precisaram esquentá-lo, então já o tive junto com a água logo, já o milkshake demorou uns oito minutos para ficar pronto.
Após consumir tudo que pedi e pagar a conta, vi que a hora do espetáculo estava próxima, então me dirigi até a fila que começou a se formar no portão de entrada. Pouco depois, finalmente foi permitida a entrada do público, sendo assim, peguei meu ingresso e minha carteira de estudante e esperei a minha vez de entrar.
Após entrar, subi a escada atrás do meu lugar em um dos camarotes (e não, não ache que sou rico porque os preços tanto pra camarote quanto pra platéia eram iguais, isso sem falar que o cara não ganha "mordomia" nenhuma lá), ao achar, fui logo me acomodando.
Mas antes de tudo, a primeira impressão que tive ao entrar no teatro foi de admiração, aquele era um dos teatros mais antigos e tradicionais da cidade, e eu estava entrando nele pela primeira vez. O teatro era simplesmente lindo, e observando sua beleza que fiquei me perguntando como nunca tinha ido lá antes, tanto que aproveitei para fazer uma coisa que não costumo fazer normalmente, tirar fotos do local.
Após isso, finalmente me sentei.
O camarote era pequeno e tinha lugar para seis pessoas, certamente, eu queria ocupar um dos dois lugares da frente, mas isso não foi possível porque os mesmos já estavam ocupados, então me sentei em uma das cadeiras da segunda fileira do camarote.
As cadeiras da frente estavam ocupadas por um "casal" (aí você me pergunta: Porque você colocou casal entre aspas? E eu digo: Já respondo), no lado esquerdo sentava um garoto que aparentava ter entre 14 e 15 anos, com cabelo crespo e negros, que utilizava uma camisa polo azul com uma calça jeans. No lado direito, sentava uma garota que aparentava ter a mesma idade, que tinha cabelos lisos e negros, usava óculos, estava com um vestido vermelho e no momento mexia em seu celular.
De início não dei muita importância para eles, apenas tentei matar o tempo que me sobrava de alguma forma (que eu não tinha encontrado ainda). Mas, quando você está sem nada pra fazer e com um tempo sobrando, você acaba o aproveitando de uma forma não tão legal assim, que é observar o que as pessoas ao seu redor estão fazendo, que nesse caso seria o "casal" que estava na minha frente.
Aliás, houve algumas coisas neles que me chamou bastante a atenção, mas antes de tudo, quero deixar claro aqui que estou chamando de "casal" porque é apenas uma suposição minha, porque eles podem ser apenas dois amigos saindo juntos ou então irmãos. Mas é a partir daí que começo a falar o porquê que eles me chamaram a atenção, começando com o fato que me faz supor que eles são um casal, que foi quando a garota começou a fazer um cafuné na nuca do garoto, e um outro momento em que eles ficaram de mãos dadas com ela lhe fazendo carinho.
Mas esse foi o único momento em que eles pareciam realmente um casal, porque antes e depois desses momentos citados, os dois ficavam simplesmente calados olhando para o nada, não se falavam, não interagiam (com exceção dos momentos que falei) e nem nada. Ele ficava olhando para frente pensando provavelmente na morte da bezerra e ela ficava jogando no celular.
Aí você pode dizer pra mim que eles não eram realmente um casal, mas como eu já disse, estou apenas supondo, mas independente de serem, não deixa de ser estranho, porque uma coisa era inegável, que os dois estavam ali juntos e ainda assim pareciam não interagir bem.
Então comecei a pensar em mais suposições, como por exemplo, que eles eram um casal no seu primeiro encontro, que ele provavelmente nervoso pra caramba a chamou para sair, ela saiu e agora o coitado não está sabendo como agir, está mais nervoso ainda e provavelmente procurando as palavras certas para começar uma conversa com a garota, situação a qual eu já passei e entendo bem.
Ou então, poderiam ser um casal em um momento difícil do relacionamento e que estão tentando fazer as coisas voltarem a dar certo, mas não estão conseguindo, o que acho que era pouco provável. E minha última suposição era que eram só amigos que tinham um carinho a mais pelo outro, o que de uma forma ou de outra puxa um pouco para a primeira possibilidade que falei.
 Nesse meio tempo em que fiquei os observando, o teatro foi enchendo cada vez mais, tendo inclusive, os outros três lugares do camarote em que me encontrava sido ocupados por um grupo de amigos que chegara ali há pouco tempo.
Enquanto isso ainda fiquei reparando não apenas neles, mas também a tudo ao meu redor, apesar de não ter encontrado mais nada de interessante nesse meio tempo. Até que quando o teatro estava finalmente com todos os seus lugares ocupados, foi anunciado o início da peça, e claro, nesse momento minha atenção se voltou toda para o palco.
Foram uma hora e meia de espetáculo onde eu simplesmente me estourei de rir, coisa que tava precisando fazer, porque ultimamente andava me estressando muito fácil, o que tava me fazendo mal.
Quando terminou, todos aplaudiram e os humoristas no palco agradeceram a presença de todos, e quando as cortinas se fecharam todos começaram a tomar seu rumo para as suas respectivas casas.
Eu não fiz diferente disso, me levantei e comecei a seguir o meu caminho, assim como o grupo de amigos que estavam do meu lado, os únicos que ainda aguardaram um pouco foi o tal "casal" que ainda ficaram aguardando um pouco lá, e o que fizeram? Provavelmente nunca saberei porque não fiquei para ver (e nem pretendia fazer isso, claro).
Após sair do teatro, fui até o meu carro (da minha mãe, na verdade), entrei nele, paguei algumas moedas para o flanelinha para que ele largasse do meu pé e segui meu caminho para casa.


Brian

sábado, 26 de março de 2016

O espelho de três faces

Possivelmente alguns de vocês chegaram a ler a última história que contei por aqui, onde relatei minha experiência na festa de formatura da minha irmã, em que basicamente falei tudo aquilo que se passa na minha cabeça quando tento "chegar" em alguma garota em alguma festa. Bom, saibam que a história de hoje começa quase que da mesma forma, sendo que meu foco não será exatamente esse, você entenderão já já.
Enfim, tudo começou em um sábado que não foi como qualquer outro, porque dessa vez eu fiz uma coisa que não era lá minha cara, que foi sair para uma balada, programa esse que nunca me imaginei fazendo antes disso.
Para não me prolongar muito vou dar um resumo rápido do que ocorreu lá: Simplesmente nada de interessante.
Quer dizer, sim, foi legal estar com o pessoal, conheci novas pessoas e fiz novas amizades, mas foi apenas isso que fez valer a minha ida pra lá, porque de resto, não valeu tanto assim. Falo isso porque normalmente quem vai para um local desses vai com o intuito de dançar, coisa que eu não sei fazer.
E sim, tentei mais uma vez "chegar" em alguma garota, mas aquelas merdas todas que contei na última história se repetiram, e de novo, nada deu em nada. Enfim, acho que não preciso repetir aquele processo aqui novamente aqui, né? rs
Então, vamos logo ao momento em que decidi a ir para casa (mesmo horário em que todos decidiram, umas 2 da manhã). Bom, peguei o táxi e fui em direção da minha casa, o trajeto levou uns quinze minutos e me custou quase vinte reais, quando entrei em casa a primeira coisa que fiz foi tomar um banho, para depois disso ir dormir.
Como tinha voltado de um local agitado, o sono demorou um pouco pra chegar, coisa normal de acontecer em tal situação. E enquanto eu não adormecia, aqueles velhos questionamentos passavam pela minha cabeça.
"Por que eu sou assim?"
"Qual o meu problema?"
"Por que eu sempre tenho que por dificuldades em coisas simples?"
"Maldita insegurança!"
Enfim, as merdas de sempre.
E isso tudo piorava quando lembrava da conversa que tive com Luís no lado de fora, onde eu choramingava com ele essas coisas todas, e que ele veio me dizer que havia uma garota lá dentro que ficava reparando em mim vez ou outra, coisa que fez me sentir um completo bosta por conta da minha falta de atitude.
Mas enfim, acho que esse "mimimi" já tá muito repetitivo, né? E você deve estar pensando nesse momento: "Cara, para de se auto-torturar com essas coisa, só vai lhe fazer mal".
Se esse for o caso, então lhe respondo: Eu juro que tento, e muito.
Mas enfim, voltando a história... passaram-se mais alguns minutos após minha mente finalmente relaxar um pouco e eu pegar no sono por completo.
Quando me dei conta, estava em uma sala, quer dizer, eu acho que era uma sala, porque na verdade aquilo ali não parecia absolutamente nada, era tudo branco, não havia paredes, nem nada. Quer dizer, a única coisa que havia naquele local, era uma espelho de três faces logo a frente.
Achando aquilo no mínimo curioso, me aproximei mais dele, e claro, já fazia ideia que aquilo se tratava de um sonho maluco, quando cheguei mais perto passei a analisa-lo melhor. De início não vi nenhuma anormalidade, parecia ser apenas um espelho normal como qualquer outro, na face da frente via apenas o meu reflexo, nada anormal até aí, olhei para o da direita e vi a mesma coisa, nenhuma surpresa ainda. 
Foi então que me virei para a face da esquerda e tomei um susto, ela não mostrava simplesmente o meu reflexo, e sim, uma criatura feia, peluda, cheia de verrugas e dentes afiados. Não era a minha imagem que estava sendo mostrada ali, mas supostamente era um reflexo, já que a criatura que estava no espelho repetiu meus movimentos de forma sincronizada.
Após olhar bem para aquela face, olhei para o meu corpo e não vi nenhuma anormalidade nele, olhei na face direita novamente só por garantia e confirmei que eu não tinha virado nenhum monstro, ou coisa do tipo. Até que nesse meio tempo, tornei a olhar para a face da frente e estranhei pela fato dela não seguir meus movimentos, na verdade, ela estava simplesmente parada de braços cruzados me observando, até que...
- BU! - fez meu reflexo
Quase que eu tinha um ataque na hora, enquanto tentava me recompor, meu reflexo ria da minha cara, foi quando me dei conta que a imagem que estava na face da frente era a minha consciência.
- Porra, precisava disso? - perguntei
- Ué, não posso me divertir um pouco não? - falou minha consciência rindo, e em resposta eu fiquei calado.
- Enfim... - falei finalmente - vai me explicar isso aqui?
- Tão direto assim? Sem nem um momento para colocar o papo em dia?
- Ta de sacanagem comigo? Você é a minha consciência, sabe bem até demais o que se passa na minha vida.
E ele apenas riu.
Ficamos alguns segundos calados, até que eu disse:
- Então...?
- Você não tem senso de humor, hein? - respondeu ele
E eu já estava perdendo a minha paciência.
- Bom... - continuou - antes de eu falar qualquer coisa, observe bem as outras duas faces do espelho e veja se consegue supor algo.
- Sério mesmo que você vai me fazer passar por isso?
- Você sabe que sim.
Eu devia ter imaginado.
Fiz o que ele me pediu, olhei atentamente para as duas faces, tentei reparar qualquer mínimo detalhe que me chamasse a atenção, mas não consegui reparar em nada. Olhei a face da esquerda com mais atenção, foi incômodo olhar aquela imagem por muito tempo, não sei por que, mas ela me causava um grande desconforto, mesmo observando atentamente também não encontrei nada que me desse uma resposta.
Tendo observando tudo, tornei a olhar para a minha consciência na face da frente, ele olhou nos meus olhos e perguntou:
- Então, alguma conclusão?
Respirei fundo, e disse:
- Não...
Minha consciência me deu um olhar de reprovação, e disse:
- Olhe melhor...
Comecei a ficar sem paciência quando ele falou isso.
- Cara, já olhei essas merdas umas dez vezes nesse meio tempo que estamos conversando aqui, então para de me enrolar e me diz logo o que isso significa!
Mais uma vez, ele me deu um olhar de reprovação, respirou fundo e falou:
- Realmente, paciência nunca foi uma das suas virtudes.
Apenas fiquei calado diante dessa afirmação.
- Antes de tudo, lhe farei uma pergunta e quero que me responda com sinceridade.
- Manda! - falei sem hesitar
- Quais dos dois reflexos melhor te representa?
"Nossa, sério mesmo?" pensei
Achei a pergunta bem besta e respondi sem hesitar:
- O da direita.
- Certo... Certo... - respondeu minha consciência com um ar pensativo - agora me diga... - continuou - se a imagem a sua direita melhor te representa, porque você na maioria das vezes só olha para a da esquerda?
Na hora eu não entendi aonde ele queria chegar com aquilo.
- Não to entendendo... - falei
- Então deixe-me falar dessa forma, a imagem da direita mostra quem você realmente é, um garoto de 21 anos normal como qualquer outro que tem seus defeitos e virtudes.
Eu ouvia atentamente a tudo aquilo.
- E a imagem da esquerda representa o monstro que você vive achando que é.
Por mais triste que aquilo fosse, tudo estava fazendo sentido a partir dali.
- E é isso que eu acho engraçado... - continuou minha consciência - você no fundo sabe que és o cara que vês a sua direita, mas você adora se ver como esse monstro da esquerda, sempre acha que as pessoas tem veem dessa forma.
Aquilo me deixou pensativo.
- Você não é nenhum monstro, Brian... - continuou ele - mas se você sempre achar que é um, não conseguirás nada, e ficarás nessa frustração de sempre em relação a tudo.
Pior que eu já sabia dessas coisas todas que ele estava me dizendo, mas ainda assim não tomava uma atitude em relação a isso.
- Tenha mais auto-confiança, você acha que isso difícil, mas vá por mim, não é!
Queria muito acreditar naquilo, mas não conseguia.
Até que de repente, tudo começou a tremer, ou seja, eu estava prestes a acordar. Após isso, minha consciência não falou mais, apenas olhava fixamente para mim com um ar de seriedade, e aos poucos, o espelho o cenário iam desaparecendo no nada.
Foi quando acordei na minha cama, após me dar conta que estava de volta ao mundo real, primeira coisa que fiz foi olhar a hora no celular. Eram oito e meia da manhã.
Mas fiquei mais meia hora deitado pensando naquele sonho, a imagem daquele monstro do espelho não saia facilmente da minha cabeça, e menos ainda as palavras ditas pela minha consciência.
Enquanto pensava nisso tudo, Riddle pulou na minha cama e começou a me cutucar como se estivesse pedindo para que eu me levantasse, com certeza queria que o desse comida, então me levantei e assim o fiz.
De uma forma ou de outra, aproveitei aquele domingo que eu não tinha nada pra fazer para refletir profundamente sobre aquilo tudo.


Brian

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Peças que a minha cabeça me prega

Era uma semana especial para a família, e qual queria o porquê disso? Simplesmente porque aquela semana ocorreriam os eventos de formatura da minha irmã.
Sim, ela finalmente tinha concluído os difíceis cinco anos do curso de Direito, e claro, a família estava em festa por conta disso, principalmente a minha irmã. Já havia tido o culto, a colação de grau, e agora só faltava a chamada "cereja do bolo", o baile de formatura.
Sim, esses eventos são todos especiais, principalmente porque eles representam um marco alcançado na vida de uma pessoa, um marco importante, na verdade. Mas mesmo assim, há uma coisa pra se admitir, que é que os eventos referentes a isso normalmente são um saco, principalmente a colação de grau, isso tanto para os formandos quanto para os convidados.
O mais legal, é claro, é o baile, mas que para mim seria chato da mesma forma, porque com certeza a única coisa que eu faria seria ficar sentado na mesa olhando para o nada e enchendo o bucho de doces, principalmente porque com certeza não teria nenhum amigo meu por lá. Mas era aquilo, eu tinha que ir de qualquer forma.
Era sexta-feira, e eu tinha chegado em casa após um dia inútil na faculdade, quando fui lá para basicamente ver apenas uma aula e depois descobrir que não haveria as outras por conta de um seminário completamente desorganizado que estava tendo por lá, tendo assim, chegado em casa mais cedo.
A única coisa que me restava fazer naquele momento era simplesmente esperar dar a hora, o que ainda ia demorar um "cadinho". Então, enquanto a hora não chegava, continuei a ler o livro que tinha começado de H.P. Lovecraft há alguns dias, ainda faltava bastante coisa para termina-lo, mas estava uma leitura interessante.
Claro, não fiz apenas isso naquela tarde inteira, pra variar, fiquei fazendo também minhas coisas no computador e também brinquei um pouco com Riddle (que naquele dia em específico parecia não querer largar do meu pé).
Enquanto isso, minha mãe e minha irmã davam seus últimos retoques para a festa, eram quatro e pouca da tarde e desde as três e pouca, as duas estavam preparando a maquiagem e o cabelo, aquelas coisas de mulher que muitos de vocês devem entender bem. Mas enfim, vamos adiantar as coisas e pular todos esses detalhes chatos antes que vocês comecem a dormir aí.
Finalmente tinha chegado a hora de ir e estávamos todos prontos, minha mãe e minha irmã já tinha terminado de se arrumarem e eu já tinha colocado meu "traje fino", sendo assim, minha irmã chamou o táxi e ficamos o aguardando. Enquanto isso, as duas ficaram tirando fotos, e eu fiquei fazendo companhia pro Riddle, normalmente ele não gostava de ficar sozinho na casa de noite, então eu precisava prepara-lo bem antes de ir embora. Quando o táxi chegou, me despedi de Riddle e descemos, mas antes, deixamos algumas luzes da casa acesa para o coitado não se sentir tão sozinho assim (sim, isso ajudava).
O trajeto de casa até a casa de eventos demorou mais ou menos uns quinze minutos, chegando lá, primeiramente tiramos as coisas da mala do táxi, estávamos levando um monte de doces para deixar na mesa. Claro, esse detalhe acabou dando um trabalho maior pra gente, mas isso já era previsível.
Quando chegamos na mesa, vimos que meu pai e sua namorada já tinham chegado com parte das coisas e já tinham começado a arrumação, e é a partir daí que a "chatice" começa. Antes de tudo, tínhamos que arrumar bem a mesa, não apenas em relação a comida, mas também em relação a decoração e tudo o mais, e após isso, foi a parte que eu mais odeio, tirar as fotos.
Tirar foto está entre as 3 coisas que mais odeio fazer, junto de estudar qualquer coisa de exatas e de dirigir (sim, eu odeio dirigir), tanto que uma coisa típica de mim em fotos é não aparecer sorrindo, isso porque sempre acho que saio ridículo dessa forma, e claro, minha família reclama bastante comigo por conta disso. Além das fotos usuais da família, também tinha as fotos oficiais do evento, o que deixava o processo ainda mais chato.
Após a foto, tudo que restava a fazer é aguardar o resto dos convidados chegarem e começar a festa em si, as pessoas ao redor iam chegando aos poucos e a banda no palco já ia fazendo seus últimos preparos. Não demorou muito para o resto da família chegar, que no caso eram meu tio, minha tia, minha prima e minha avó, e após tiramos fotos com eles também, todo mundo se sentou para esperar o começo da parte principal da festa, que seria a valsa (que infelizmente, eu dançaria).
Eu fiquei lá sentado com a minha família, enquanto minha irmã foi circular pela área para se divertir com os amigos dela que iam chegando aos poucos, e claro, nesse "meio-tempo" fiquei no mais puro ócio apenas comendo o que já estava servido na mesa e aguentando as merdas que meus parentes falavam.
Mais uma vez, confirmei que quando você está no tédio, o tempo custa pra passar, e dessa vez não diferente. Parecia que aquele treco não iria começar nunca, era nove e pouca e aquele negócio iria começar as dez da noite, mas as coisas não pareciam que iam estar prontas tão rápido assim.
Foi então quando eu decidi dar uma circulada no espaço, pegar um ar do lado de fora, esticar um pouco as pernas, enfim, fazer algo que não fosse ficar ali sentado. No momento em que fiz isso, minha avó me perguntou aonde eu ia, respondi apenas fazendo um sinal com o dedo dizendo que ia dar uma circulada.
Fui da minha mesa direta pro lado de fora da casa de eventos, aproveitei para usar o 3G por lá, já que o sinal no lado de dentro era uma verdadeira merda. Enquanto dava uma rápida olhada nas minhas redes sociais, eu olhava a movimentação ao meu redor, no jardim já se via algumas pessoas sentadas nos bancos jogando conversa fora, e claro, alguns casais já aproveitando para terem um tempo a sós, enquanto isso, perto da entrada da casa, os formandos faziam fila para tirarem as fotos oficiais com seus familiares e amigos, até que então, olhando com mais atenção as pessoas que apareciam ao meu redor, mas especificamente nas meninas, claro.
Haviam muitas garotas LINDAS por lá, muitas de deixar o cara babando por horas, o que me fez pensa: "Cara, já faz dois meses que ta na 'bad' por conta de Simone, tu devia aproveitar hoje para seguir em frente e tentar alguma coisa com alguma outra garota por aqui", posso até parecer um pouco babaca falando isso, mas de uma forma ou de outra esse é o tipo de pensamento que a maioria dos homens tem nessas horas. Isso sem falar que sempre que eu comentava com algum amigo meu sobre a festa de hoje, todos diziam: "Tenta te arrumar alguma 'mina' por lá", como eu disse, coisas de homens.
Se eu dissesse que não levava isso em consideração estaria mentindo na cara dura, aliás, isso poderia ser a minha "salvação" naquela festa (ok, posso ta exagerando usando esse termo aqui), mas ao mesmo tempo que pensava nesse possibilidade, meio que já a descartava antes mesmo de tentar qualquer coisa, isso porque me conhecia bem, e sabia que a probabilidade de eu arrumar coragem e tentar algo com alguma menina eram próximas de zero.
É, eu ainda tinha aquele maldito problema de auto-confiança, simplesmente o fato de tentar chegar perto de uma garota e dar uma investida era um sacrifício para mim, isso sem falar que nas vezes que tento, fico tremendo na hora que nem um porco prestes a ser abatido. Eu queria muito vencer aquilo, mas era difícil, por mais bobo que pareça para alguns de vocês.
Após alguns instantes parei de pensar naquilo e segui de volta para a mesa onde estava a minha família. Por lá, nada fora do normal, e no palco os preparativos para a primeira banda da noite estavam quase finalizados, enquanto isso, o tempo ainda parecia custar pra passar.
Passaram-se alguns minutos até finalmente a primeira banda começar a tocar, nesse momento, alguns foram para a pista de dançar já pra aproveitar o início da festa, mas como ainda tinha gente chegando, a animação do pessoal ainda estava baixa. Entre os poucos que foram dançar, estavam eles minha tia e meu tio, e eu, continuei ali sentado apenas comendo o que tinha na mesa.
Aos poucos também os amigos da minha irmã iam chegando, alguns que me conheciam me cumprimentavam quando chegavam, já os outros que nunca nem sequer já tinham visto minha cara ao vivo, apenas passavam por mim e iam falar com a minha irmã. Não muito tempo depois, chegaram os caras das fotos e das filmagens para pegar mais imagens da minha irmã com todos que estavam na mesa, e claro, fiz aquele meu sacrifício para sair "bem na foto" (não que eu me importasse muito com isso).
Após mais um tempo sentado fazendo nada, chegou a hora que muitos esperavam, que era a entrada dos formandos e a tradicional valsa, ou seja, hora que o pessoal iria fazer aquele alvoroço soltando aqueles confetes e buzinando quando os formandos entrassem na pista de dança, enquanto a mim, tive que ficar por perto para me preparar pra hora em que eu fosse dançar a valsa com a minha irmã.
Irei dar uma resumida rápida nessa parte para não ficar muito chato, fiquei aguardando por perto para ver minha irmã descer com o meu pai, e como o nome dela começa com P, iria demorar um pouco para chegar até nela. Enquanto isso, os outros formandos iam entrando e eu ia ficando surdo por conta daquelas malditas buzinas que o povo tocava, e claro, quando minha irmã entrou não foi diferente, minha prima estava com uma bem perto da minha orelha, foram mais ou menos quase meia-hora até todos terem sido chamados.
Depois, chegou a hora da valsa, primeiramente minha irmã dançou com o meu pai, seriam duas valsas, e eu já fiquei preparado para quando minha vez chegasse. Não demorou muito pra isso, logo após a primeira valsa ser finalizada, eu me posicionei para dançar com a minha irmã, no geral, meio que fiquei me sentindo um bobo no meio daquilo, e o pior de tudo era na hora que ficavam tirando fotos da gente, que era quando ficava em dúvida se me concentrava em não pisar no pé dela ou em posar pra foto, enfim, para a minha felicidade aquilo acabou logo, e sendo assim, poderia finalmente me livrar daquela maldita gravata que estava me sufocando e daquele paletó calorento.
E depois de toda esse cerimônia, começou a parte mais interessante (ou não) da festa, que foi quando a banda voltou a tocar e todo mundo foi para a pista de dança. Nessa hora também, o buffet foi servido, mas eu nunca comia o jantar nessas festas, nunca tinha nada que me agradava, preferia mais ficar nos petiscos e doces que tinham na mesa.
Passei mais alguns minutos sentado na mesa passando por um tédio profundo, meu pai e a namorado foram os primeiros a irem dançar, meu tio e minha tia permaneceram na mesa conversando com a minha avó, e minha prima parecia compartilhar comigo a sensação de tédio extremo, sendo que no caso dela, ela não saia do celular. Mas como eu era provavelmente a única companhia que ela tinha naquele momento (tendo em vista que não tinha nenhuma amiga(o) dela lá e minha irmã estava dando atenção para os amigos), ela pediu-me para que eu fosse dançar com ela, e por incrível que pareça, aceitei a ideia.
Quando fui lá dançar com ela, confirmei mais uma vez uma teoria que tinha sobre mim mesmo há muito tempo. Definitivamente, a dança não era um dos meus "dons".
Na verdade, não fazia ideia do que raios eu estava fazendo naquela pista, só sabia que era qualquer coisa, menos dançar. Como vocês devem saber bem, eu sempre fui um cara MUITO inseguro, e essa insegurança acaba se refletindo no meu "rebolado" (que simplesmente não existia), fim das contas, me sentia um verdadeiro idiota tentando se mexer no meio da pista, sendo que um poste conseguia fazer coisa muito melhor do que aquilo que eu estava fazendo. E não, ainda não tinha arriscado dançar em par com a minha prima àquela altura do campeonato, mas se caso tentasse iria dar mais ou menos no mesmo.
Após alguns minutos, nós saímos dali e voltamos para a mesa, ela ainda queria guardar as suas energias para a segunda banda da noite.
Mais uma vez fiquei sentado na mesa ouvindo a conversa fiada dos outros e comendo, passando por mais alguns momentos de tédio, até que mais uma vez aproveitei para olhar as pessoas que circulavam ao redor, e de novo, reparei melhor nas garotas que passavam.
E mais uma vez a probabilidade de tentar algo com alguma delas me passou pela cabeça, e tinha a sensação que aos poucos (aos poucos MESMO) a coragem de tentar isso chegava em mim. Foi quando finalmente decidi levantar a bunda da cadeira e circular um pouco pela área de novo.
Mais uma vez fui para o lado de fora, enquanto aproveitava novamente o sinal para utilizar o 3G no celular, observei atentamente as pessoas que estavam ao meu redor. Mesmo a festa estando em seu início, já via-se vários casais aproveitando o momento juntos, e em outros pontos, via-se grupos amigos jogando conversa fora (a maioria bebendo e fumando).
Entre esses grupos de amigos que estavam reunidos ali, avistei um grupo com três garotas, elas aparentavam ter mais ou menos a minha idade (21 anos), uma dela tinha utilizava um vestido branco com detalhes dourados nas bordas, tinha cabelos pretos, pele clara e um sorriso de encantar qualquer marmanjo, a outra vestia um vestido completamente azul escuro, tinha cabelos loiros e também tinha pele clara, e se tinha uma coisa que me chamava realmente a atenção eram seus lábios, ainda mais com aquele batom que ela usava, e a última, tinha cabelos pretos também e uma pele mais morena, essa se utilizava de um vestido roxo purpurinado e com um decote um tanto chamativo (estaria mentindo se dissesse que não reparei nisso rs), todas elas muito lindas.
Naquela hora me encostei na parei e as observei um pouco a beleza das três, ao mesmo tempo uma voz dentro de mim dizia "Por que não começar com uma delas?". Mas, o fato delas estarem "em bando" já me intimidava bastante, mas se aquilo fosse ser um empecilho para mim, eu estava fodido, já que a maioria das garotas que estavam lá andavam em grupo, e em alguns casos com garotos no meio, o que dificultaria ainda mais.
E mais uma vez, me vinha aquela merda de pensamento de "elas são lindas demais, nem fodendo que você teria chances com uma delas", esse era um tipo de pensamento que eu lutava muito para deixar de lá, mas ainda assim era difícil. Até que houve um momento que uma delas se afastou, era a do vestido azul, ela tinha se afastado um pouco para atender o celular, no mesmo instante passou em minha cabeça que aquela seria a oportunidade perfeita para tentar uma investida assim que ela desligasse o celular, cheguei até a dar um passo a frente, mas pra variar, acabei recuando. Nesse meio segundo em que cheguei a dar o primeiro passo, minha cabeça fez uma rápida simulação do que poderia acontecer.
Eu chegaria nela, e timidamente a cumprimentaria, ela provavelmente responderia por edução, e logo após ficaria alguns minutos calado procurando o que falar em seguida. Tentaria puxar conversa soltando aquele velho "tudo bem?", ela responderia educadamente novamente, mas provavelmente não muito a vontade, tentaria me apresentar e iniciar uma conversa de verdade, mas a garota provavelmente ainda desconfortável, desconversaria pouco depois, daria alguma desculpa esfarrapada e voltaria a falar com as suas amigas, e eu apenas aceitaria e a deixaria ir.
Sim, esse meio-tempo foi o suficiente para pensar nisso tudo, fazendo então que eu desistisse da investida. Talvez isso fosse só besteira minha, na verdade, isso é só besteira minha, mas eu sou assim, desisto das coisas por conta de bobagens tipo essa.
Depois dessa enrolação toda, retornei para o lado de dentro da casa de eventos, mas invés de voltar para a mesa, continuei circulando pela área, sendo assim, decidi ir para a pista de dança, dessa vez sozinho. De início fiquei apenas nas partes laterais observando o povo dançar, até pensei em ir lá e me mexer um pouco, mas era tímido demais pra isso, não tinha coragem de encarar esse desafio ali sozinho, se com o minha prima já estava me sentindo um retardado no meio da pista, imagina se eu fosse por mim mesmo.
Enquanto observava ali, avistei um grupo de três pessoas, duas delas eram claramente um casal, que caso eram um rapaz alto e loiro dançando com uma garota de pele clara e cabelos castanhos que vestia um vestido dourado, mas claro, por serem um casal, esses não me interessavam, já a garota morena de cabelos cacheados e vestido vermelho-vinho que dançava sozinha do lado deles, me interessava.
Claro, a primeira coisa que veio em minha mente naquele momento era que eu fosse lá e a convidasse para dançar, mas sendo que adivinha só? Hesitei de novo. Mais uma vez, em meros dois segundos antes de de agir, minha cabeça criou duas simulações sobre o que possivelmente aconteceria.
A primeira previa que eu iria timidamente até ela, tentaria dançar perto dela sem sucesso nenhum, e após alguns minutos de enrolação, finalmente a chamaria para dançar, mas ela recusaria educadamente ao convite e voltaria a dançar próxima aos seus amigos. A segunda é igual a primeira até o momento em que a convido para dançar, mas nesse caso ela aceitaria, o que de início pode parecer que as coisas dariam certo, mas vá por mim, é só impressão, porque logo em seguida a gente dançaria, mas a minha "falta de rebolado" me atrapalharia de novo, ela se incomodaria bastante com isso e após alguns minutos dançando comigo, me soltaria antes do fim da música e tornaria a dançar sozinha, e eu falo isso porque já aconteceu isso comigo uma vez. E adivinhem só? Bastou apenas isso para me fazer desistir de mais essa investida.
Depois disso, decidi voltar para a mesa e ficar sentado fazendo nada por mais um tempinho, e comendo doces também, é claro.
Quando retornei para a mesa, minha avó perguntou o que eu tinha feito por ali, falei pra ela que não tinha feito nada de interessante, só tinha dado uma volta, o que era verdade. Me sentei ao lado de minha prima, que ainda não largava daquele celular dela, enquanto pegava alguns docinhos, percebi que minha mãe se esforçava para lutar contra o sono, ela não costumava dormir muito tarde e aquilo estava sendo um desafio para a coitada.
Não demorou muito pra minha mãe decidir ir embora, e com ela também foi a minha avó, eu se quisesse poderia ter ido com elas também, mas preferi ficar mais um pouco, por que isso, também não sei, porque vocês verão que minha noite não ficou nem um pouco mais interessante.
Houve um momento que minha prima resolveu me utilizar como "fotógrafo particular" dela e me pediu pra tirar uma monte de fotos dela, como não estava fazendo mais nada naquela hora, eu aceitei fazer isso. Quando a segunda da banda da noite entrou no palco, ela mais uma vez me chamou pra que eu fosse com ela dançar, onde mais uma vez eu fiz qualquer merda lá no meio que não era dançar, inclusive, houve um momento em que dançamos eu e ela como um casal, e com certeza ela só não me largou antes do fim da música porque eu era o primo dela, porque senão, vocês já imaginam.
Vinte minutos depois do show da segunda banda começar, minha prima, meu tio e minha tia tiveram que ir embora por conta de compromissos no dia seguinte, outra oportunidade que eu tinha também para vazar dali, mas por alguma razão aparente, decidi ficar.
Após eles irem embora, fiquei mais um tempo sentado na mesa até decidir dar mais um circulada, e mais uma vez fui para o lado de fora da casa pra tentar aproveitar o 3G. Àquela altura do campeonato a situação do lado de fora já era bastante diferente das outras vezes, tendo dessa vez, além de um grande número de casais dando amassos, também tinha um grande quantitativo de pessoas que exageraram na bebida, tendo dois pelo menos chegados a vomitar, isso sem falar em um cara que estava desmaiado no gramado com uma garota cuidando dele.
O grupo de amigos que estavam no lado da fora nas últimas vezes que fui lá, provavelmente agora curtiam a festa do lado de dentro, afinal, eles provavelmente estavam bem mais animados do que eu. Me encostei na parede e chequei meu celular, percebi que a partir daquele momento era melhor eu usá-lo com mais cautela, porque a bateria estava começando a chegar em seu limite, chequei tudo que queria checar rapidamente e depois desliguei o 3G e o guardei. Nesse meio-tempo, reparei em uma garota que estava encostada em uma pilastra ali próxima, Ela tinha cabelos negros, pele MUITO clara e um olhar sério bastante charmoso, ela vestia um vestido prateado um pouco decotado, e BASTANTE justo. Se a desculpa antes era que elas só andavam em grupo, dessa vez não colava, eu tinha tudo para poder chegar nela, quer dizer, quase tudo, faltava apenas o principal que era a coragem.
Mas já havia um avanço, minha cabeça dessa vez não ficou fazendo nenhum simulação maluca para se caso a coisa desse errado, dessa vez só me preparava para realmente chegar perto dela e falar alguma coisa.
"Não tem como dar errado." Pensei na hora.
E após alguns segundos de enrolação, me desencostei e fui dar o primeiro passo. Mas, algo apareceu que me fez desistir, mas diferente das outras vezes, foi um motivo mais "justificável". Um outro cara chegou perto dela com duas taças de vinho, uma para ele e outra para ela, a garota sorriu, lhe agradeceu e brindou com ele antes de beberem um gole, e logo após isso os dois se adentraram em um beijo caloroso, ou seja, nesse caso foi uma boa eu não ter ido, se tem uma dor de cabeça que não preciso é a de mexer com mulher dos outros. Aliás, parece até que nesse momento uma força divina me impediu de fazer essa besteira (rs).
De qualquer forma, depois que me desencostei da parede avistei um banco vago, então aproveitei que já tinha me movimentado mesmo e fui me sentar lá, felizmente, o banco estava em um local longe de qualquer tipo de "infortúnio", ou seja, nenhum casal ou pessoa bêbada por perto.
Me sentei um pouco e comecei a olhar para o céu, não que tivesse algo de interessante, muito pelo contrário, nem sequer estava estrelado, mas sei lá, apenas quis olhar (rs). Fiquei alguns minutos olhando para o nada procurando não sei o que, e nesse mesmo tempo me perguntava o que raios eu ainda estava fazendo ali.
"Vai pra casa, seu idiota!" Pensei comigo mesmo.
Pouco depois, um grupo de quatro pessoas apareceu pelas proximidades de onde eu estava, eram eles três garotas e um rapaz. O cara e uma das meninas que vestia um vestido dourado aparentavam ter exagerado na cota do etílico, e vale ressaltar que os dois estavam com uma taça (provavelmente de vodka) nas mãos. Enquanto as outros duas meninas aparentavam estarem sóbrias, mesmo a que usava um vestido branco também estar com uma taça em mãos (e não, o rapaz não aparentava ser namorado/ficante de nenhuma delas).
Mas alguns minutos depois, o que me chamou a atenção foi a garota de cabelos morenos, de vestido vermelho e cabelos lisos (e sem taça na mão) que por alguma razão, aparentava estar me olhando, foi em um momento em que ela ficou sem prestar atenção nas merdas que os amigos dela estavam falando.
Talvez fosse impressão minha, mas ela parecia estar olhando para mim, na mesma hora fiquei meio sem graça e tentei não ficar encarando muito, mas de vez em quanto quando percebia que ela tinha desviado o olhar, eu voltava a dar uma olhada nela. Ela era muito linda, sério, acho que a mais linda que já tinha visto naquela festa até aquele momento, quando tive a chance reparei nos olhos dela, eram azuis, o que realçava a sua beleza ainda mais, e claro, com isso mais uma vez uma voz na minha cabeça falava:
"Vai lá, cara!"
Por ela estar com os seus amigos (e eles não estarem em seu estado normal) fiquei acanhado, pra variar, enquanto isso a gente continuava com a nossa "troca de olhares" (se é que ela estava realmente reparando em mim). Olhei atrás de mim para garantir se ela não olhava na verdade para alguém que estava na mesma direção que eu estava, e bom, haviam dois rapazes que estavam atrás de mim não muito longe dali conversando, o que parecia ser um papo bastante "cabeça", mas de qualquer forma isso me deixou um pouco mais paranoico, já que a garota podia estar na verdade olhando para um deles.
Mas não sei se era impressão minha, mas parecia que sempre que eu olhava para ela, a menina parecia desviar o olhar e tentar disfarçar que na verdade estava observando outra coisa, enquanto isso, seus amigos pareciam gargalhar fortemente com alguma coisa que estavam conversando.
"Deixa de ser besta e vai lá falar com ela, porra!" Pensei comigo mesmo.
Nesse momento comecei a tremer como um porco, estava quase conseguindo coragem para fazer isso, chegando a até quase me levantar para ir em direção dela, mas claro, hesitei, nesse caso ainda sem razão aparente. Tornei a me sentar e continuei pensando, aliás, esse era o meu problema, pensar demais.
Ainda mais, a mão tremendo não ajudava em porra nenhuma.
"Como eu queria que essa merda não ficasse tão evidente." Pensei.
Até que finalmente aconteceu novamente, minha cabeça criou mais numa simulação. Nela, eu tomava coragem e ia falar com ela, chegava e a cumprimentava educadamente, e ela me respondia da mesmo forma, e aos poucos, com dificuldade e tremendo que nem um puto, começava a tentar a puxar assunto com a menina, indo pelo básico, perguntando se tava tudo bem, o nome, e tals. Até que chegava o momento em que eu dizia que estava ali observando ela e percebia que ela fazia o mesmo, não sei se era a melhor coisa pra se falar, mas era o que tinha em mente, sendo que ai ela dizia que eu entendia errado e que na verdade não estava me observando, e sim, as flores que estavam logo atrás de mim.
Sendo assim, eu pedia desculpas para ela pelo incômodo e me retirava, enquanto os amigos delas bêbados riam da minha cara por conta disso e me zoavam pelas costas, e de novo, me vinha aquele maldito pensamento dizendo "Ela é linda demais, claro que não estaria reparando em alguém como você". E adivinhem só? Isso foi o suficiente para me fazer desistir.
Depois de pensar nisso tudo, me levantei dali, e sem olhar pra trás, voltei para o lado de dentro da casa (mesmo tempo que descobri que as outras duas garotas que estavam lá eram um casal e tinham acabado de se beijar), sendo que dessa vez eu finalmente tinha decidido que era a hora de ir para casa.
Cheguei na mesa e comecei a me despedir do meu pai, da namorada dele, e depois fui procurar a minha irmã pra me despedir dela também, apenas peguei meu paletó e minha gravata que estavam pendurados na cadeira, comi uns últimos docinhos e fui embora pegar um táxi.
Felizmente, haviam táxis livres bem no portão da casa, então não foi necessário esperar muito. Entrei em um e pedi para que ele me levasse para casa, percurso esse que durou 15 minutos e custou uns 20 reais.
Quando cheguei em casa, enquanto me livrava daquela roupa para tomar um banho antes de ir dormir, fiquei pensando em todas as situações da noite em que eu podia ter tomado uma inciativa com alguma garota, e claro, comecei a me sentir um bosta por conta disso, principalmente por causa da última.
Com isso, concluía mais uma vez que precisava parar de cair nessas malditas peças que minha mente me pregava nessas horas, precisava parar de ficar me auto-boicotando, precisava parar de ficar me protegendo demais, porque ao mesmo tempo que fazia isso, eu me privava de muitas coisas na vida, muitas coisas boas, pra falar a verdade. E após tomar um banho, fui dormir pensando se as coisas teriam dado certo se eu tivesse tentado, que é simplesmente uma das piores sensações que podia ter naquele momento.


Brian